Sexta-feira, 3 de Maio, 2013


Charles Bradley, Why It Is So Hard?

Eu telespectadora, me confesso.

Larguei o hábito da TV faz muitos meses e ressacando aqui e acolá, recaindo após juras de não mais… eis que com tanto alarido de vizinhança, inquietação crescente de um povo que comigo se cruza e me questiona… Pum! Liguei o aparelho, já ia adiantado o discurso sem curso… do governante deste País desgovernado.

Ai que mágoa, meu povo… ai que dor meus irmãos… que poderemos nós fazer, meus amigos, pensava eu.

Este eu que somos nós. Um nós tão sozinho que já nem um eu poderá ser. Coisificam-nos desrespeitosamente como se não tivéssemos vidas, compromissos e palavras dadas.

Mas eu dei a palavra a meu filho, como tantos de nós deram a palavra a seus filhos, que teria de estudar, aprender para ter um futuro melhor e assim tentar ser feliz! Eu honro a palavra dada e agora… nem palavras tenho.

Um discurso sem curso… do governante deste País desgovernado saiu pela TV fora. Recordo a Segunda Guerra mundial…. caiem bombas e pessoas como nós são levadas para os campos de concentração! Pois, sinto-me enlouquecer! Claro que eram outros tempos! Mas eu sinto as bombas caírem cá dentro, deste dentro que cada um de nós tem, ainda. E não posso aceitar que se fale como se não fosse este o meu tempo, o nosso tempo. Nos campos de concentração, também só iam trabalhar e com direito a habitação e no fim, mesmo no fim, tinham direito a um duche. Bem sei que era colectivo…. talvez não se sentisse tanto medo ou abandono pela humanidade.

Estamos num cenário de guerra sem barulho ou alarido. E tudo que se grita, grita-se para dentro…. que este povo, aguenta, aguenta, aguenta…

Não me quero perder na narrativa. Eu telespectadora me confesso. Pequei, diga-se ouvi.

O canal dois, animava com Banda Desenhada, os restantes três, ( pois tudo fora cortado para as poupanças face aos cortes anteriores) lá emitiam o discurso sem curso de um governante de um País desgovernado…. Não se aguenta… passa-se de um para outro para confirmarmos a tragédia! Não posso crer! Ninguém ajuda!

E revolta das revoltas, haja decoro que este povo sofre!

Acaba o discurso e metem futebol!!!!!!!!! Nada de nada. Nem uma palavra de apoio ao domicilio. FUTEBOL!!!!!

Eu quero apoio psicológico, sinto-me vítima de stress pós traumático. Eu vim da guerra, eu estou na guerra e não sei como desertar.

Apago a TV, imediatamente.

Venho aqui libertar a alma. Que pelo sim, pelo não… para o duche só vou amanhã!

Elsa Dourado

Parece que, por fim, vou apenas trabalhar 40 horas por semana.

Já não era sem tempo. E vai ser de cronómetro em punho. Quero ver alguém a obrigar-me a ficar em reuniões para falar de parvoíces. Agora vou ser eu que tenho o bacalhau à espera de ir para o forno… 🙂 mesmo que seja às 3 da tarde…

E os testes vão ser corrigidos de forma cooperativa…

… de um discurso pedestre. Não tenho pachorra.

… os títulos dos jornais da manhã.

… que o Pedro vai declamar o nosso fado.

António Nóvoa exorta professores a dizer “não”

O meu problema é com aqueles que já demonstraram que, por muito que gritem o contrário, andam sempre danadinhos para dizer sim… só dependendo da cor e não da corda.

Quanto a António Nóvoa… plenamente de acordo…

Nóvoa

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