Durante o fim de semana jantei bem e em boas e interessantes companhias. Numa das ocasiões com, pelo menos, duas pessoas que sabem muito mais sobre como é oleado financeiramente o funcionamento do país do que eu. embora, no fundo, apenas me tenham confirmado as mais tenebrosas suposições sobre a relação entre o poder político e o empreendedorismo nacional.

Uma das pessoas explicou que o problema não é propriamente a corrupção (o empreendedor que vai aliciar o decisor em troca de um favor ou adjudicação) mas a extorsão (o decisor que faz saber ao empreendedor que só poderá empreender se pagar a quantia certa).

E que tudo seria mais fácil se o forçado corruptor activo (empreendedor extorquido) pudesse denunciar a situação em troca de imunidade. Mas que isso os decisores (falsos corruptores passivos) não decidem, leia-se, legislam. Porque isso lhes retiraria a capacidade angariadora.

E depois a luta passa a ser (interpreto eu) contra o peso do Estado, em alguns casos de verdadeiro incómodo com este sistema, mais por causa do peso específico destes extorsores legalmente eleitos ou nomeados do que propriamente do aparato administrativo do pequeno funcionalismo que, quantas vezes, se satisfaz com robalos-mesmo-mesmo, até daqueles de aquicultura, para acelerar ali uma coisinha.