No Expresso de hoje:

Mas o problema é que Sócrates é Sócrates. E foi o mesmo Sócrates de sempre, agastado e violento, que esteve na RTP. O rasto de ódio que deixou faz com que qualquer racionalidade no seu discurso esbarre com a irracionalidade de quem o ouve.

Acho que dá para perceber porque embirro com este luminário da esquerda dita alternativa, que desloca para quem ouve a irracionalidade, criticando apenas a Sócrates a forma e não o conteúdo do regresso.

Se Sócrates tivesse regressado mais suave, mais hipócrita, mas exactamente com as mesmas políticas, as pontes da Esquerda estavam feitas e já havia líder para todas as estações.

O discurso de Sócrates é racional, quem o “odeia” é que é “irracional”.

Isto é a forma mais básica de argumentário político, o nível zero da política, em que se demonizam os “odientos” só porque não aceitam a narrativa auto-desculpabilizadora do “engenheiro”…

 

Porque para esta “Esquerda”, entre o radical urbano chic e a social democracia pretensamente sofisticada e pensante, Sócrates é o animal político ideal para derrotar “a Direita”, não interessando o resto.