Sábado, 6 de Abril, 2013


Lloyd Cole, No Blue Skies

com os tais comentadeiros, andei a preparar terreno para plantar mais mil.

… as estatísticas do Umbigo no Sitemeter. Restam apenas as da última semana. Bah….

… se ouço outro comentadeiro falar em tempestade perfeita. Phosga-se, tiraram todos a pós-graduação na mesma esplanada?

… para tudo ficar na mesma. Nem sabemos se alguém chegou a sentir prazer.

… e contou tudo… quem disse isto e quem disse aquilo. Mas que tudo ficou na mesma apesar disto e daquilo. O microman é ubíquo. E está cada vez mais irritante no seu emproamento. Quem diria que quem não soube liderar um partido sabe tanto sobre.

Comentadores televisivos, se possível ex-ministros. Ou então especialistas em finanças, percepções externas, credibilidades dos mercados e outras coisas assim. E há sempre os economistas que fazem manifestos geniais.

Sabemos… até apresentou a moção antes e tudo.

DA PUERILIDADE COMO ÚLTIMO DEGRAU DA POLÍTICA

O chumbo do TC confirmou o que toda a gente esperava, dado que este se limitou a seguir a sua jurisprudência, a qual incidiu em pontos sobre os quais o governo, porém, mesmo assim quis insistir, continuando dessa forma a afrontar princípios basilares – a igualdade e a proporcionalidade – do nosso documento fundamental. E quando afirmo que toda a gente esperava, é porque incluo também aí o governo e os seus apoiantes.

Vir o PSD agora manifestar “perplexidade e preocupação” perante esse acontecimento é que é verdadeiramente preocupante e, infelizmente, pouco surpreendente.

É preocupante porque um partido democrático não pode, seja qual for a circunstância, deixar de congratular-se com normal funcionamento do estado de direito democrático – tal como aconteceu, simplesmente, com a decisão do TC. O PSD revela assim um tão peculiar quanto preocupante entendimento da democracia, que confirma que as declarações de MFL sobre a “suspensão da democracia” não eram assim tão irónicas ou inócuas…

Mas a posição desse partido é também preocupante – mas já não surpreendente – noutro sentido: explica com toda a crueza o desastroso e inepto comportamento político do governo perante a crise que devasta o país. E mais ainda: explica as razões pelas quais o governo é incapaz de enfrentar com sucesso esta crise.

De facto, a reacção que se percebe no PSD antecipa a atitude típica deste governo: “Ah pensam que se safam com esta decisão do TC? Estão muito enganados! Se somos obrigados a dar-vos com uma mão, tiramo-la com a outra…”. A ameaça de mais impostos, a título “compensatório” – e que resulta de um falso dilema: há sempre outras alternativas, desde que se queira e se saiba… -, já impende sobre as nossas cabeças.

O governo interiorizou e assumiu para si, e para o país, a perspectiva moralista e punitiva sobre a população – e em particular sobre o sector daquela que, por motivos ideológicos, lhe provoca mais antagonismos, os funcionário públicos – com que Merkel mascarou a sua política de dominação sobre a Europa, com especial zelo para os “irresponsáveis do Sul”. (O caso de Chipre, para quem o quis perceber, confirmou que a Alemanha na Europa não negoceia: impõe).

E na sua cegueira de se mostrar “bom aluno” – que revela, antes de mais, um profundo complexo de inferioridade e provincianismo político -, o governo enredou-se numa estratégia absolutamente suicidária ao pretender ir “para além do que o Memorando exigia”, pois não percebeu que, com a insensatez dessa aposta única, acabava por ficar praticamente sem margem de negociação ou de recuo perante a troika e desarmado perante factores (como as decisões do TC) que pudessem vir complicar a situação.

A crença ideológica de PC, dos seus mentores e delfins do partido, de um lado, e o experimentalismo económico de “iluminados” como Gapar, Moedas ou Borges, do outro, conduziram – através de um pensamento ferreamente convergente – o governo a um beco sem saída, de que ele é a primeira vítima. Mas não a maior: essa é a população.

A atitude que temos perante um fenómeno político e social é já constitutiva desse fenómeno. O discurso da “inevitabilidade” por parte do governo, que profetizava a “ausência de alternativas” às suas medidas, se visava condicionar os adversários políticos e a opinião pública ou cingir o debate apenas aos termos que desejava, acabou por se revelar uma auto-prefecia: o governo só tem esta política, só sabe pensar e executar esta política – e ficou prisioneiro dela e refém dos seus resultados; e depois, quando a força dos factos acaba por demonstrar que ela é desajustada e ineficaz, fica completamente desarmado e impotente. É este exactamente o estado em que o governo se colocou.

Perante isto – tal é a posição veiculada pelo principal partido que o apoia -, o governo só consegue refugiar-se numa atitude de denegação pueril. Por um lado, como não se pode mudar a nossa política (entenda-se: não temos nem sabemos fazer outra), mude-se a Constituição, o país, a realidade. Por outro, em vez de se virar contra quem (o “adulto”, o “forte”) que lhe impôs o caminho do falhanço (Merkel e os seus aliados e comissários), vira-se contra os “mais fracos”, para se vingar da afronta da realidade sobre o seu desejo, sobre o seu “pensamento mágico” e autocentrado; se a população não se quer mudar “a bem” (i. e., nos termos que nós queríamos), muda-se “a mal” (i.e.,nos termos em que somos forçados a querer – mas que, no fundo, não nos desgostam de todo…).

A resposta adulta e séria perante esta posição só pode ser esta: o que se tem que mudar mesmo é o governo e de políticas.

Se ainda fosse possível espantar-nos com Cavaco Silva, faria sentido mostrar o nosso espanto pelo facto de o PR não considerar que a posição de um governo que afronta, de forma deliberada e sistemática, a Constituição (de que ele próprio deveria ser o primeiro guardião) representa, objectivamente, um atentado contra o “regular funcionamento das instituições”.

Farpas

Convencer o PR a fingir que o convenceu a não se demitir.

Do género… diga-lhes que me agarrou ou eu nem ganhava para os pensos...

Eu sei que o José Gomes Ferreira diz coisas muito certas, mas a verdade é que em algumas outras situações diz assim umas coisas que até fazem doer os neurónios.

Mesmo agora, na SICN disse, com ar seráfico, que sim, a Constituição está acima do Orçamento mas que, neste momento, acima da Constituição está a troika.

Com malta assim e a argumentar com este brilhantismo, nem precisamos de ajuda para ficarmos de rabo ao léu.

wegie

Esta gente ainda não percebeu que a percepção externa se calhar não fica diminuída por termos alguma dignidade, antes pelo contrário.

Grande novidade.

Mas têm por lá algum especialista em alguma coisa jurídica?

Marques Guedes a ler uma declaração resultante do Conselho de Ministros que me parece um meter de rabo entre as pernas, apesar da conversa da credibilidade externa.

E que tal verem isto como uma oportunidade para conseguirem melhores condições?

Já quanto ao PM, parece que vai falar com o PR não se percebe bem sobre o quê.

Há pouco vi em diferido o programa do Expresso da Meia Noite de ontem onde se disseram barbaridades infindas, a começar por um “constitucionalista” da Universidade Católica que desconhecia e ainda por um quase clone dele, o mais conhecido Alexandre Patrício Gouveia, economista que andou pelo Compromisso Portugal.

O primeiro deles declarou, sem aparente pudor, que a decisão tinha sido tomada por uma diferença mínima e que bastaria um voto diferente para as coisas serem outras.

Ora… há 13 juízes e as decisões mais renhidas foram por 8-5, sendo outras por 11-2 como se pode constatar:

VotosTC

A minha questão é: precisamos de comentadeiros e especialistas destes em prime-time que fazem do rigor um estorvo e mentem – ai, ai, agora diz-se que são inverdades – sem qualquer tipo de consequência.

O campeonato de futebol é alargado de novo para 18 clubes porque, afinal, nada aconteceu.

  • CNN:

Portugal court strikes down portion of austerity measures

  • Financial Times:

Portugal court rules against austerity

  • Telegraph:

Portuguese court blocks key part of austerity plan

  • Wall Street Journal:

Portugal Court Strikes Down Austerity Measures

… hoje até amanheceu límpido como se ainda fossemos a tempo de uma Primavera.

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Mas deve ser coisa passageira….

Ainda com grande sucesso entre certos círculos de alguma pedagogice teórica, com chancela BSS.

Trata-se da páginas 23 a 25 da obra Nova Teoria Curricular de João Paraskeva (Edições Pedago, 2011), um autor que eleva o emaranhado discursivo a todo um novo nível de desnecessária complexidade, fazendo certamente empalidecer de inveja aqueles que cita (desculpem lá, mas foi foto que não me apeteceu digitalizar a preceito):

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  • Na TSF, o Pedro Marques Lopes -  insider da construção de PPC ao poder antes de ser afastado em detrimento da facção relvas – comentava que pelos mentideros se diz que a máquina do não-ministro se iria virar contra o ainda ministro Crato.
  • Pela imprensa, nota-se com alguma facilidade a muralha d’aço, talhada em bons tempos de 70, em redor do rigor e transparência com que o dossier Relvas-Lusófona foi tratado pelo actual MEC, mesmo quando se reconhecem ali umas asperezas temporais.

Perante isto, e caso a primeira informação seja fidedigna, espero ver a forma como reagirá o círculo de amizades intelectuais e mediáticas de Nuno Crato.

De qualquer modo, num confronto desse tipo não há que hesitar, por muita que possa ser a tentação da neutralidade.

Será que alguém vai perguntar ao engenheiro, no domingo, como é que uma pessoa com uma única conta bancária tem tantos cheques desaparecidos e nem dá por isso.

Ou eram fotocópias?

O cenário traçado no Expresso em que o PM esteve sempre informado do que se passava na investigação sobre a Lusófona e que o relvas só soube quando terá sido obrigado a demitir-se. E que não terá existido gestão política do timing.

Até pode ser verdadeiro, não é isso que está em causa.

Mas é demasiado adocicado e a cronologia parece encaixar-se de forma imperfeita nas datas dos documentos da coisa.

Embora seja verdade que, sabendo do que se passava, mesmo um relvas não deveria querer que o seu último acto público como governante fosse aquela coisa deprimente do impulso jovem.

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