Como sou professor de Português não estou seleccionado para vigiar os exames na minha escola, pelo que vou acompanhar a minha petiza até à escola-sede, pois a mãe está de serviço, em vigilância.

Esperarei por ela a ler qualquer coisa (não, não será A Bola) e depois trago-a de volta, meto um 102 para as minhas aulas da tarde e fico com ela, de preferência a jogar Angry Birds ou algo assim.

Por isso, a minha petiza até é algo privilegiada.

Mas não é plenamente privilegiada porque há miudagem que fará exame na sua escola de origem, à qual chegarão mais ou menos normalmente e à hora do costume. Ou porque fazem em colégios privados ou escolas públicas em que as direcções optaram por não deslocar toda a gente, não cedendo à pressão do MEC e das forças policiais acerca da falta de efectivos para a distribuição das provas.

Mas há @s pobres coitad@s (sem ofensa) que terão de se deslocar km, forçando os pais a faltar ao emprego sempre que as autarquias fugiram com o rabo à seringa ou não há desempregados na família para @s acompanhar, tendo de sair de casa bem mais cedo e fazer trajectos completamente diversos dos habituais e dirigir-se a uma escola que nunca viram, em especial quando nem é a EB23.

E isto é um claro factor de desigualdade, perturbação e falta de equidade que o MEC fez pouquíssimos esforços por minorar.

E depois não me venham com teorizações da treta sobre traumas de transição de ciclo, sobre a qualidade dos novos centros escolares, confiança nos professores, autonomia, etc, etc, etc.

Para um defensor dos exames como factor de regulação do sistema (e não de criação de rigor, que é outra coisa) e crítico das teorias traumáticas é constrangedor perceber como o MEC trata estas questões do alto do seu pedestal.