Segunda-feira, 6 de Maio, 2013


The Cure, Mint Car

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Como sou professor de Português não estou seleccionado para vigiar os exames na minha escola, pelo que vou acompanhar a minha petiza até à escola-sede, pois a mãe está de serviço, em vigilância.

Esperarei por ela a ler qualquer coisa (não, não será A Bola) e depois trago-a de volta, meto um 102 para as minhas aulas da tarde e fico com ela, de preferência a jogar Angry Birds ou algo assim.

Por isso, a minha petiza até é algo privilegiada.

Mas não é plenamente privilegiada porque há miudagem que fará exame na sua escola de origem, à qual chegarão mais ou menos normalmente e à hora do costume. Ou porque fazem em colégios privados ou escolas públicas em que as direcções optaram por não deslocar toda a gente, não cedendo à pressão do MEC e das forças policiais acerca da falta de efectivos para a distribuição das provas.

Mas há @s pobres coitad@s (sem ofensa) que terão de se deslocar km, forçando os pais a faltar ao emprego sempre que as autarquias fugiram com o rabo à seringa ou não há desempregados na família para @s acompanhar, tendo de sair de casa bem mais cedo e fazer trajectos completamente diversos dos habituais e dirigir-se a uma escola que nunca viram, em especial quando nem é a EB23.

E isto é um claro factor de desigualdade, perturbação e falta de equidade que o MEC fez pouquíssimos esforços por minorar.

E depois não me venham com teorizações da treta sobre traumas de transição de ciclo, sobre a qualidade dos novos centros escolares, confiança nos professores, autonomia, etc, etc, etc.

Para um defensor dos exames como factor de regulação do sistema (e não de criação de rigor, que é outra coisa) e crítico das teorias traumáticas é constrangedor perceber como o MEC trata estas questões do alto do seu pedestal.

… por causa das ténues esperanças europeias do Sporting.

Mas confesso que agora isto se tornou divertido para quem ontem gozava com o mobiliário.

Há uma frase do Confúcio acerca disto tudo que ainda hoje devo citar….

Durante o fim de semana jantei bem e em boas e interessantes companhias. Numa das ocasiões com, pelo menos, duas pessoas que sabem muito mais sobre como é oleado financeiramente o funcionamento do país do que eu. embora, no fundo, apenas me tenham confirmado as mais tenebrosas suposições sobre a relação entre o poder político e o empreendedorismo nacional.

Uma das pessoas explicou que o problema não é propriamente a corrupção (o empreendedor que vai aliciar o decisor em troca de um favor ou adjudicação) mas a extorsão (o decisor que faz saber ao empreendedor que só poderá empreender se pagar a quantia certa).

E que tudo seria mais fácil se o forçado corruptor activo (empreendedor extorquido) pudesse denunciar a situação em troca de imunidade. Mas que isso os decisores (falsos corruptores passivos) não decidem, leia-se, legislam. Porque isso lhes retiraria a capacidade angariadora.

E depois a luta passa a ser (interpreto eu) contra o peso do Estado, em alguns casos de verdadeiro incómodo com este sistema, mais por causa do peso específico destes extorsores legalmente eleitos ou nomeados do que propriamente do aparato administrativo do pequeno funcionalismo que, quantas vezes, se satisfaz com robalos-mesmo-mesmo, até daqueles de aquicultura, para acelerar ali uma coisinha.

 

… é aquela que produz doutores assim:

“Exames da 4ª classe só podem ser bons para os psiquiatras”

Rui Armando Santiago, doutor em Ciências da Educação, defende que os exames do 1.º ciclo do ensino básico que se realizam esta semana provocam nas crianças uma angústia desnecessária.

Eu poderia desenvolver o que penso em relação a isto e repetir-me, mas… sinceramente acho patético, seja pelos paralelismos, seja por tanta outra coisa que me faz pensar que deveríamos abrir uma conta para ajudar quem ironiza.
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“Quando estava no quarto ano de escolaridade fiz uma série de exames. Para além do exame da quarta classe, que até íamos fazer de gravata ou laço, havia o exame de admissão ao liceu ou à escola técnica. Isso não me trouxe muita vantagem para a minha vida”, recordou ao Expresso.

“Estão de volta os exames e imagino a angústia que as crianças estão a sentir. Ao fim de quatro anos de escolaridade, fazer estes exames só pode ser bom para os psiquiatras. Daqui a alguns anos podem ter mais alguns clientes”, ironiza Rui Santiago.

“Para os miúdos nem sempre são experiências positivas. Faz lembrar o Estado Novo”, acrescenta.

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É que eu aceito argumentos racionais contra os exames, não meros anátemas baseados em problemas pessoais, ainda para mais retorcendo os factos.

Quem aceitar rescindir não volta a trabalhar para o Estado

Eu sei que é mau feitio meu, mas não consigo levar o Hélder a sério. Não sei porquê faz-me lembrar o Blédine.

… mas tenho ali 3 turmas de testes para entregar a partir de 4º feira e não há nenhum comentador que as veja por mim e enquanto tenho 35 horas de trabalho ainda vou fazendo isso em casa com as turmas regulares.

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