Afirma João Dias da Silva:

O líder da Federação Nacional da Educação, João Dias da Silva, também frisa que a contabilidade patente na portaria de vagas a concurso publicada nesta sexta-feira resulta dos “critérios que foram utilizados para este levantamento”. Se correspondem ou não às verdadeiras necessidades reais das escolas é algo que, acrescenta, só se saberá em Agosto, quando ficar concluído o concurso anual destinado a contratados.

“É o momento em que se vai poder medir a qualidade deste apuramento. Se as escolas apresentarem então um grande número e necessidades, isso quer dizer que este levantamento foi mal feito. Se acontecer o contrário, então significa que houve, de facto, um redimensionamento das escolas”, acrescenta.

Quando um líder sindical – por muito eivado do interesse de salvação nacional que esteja e convicto das potencialidades do seu mole, desculpem, soft power negocial – afirma isto ou é profundo desconhecedor da situação real das escolas ou (também pode ser “e”) está a fazer um frete ao governo, como já fez em Setembro passado a propósito do anúncio do concurso para a vinculação extraordinária.

Eu explico a questão do frete, que é para não restarem dúvidas… ao esvaziar a polémica neste momento, Dias da Silva pretende controlar os danos que este anúncio pode representar para o MEC e a agitação que pode espalhar-se pelas escolas e agrupamentos com dezenas e dezenas de vagas negativas.

E, diferindo para Agosto o tira-teimas, a FNE parece querer empurrar o problema com a barriga, até se encontrar outro fait-divers que possa, nessa altura, esvaziar a contestação nessa altura.

Objectivamente, a FNE e o seu presidente assemelham-se a um hábil departamento de comunicação do MEC, com uma função ainda mais fofinha do que o CDS no Governo (aqueles que estão dentro, querendo dar a sensação que estão fora), algo em que se vão mostrando (quase) exímios.

Por estranho que pareça, e para irritação de muitos, eu nem sou daqueles que pensa que a FNE é uma inutilidade completa em termos de representação sindical dos professores. Apenas acho que tem uma estratégia errada, uma postura de pastor que envia os cordeirinhos para a matança com palavras de conforto, assim como uma agenda política estranha aos interesses dos professores, os quais não consultam nestas alturas e funcionam apenas como pretexto para se apresentarem como parceiros sociais responsáveis, dignos do elogio do patrão, como o Proença.

Em boa verdade, até devem ter vergonha se forem considerados corporativos. porque, também em boa verdade, não se sentem como tal.

Como líder sindical, Dias da Silva ainda é mais inócuo do que António José Seguro como líder da oposição.