Um comentador muito imaginativo decidiu inquirir-me, como se de novidade se tratasse, acerca do meu ritmo de trabalho e divisão das minhas dedicações, insinuando que me dedico à escola em part-time.

É coisa de criatura rasca, mas eu gosto de descer ao nível desta gentalha. Sendo que não é inconcebível que alguma dela até se cruze comigo de cabeça em baixo.

Não é insinuação nova mas gosto sempre de responder salientando que aos medíocres faz muita impressão quem seja apenas suficiente no que faz ou moderadamente competente.

Isto é bem simples, assim de cabeça dei até ao momento mais de 300 aulas de Português a 2 turmas do 5º ano e cerca de 250 de História ao conjunto de 3 turmas de 7º, ao que deve acrescer perto de 30 de apoio ao estudo e umas 70 (pelo menos) a um pequeno grupo de alunos com NEE. As planificações estão a ser cumpridas, os meus elementos de avaliação são partilhados com os colegas e o meu trabalho ainda permite momentos lúdicos com os alunos. Não sei se sou competente, mas sei que não apresentei nenhum atestado nos últimos anos e a maioria esmagadora das faltas que dei foi para participar em sessões públicas de debates ou conferências para que fui convidado. A semana passada em Almeirim e sábado em Gondomar.

Em tempos até apresentava aqui os resultados dos meus alunos em provas nacionais, mas chamaram-me vaidoso, quando era apenas orgulho.

Mas vamos lá.

Por dia, para o blogue, reservo um par de horas, que pode esticar – ou não – conforme os meus compromissos nas redes sociais, nomeadamente no latifúndio que administro em conjunto com a minha petiza (com quem decidi passar a tarde de amanhã, após o seu primeiro exame, faltando para isso a uma aula de 90 minutos, para o que avisei os miúdos já a semana passada, ok?).

Quando necessário, ainda arranco uma hora ao sono para escrever para outros compromissos (entreguei há 2 meses uma biografia com mais de 250 páginas para publicação e tenho outro livro para entregar daqui a 3 meses, mais ou menos, com umas 120), embora nem sempre com a melhor das vontades.

Até ao momento não precisei de drogas leves ou pesadas para aguentar um ritmo de trabalho (excepto uns pézinhos de coentrada como hoje) que é menor do que já foi mas que acredito ser superior ao de alguns provocadores que de tão medíocres não concebem que alguém (sem ser em troca de estipêndio) goste do que faz e o faça sem aparente esforço.

E sobram uns segundos ainda para mandar para o raicoparta quem acha que deve controlar a minha vida.

Farm