Há quem só veja as decisões jurídicas ou políticas na base do posicionamento partidário. Só encaram as coisas em termos de esquerda/direita, socialismo/liberalismo, PS/PSD e coisas assim.

Por mim, e para resumir pois sinto-me um bocado azedo com a curteza de vistas de quem da coerência tem uma visão “posicional”, quem se opôs aos desmandos legislativos de Sócrates só pode estar contra os desmandos legislativos de Passos Coelho.

A menos que não fossem os desmandos que tivessem em causa, mas quem os fazia. Ou o partido. Ou a ideologia.

Cá para mim um abuso de poder é um abuso de poder. Rosa, laranja, vermelho, verde, azul ou cor dos asnos quando resmungam.

Quem critica a ausência de garantias dos direitos individuais em regimes de matriz autoritária, estalinista ou fascista, não pode queixar-se da existência de um Tribunal Constitucional que tem como missão defender esses mesmos direitos, mesmo quando toma decisões chatas. Uma coisa é discordar (como eu discordei no ano passado), outra contestar a própria razão de existir.

Quem critica o arbítrio das ditaduras e dos absolutismos, não pode atacar uma Constituição só porque a considera pouco consentânea com os seus próprios ideais, pois abre a porta a quem faça o inverso.

Há realmente gente que tem da defesa dos princípios do Estado de Direito, como instrumento político de combate à selvajaria, uma visão muito própria e privada.