Terça-feira, 9 de Abril, 2013


Imagine Dragons, It’s Time

Hoje procurei informar-me como vai decorrendo – porque vai – aquela coisa da avaliação externa do desempenho docente. Qual não o meu espanto (será mesmo?) quando me contaram que gente que outrora tinha barba rija e pelo na venta anda a ter aulas assistidas mesmo sem ser necessário, enquanto outr@s até pedem a repetição das aulas porque falhou ali uma coisinha e se calhar não dá para o Xalente.

Se em circunstâncias normais isto já me daria uns belos espasmos gástricos, no actual contexto faz-me pensar que há gente que ou se acha mesmo muntaboa ou precisa de levar com uma bigorna naquilo que em termos técnicos se chama os chavelhos!

Mas vai um tipo contar com esta gente exactamente para quê?

monty-python-16-tons

Quando, perante uma situação de evidente e iminente calamidade, os senhores que têm a obrigação de representar os professores junto da tutela/patrão continuam divididos em tacticismos da treta?

A FNE tem muito a explicar sobre a forma como há poucos anos alinhava em quase tudo e agora se agacha a tudo mesmo…

Não é que eu admire muito as “consultas” da Fenprof (no estilo e no calendário), mas que legitimidade têm os dirigentes iluminados da FNE para continuarem a fazer o papel de capachos? O que é que conseguiram até agora – falo em termos de classe docente, não dos interesses particulares deste ou daquele – com essa táctica (nem é bom falar em estratégia…) lastimável?

Quando os próprios senhores reitores começam a deixar cair um dos mais notáveis dos seus, na triste luta pela sobrevivência do mais servil?

Tanto segredo e medo com as fugas que quase nem à família podem dizer que trabalhos andam a fazer. Um tipo ri-se e promete que não conta nada…

O espírito de célula revolucionária está instalado no eixo 5 de Outubro-Laranjeiras.

Mas há sempre quem disside.

Agora já pedem as coisas assumidamente  em duplicado…

Assunto: PREENCHIMENTO DOS DADOS REFERENTES AO LEITE ESCOLAR – 1º SEMESTRE
Data: Tue, 9 Apr 2013 11:01:53 +0100
De: Gabinete de Apoio Técnico (DREN) <gat@dgeste.mec.pt>

Exmo.(a) Senhor (a)

Diretor(a)/Presidente da CAP

Considerando que esta Direção de Serviços se prepara para solicitar a concessão de ajuda comunitária para os alunos da educação pré-escolar e do 1.º ciclo do ensino básico, referente ao Leite Escolar, solicita-se a V.ª Ex.ª o registo, até ao dia 29 de abril, o preenchimento dos dados referentes ao 1.º semestre (setembro, novembro e dezembro de 2012 e janeiro e fevereiro de 2013) disponível no Sistema de Informação da DSRN – Leite Escolar.

Cientes de que V.ª Ex.ª terá lançado os dados na plataforma MISI@, justificamos este pedido como decorrente do processo de reorganização do Ministério da Educação e Ciência, o qual obrigou a alterações, sobretudo ao nível dos procedimentos e dos acessos, dado que se encontram em fase de reestruturação os sistemas centrais.

Agradecemos a compreensão de V.ª Ex.ª pela perturbação que este pedido possa trazer ao funcionamento dos serviços.

Com os melhores cumprimentos,

As Técnicas da ASE

Atenção ao destaque:

Exmo.(a)  Senhor(a)

Diretor(a) / Presidente da CAP,

 

Por forma a otimizar e a atualizar a informação sobre a realidade física das escolas da área territorial desta DSRN, torna-se necessário conhecer, com maior exatidão e rigor, os recursos disponíveis.

Neste sentido, solicita-se o preenchimento e atualização da aplicação “Instalações escolares“, disponível no Sistema de informação da DGEstE-DSRN.

Esta informação permitirá que futuras decisões e cálculos por parte desta Direção de Serviços se estribem numa base real do ambiente escolar. Será possível, por exemplo, determinar-se a taxa de ocupação de um estabelecimento, tendo por base os espaços pedagógicos disponíveis, bem como a população escolar existente e expectável.

Certos de que as direções das escolas entendem a pertinência da necessidade desta informação, solicita-se a V. Exa. o preenchimento da aplicação, até ao próximo dia  15 de abril (2f).

Qualquer pedido de apoio/esclarecimento poderá ser remetido para: dspgr@dgeste.mec.pt

Com os melhores cumprimentos,

Aristides Sousa

Delegado Regional de Educação da Região Norte

OS SERVOS VOLUNTÁRIOS

Tomai a resolução de não mais servirdes e sereis livres. (…) Esse que tanto vos humilha, uma só coisa ele tem mais do que vós e é o poder de vos destruir, poder que vós lhe concedestes.” (La Boétie, Discurso sobre a Servidão Voluntária).

“O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, pediu novas medidas ao Governo português e defendeu que este deve respeitar as suas obrigações financeiras para com os credores internacionais. ‘Depois da decisão (do TC), Portugal tem agora de tomar novas medidas’.” (CM, 8/4/2013).

É muito comum ouvir por estes dias os apoiantes do governo – sobretudo do lado do PSD… – dizer que “Portugal está nas mãos da troika e dos seus credores” e que por isso “nada podemos fazer senão obedecer às suas exigências”, pretendendo, no mesmo passo, legitimar a intenção do governo de aprofundar ainda mais o ataque ao estado social e ao funcionalismo público a pretexto dos “chumbos” do TC, já que o executivo apenas se limitaria a dar curso (como “bom aluno” que é) aos desejos da troika. E que outra alternativa haveria?…

Aquela afirmação de impotência comporta, além de uma dose mais ou menos voluntária de cegueira ideológica – que é difícil de discutir, como qualquer opção sectária ou de fé -, uma perspectiva perigosamente superficial e ingénua das questões da política e do poder que estão em causa, e que, essa sim, importa discutir e clarificar, porque é ela que tem dado cobertura à gigantesca manobra mistificatória do governo que consiste em fazer passar apenas por imposições externas as medidas que a sua agenda política e ideológica própria requer.

A afirmação do governo que queria ir “para além do Memorando” é por demais reveladora: deve ser levada muito a sério e deve ser bem analisada em toda a sua extensão e implicações.

Aquela mistificação apoia-se neste raciocínio vicioso: as imposições externas são indiscutíveis/inevitáveis (“quem empresta, manda”); as medidas políticas que nos convêm têm, por sua vez, de obedecer a essas imposições externas (“ou não estivéssemos completamente nas mãos dos credores”); logo, elas são também indiscutíveis/inevitáveis (“cumprimos o que não tem discussão”). Ou seja, fingindo partir do princípio indiscutível de que as imposições externas são inevitáveis, alcançamos verdadeiramente o nosso objectivo primeiro: as medidas que nós próprios queremos, que nos convêm, são (por consequência) também elas inevitáveis, mas, melhor ainda, não são inteiramente da nossa responsabilidade.

Desmontemos então aquele argumento e as respectivas premissas.

Na UE, a grande força é a Alemanha, potência euopeia com reconhecida apetência para a dominação e para a expansão. As políticas da UE têm servido justamente, e antes de tudo, os interesses dos alemães e dos seus aliados do norte. Porém, a narrativa ideológica dominante, com tons moralistas, quer fazer crer que, através das políticas “comuns” ou de “resgate”, são os contribuintes desses países que estão a sustentar os “irresponsáveis e esbanjadores do sul”. E por isso, estes, “para terem de comer, o melhor é estarem calados e agradecidos” (ideia que aqueles apoiantes laranjas do governo interiorizaram).

A realidade, no entanto, mostra coisas diferentes. Os juros dos títulos de dívida dos países periféricos da Zona Euro deram um lucro de 1100 milhões de euros ao Banco Central Europeu (BCE), de acordo com os dados do banco. Este lucro parte de uma carteira de 208 mil milhões de euros em dívida portuguesa, espanhola, grega, italiana e irlandesa, que começou a ser comprada em meados de 2010 pelo BCE. A maior parte deste lucro, 555 milhões, deve-se aos títulos da dívida grega (vendida com juros significativamente mais elevados). No final de 2012, o BCE detinha 22 mil milhões de euros em dívida portuguesa, comprada no mercado secundário.

No entanto, apenas 8% do lucro com a dívida dos países em crise pertence ao BCE. Os restantes 92% estão distribuídos pelos bancos centrais dos 17 países da zona euro, que contribuíram para a compra de dívida, em proporção com o capital investido por cada banco. Esta regra levará a Alemanha a receber a parte leonina dos dividendos. A Alemanha, de resto, é das poucas praças seguras que restam na ZE para quem queira guardar o seu dinheiro (e ainda há muito dinheiro para ser guardado), tendo conseguido financiar-se sem custos ou mesmo com juros negativos. Neste âmbito, aliás, o governo de Merkel anunciou que pretende lançar um programa de formação e emprego com base nos proventos obtidos. (É caso para dizer: ainda goza connosco!). Também há pouco tempo, o governo da Holanda fez saber que, “no total, o Banco da Holanda irá lucrar 3,2 mil milhões no período 2013-2017 com a participação em operações relacionadas com a crise. Convém assinalar que o respectivo titular das finanças, Jeroen Dijsselbloem, é o presidente do Eurogrupo, e ficou tristemente célebre pelas suas alarmantes declarações sobre o confisco bancário no Chipre.

Como se vê, com esta crise, tem-se verificado uma maciça drenagem de recursos financeiros e económicos do sul para o norte da Europa, aprofundando o círculo vicioso das desigualdades (as desigualdades geram mais desigualdades: os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres). Aquela “inevitabilidade”, que quer dizer, no fundo, a desigualdade perpetuada e auto-justificada, serve assim mutíssimo bem os interesses políticos, económicos e estratétigos dominantes na Europa – e ainda é um favor que estes estão fazer…

Entretanto, a nível doméstico, o nosso governo, pela sua composição e circunstância, reúne duas tão singulares quanto preocupantes “qualidades”: é o mais carregado ideologicamente e ao mesmo tempo o mais próximo do mundo dos negócios de toda a nossa democracia constitucional. O fundamentalismo ideológico, de raiz neo e ultraliberal, entrelaçou-se assim com os grandes interesses económicos. Os interesses do país, o bem comum e os objectivos do Estado ficaram assim dependentes da voragem de um mercado, não livre e concorrencial (isso é apenas paleio ideológico), mas dominado por uma oligarquia económico-financeira (em que pontifica a banca) que se ergueu em torno do poder político e se viciou na dependência estatal (suma ironia ideológica).

“Ir para além da troika” constituirá a “assunção heróica da inevitabilidade” para os crentes mais deslumbrados, mas, mais prosaicamente, significa aproveitar as directivas daquela no sentido de canalizar os recursos do país para os negócios da referida oligarquia, desviando-os do Estado, sobretudo das sua áreas sociais, e reduzindo drasticamente os respectivos recursos humanos – o que se traduz numa satisfação ideológica suplementar…

Se o governo estivesse realmente interessado em preservar acima de tudo o interesse do país, teria usado a independência do Tribunal Constitucional (TC), traduzida no seu acórdão contra o OE, como um argumento acrescido de legitimidade e força democrática perante os credores, para renegociar os termos da dívida em nome de um povo que vive asfixiado, não por ter recusado a receita austeritária, mas por causa dela mesma. Porém, PC prefere tomar o TC como álibi para esconder os resultados desatrosos da sua governação, assumindo mais uma vez – com uma mistura insólita de fanatismo e de calculismo – o ultimato dos credores em vez dos interesses do seu povo.

Ao longo dos últimos dois anos, PC desperdiçou todas as oportunidades de participar com voz activa no debate sobre o futuro da ZE, dificultando – com a sua voz e postura subserviente – a constituição de uma frente de países capazes de fazer corpo perante a Alemanha e seus aliados. Merkel já mostrou sobejamente que não entende a força das razões. Seria necessário exibir-lhe as razões da força em nome dos interesses europeus comuns. Mas nada disto acontece. Em Lisboa, mas também em Paris, Roma e Madrid parece não habitar um único estadista.

Farpas

As que estiveram em discussão pública e já estão disponíveis na versão final, aqui.

Em História (3º ciclo) passaram de 185 para 168 e notam-se alterações substanciais, mais adequadas ao Ensino Básico. mesmo assim continuam a ser pensadas para uma carga horária que não existe.

No caso do 8º ano passaram de 181 para 142… o que significa um corte bem substancial no total desvario inicial.

Nas de HGP para o 2º ciclo praticamente não tocaram. Ficaram “apenas” as mais de 500 definidas na proposta… É verdade que aquilo já está no programa, mas… :evil: alguém acredita a sério em 300 metas para o 6º ano?

Nuno Crato diz que é muito cedo para dizer onde é que se vai cortar.

A resposta da FENPROF às ameaças de cortes na educação

… finalmente este Governo faz alguma coisa de jeito.

Governo denuncia à UE irregularidades em contratos com EDP

Ou será apenas para fazer notícia e acabar tudo arquivado?

Vão continuar a pagar aos consultores e assessores enquanto dizem que há funcionários a mais?

Gaspar proíbe novas despesas no Estado sem autorização

Há quem não tenha um pingo de coerência e negue que exista fogo, só porque agora a cor é outra da que foi.

Não defendem princípios, apenas posições. Não defendem ideias, apenas interesses.

São o reverso daqueles que agora dizem mal de tudo só porque os que estão não são dados a pontes nos bastidores.

E são iguais no ódio que destilam. Odeiam os outros.

Daí eu preferir estar melhor sozinho ou escassamente acompanhado do que no meio de uma massa formada por uma maioria de convictos militantes do oportunismo.

O Governo criou um grupo de trabalho com o objetivo de “ponderar futuros desenvolvimentos do Programa de Expansão e Desenvolvimento da Educação Pré-Escolar”, e que terá 60 dias para apresentar um relatório que analise o impacto do programa.

De [Portugal] chega-nos uma notícia assustadora; [Lisboa] está cercada. Dizem-nos que os seus cidadãos, que haviam pago um resgate, entregando tudo o que tinham de ouro e prata, foram novamente atacados e depois de perderem seus bens, perderam também a vida. (…)
A cidade que havia conquistado o mundo foi ela mesma conquistada. Ou, para dizer melhor, morreu de fome, antes de ser destruída. Quase não sobrou ninguém para ser escravizado. Na sua fome desesperada, os romanos comiam coisas horríveis. E até carne humana.

Cartas

“A Crise, a Família e a Crise da Família” de Mónica Leal da Silva

Mais um interessante e necessário Ensaio escrito por Mónica Leal da Silva para a Fundação Francisco Manuel dos Santos, a dever por todos ser lido, e fazer pensar: “ uma reflexão ética sobre a família e o trabalho”.

Ficam aqui e agora algumas frases para aguçar a apetência à leitura de “A Crise, a Família e a Crise da Família”:

– A crise da família não ajuda a sobreviver à crise.

– ….só uma esquerda muito simplista pode resumir o aborto ao direito da mulher ao seu corpo.

– O aborto é um péssimo metido contraceptivo….

- Este texto é uma defesa da família como rede social insubstituível….

– ….não me parecia evidente que ter filhos fosse sinal de atraso de uma geração que já tinha a pilula.

- …o projecto de educar os filhos não tem de ser da mãe, dois educam melhor que um…

– …os ( cada vez mais) homens que escolhem ser pais são cada vez mais competentes e responsáveis.

- O Estado deve…continuar a garantir o acesso de todos à saúde e à educação…natalidade…família.

– Ainda bem que há muitas famílias em que ambos os pais têm carreiras bem-sucedidas e famílias alargadas que os apoiam…há também bons infantários e boas escolas com horários longos….

– Todos somos poucos para ajudar a que uma criança cresça segura, saudável, com oportunidades e feliz.

- Ninguém que carregar ninguém nem ser fardo para ninguém.

- A desumanização dos velhos é, como a violência domestica, transversal à sociedade….

- ….testamento vital…

– ….mal disfarçado horror aos velhos e à velhice…

– …lar…

– Não queremos ser vistos pelos nossos filhos e pelos nossos netos na nossa enfermidade e na nudez da nossa condição.

– ….apagar da história as crianças e os mais velhos…..

- Os professores têm de ensinar, os pais têm de educar…

– …pais melhores podem tornar cada professor mais eficaz…

– ……pais….não delegam as tarefas que lhes cabem à televisão ou ao computador.

- ….flexibilizar horários de trabalho….

- Não me parece que a escolha seja entre viver como até aqui, com dinheiro que não temos, e a depressão colectiva.

- …sonhar com o que se pode fazer, mais do que com o que se pode ter.

- Hoje parece-nos mais aceitável a pornografia dos reality shows do que a discissão de comportamentos entre os casais ou com os filhos ou com os pais.

Aqui ficam as “dicas” sobre este Ensaio para FFMS da Mónica Leal da Silva, para – neste momento de tantas crises! – ser lido, a ver se todos ajudam (ajudamos) a minorar: “A Crise, a Família e a Crise da Família”

Augusto Küttner de Magalhães

27.03.2013

Foto1434

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 833 outros seguidores