Condições de acesso ao Ensino Superior dos alunos do Ensino Profissional

Sou Encarregada de Educação de um aluno do Curso Profissional de Instrumentista de Cordas e Tecla – P06 – que ingressou no ensino Profissional no ano letivo de 2011/2012.

De acordo com o ponto 4 do artº 29º do decreto lei nº 139/2012 de 5 de julho ,  “A avaliação sumativa externa dos alunos dos cursos profissionais realiza -se nos termos seguintes:
a) Na disciplina de Português da componente de formação geral dos cursos científico-humanísticos;
b) Numa disciplina trienal da componente de formação específica, escolhida de entre as que compõem os planos de estudo dos vários cursos científico-humanísticos;
c) Numa disciplina bienal da componente de formação específica, escolhida de entre as que compõem os planos de estudo dos vários cursos científico-humanísticos.

Como mãe de um aluno que se tem revelado extremamente dedicado ao curso que escolheu, que abdica de saídas com amigos, festas de família e todo o tipo de distrações para treinar guitarra, durante horas a fio, com o objectivo de atingir um nível de excelência que ele próprio se impõe, sinto-me extremamente revoltada, pelo que chamo a  atenção para os seguintes aspetos:

1 – à altura do ingresso neste curso, as regras de acesso ao ensino superior não eram estas, a legislação é posterior à data de ingresso neste curso do Ensino Profissional. Ora esta alteração de regras a meio do percurso traz claros prejuízos para os estudantes, que agora terão de recuperar sozinhos aprendizagens que nunca lhes foram facultadas;

2 – não faz parte do Plano de Estudos do Curso Profissional de Instrumentista de Cordas e Tecla qualquer das disciplinas trienais da componente de formação específica dos cursos científico-humanísticos (História A, Matemática A ou Desenho A);

3 – é sabido que os alunos da vertente de música têm de prestar exigentes provas teóricas e práticas na(s) instituição(ões) de ensino para as quais se candidatam, para as quais têm de se preparar durante o 12º ano, já de si extremamente exigente, com uma enorme carga horária e que culmina com a apresentação de uma Prova de Aptidão Profissional;

4 – esta duplicação de provas de acesso cria uma situação de iniquidade em relação aos alunos dos cursos científico-humanísticos;

5 – fazer exame nacional a uma disciplina que não foi lecionada, parece-nos desadequado e em nada contribui para a formação dos alunos, que se pretende rigorosa e de excelência.

Tendo em conta os pontos acima referidos, parece-me da mais elementar justiça fazer alguma coisa por estes alunos, que foram apanhados a meio do percurso por uma mudança que os penaliza de uma forma irracional, já que lhes exige que prestem provas em disciplinas que não tiveram e ignora todo o percurso de trabalho por eles levado a cabo.

Cristina Araújo