Segunda-feira, 25 de Março, 2013


Arctic Monkeys, Mardy Bum

Anúncios

ANOS

(c) Luís Rosa

A chamada prenda com utilização imediata…

IMG_0439b

… vão-me chegando ecos, algo dispersos, bastante preocupantes quer das negociações, quer da sua preparação pelo MEC, baseando-se as dúvidas principalmente em quantas vagas negativas vão ser apresentadas a concurso. Mas penso que sobre isso, os sindicatos deveriam informar pelo menos os seus associados em tempo útil, em vez de manterem a cultura de opacidade negocial.

Não vou elaborar muito sobre o assunto, para não correr o risco de me antecipar às posições públicas, de pelo menos, da Fenprof (até quando se manterá nas conversações informais e negociações formais?) e FNE (até quando manterá a postura de direcção-geral paralela do MEC?).

Quanto ao concurso em si, acho que já há anos expus o que penso…

  • Deve existir um concurso interno em que a graduação profissional seja o critério único de ordenação, apenas se abrindo excepções (ou “prioridades”) para os casos de doença e apoio comprovado à família.
  • Deve existir um concurso externo, com as vagas disponíveis definidas de forma clara e sem truques de secretaria (elaborarei mais tarde mas, por agora, que fique expressa a minha reserva quanto ao que voltará a ser feito com os lugares decorrentes das aposentações confirmadas ou em decurso), em que a graduação profissional dos docentes com serviço prestado para o patrão-MEC seja o único critério aceite.

Há ainda um detalhe adicional… que é o da unidade a que se concorre… escola, agrupamento, qzp ou… o país?

No passado houve diversas regulamentações e as pessoas usaram a legislação aplicável. Não me parece correcto querer culpar est@ ou aquel@ por ter concorrido com as regras que estavam em vigor.

A maior injustiça de todas deu-se ainda nos anos 80 com as gerações de licenciados anteriores a 86 a ser prejudicadas pela criação dos Ramos de Formação Educacional em 1987 em diversas Universidades.

Não vamos corrigir erros com outros erros.

É tempo de, por uma vez, as coisas serem feitas às claras, por muito que os modelos de escolha directa pareçam estar na moda.

Nuno Crato dá volta ao Mundo

O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, fez cerca de 43 mil quilómetros – mais de uma volta ao mundo – em 14 dias, em viagens à China, Chile e Brasil.

Já percebemos… pagaram pouco por tanta viagem. O que não impede que… nos interroguemos sobre os ganhos efectivos de tais passeatas, atendendo ao caos interno?

Your Phone vs. Your Heart

(…)

In short, the more attuned to others you become, the healthier you become, and vice versa. This mutual influence also explains how a lack of positive social contact diminishes people. Your heart’s capacity for friendship also obeys the biological law of “use it or lose it.” If you don’t regularly exercise your ability to connect face to face, you’ll eventually find yourself lacking some of the basic biological capacity to do so.

The human body — and thereby our human potential — is far more plastic or amenable to change than most of us realize. The new field of social genomics, made possible by the sequencing of the human genome, tells us that the ways our and our children’s genes are expressed at the cellular level is plastic, too, responsive to habitual experiences and actions.

Work in social genomics reveals that our personal histories of social connection or loneliness, for instance, alter how our genes are expressed within the cells of our immune system. New parents may need to worry less about genetic testing and more about how their own actions — like texting while breast-feeding or otherwise paying more attention to their phone than their child — leave life-limiting fingerprints on their and their children’s gene expression.

When you share a smile or laugh with someone face to face, a discernible synchrony emerges between you, as your gestures and biochemistries, even your respective neural firings, come to mirror each other. It’s micro-moments like these, in which a wave of good feeling rolls through two brains and bodies at once, that build your capacity to empathize as well as to improve your health.

If you don’t regularly exercise this capacity, it withers. Lucky for us, connecting with others does good and feels good, and opportunities to do so abound.

So the next time you see a friend, or a child, spending too much of their day facing a screen, extend a hand and invite him back to the world of real social encounters. You’ll not only build up his health and empathic skills, but yours as well. Friends don’t let friends lose their capacity for humanity.

Arbitrariedade e incompetência nos concursos de professores

…ou de como continuar a dividir para melhor reinar

Aproxima-se um novo período “concursal” num ano em que, além das habituais colocações de professores contratados e depois dessa manobra de diversão a que chamaram “vinculação extraordinária”, haverá ainda um concurso interno para a mobilidade dos professores dos quadros de escola, agrupamento e zona pedagógica. Num eloquente exemplo do “rigor” de que o actual ministro globetrotter costumava ser paladino, está ainda a ser negociado o enquadramento legal do concurso, com reuniões já marcadas para Abril, com as habituais trapalhadas e contradições de uma equipa ministerial tão incompetente como alheada da realidade.

Perante algumas intenções já anunciadas, como a de aumentar a área geográfica dos quadros de zona pedagógica ou a de bonificar os professores destes quadros que venham a ser colocados mais longe, começa já a ser criado o pano de fundo que, pelo menos desde os tempos de Maria de Lurdes Rodrigues, tem marcado a política de concursos: decisões arbitrárias na abertura de vagas, na definição de prioridades, na contagem do tempo de serviço e na ordenação dos candidatos que geram posteriormente situações tão injustas como, as mais das vezes, irreversíveis. Contudo, se o resultado prático é este, na origem das decisões fica quase sempre a dúvida sobre até que ponto as injustiças que se cometem resultam do desconhecimento da realidade, da vontade política de favorecer determinados grupos ou situações profissionais ou da incompetência pura e simples na gestão de processos complexos e onde raramente há a percepção de que se está a mexer com a vida das pessoas, muitas vezes com a sua estabilidade material, emocional, familiar, com expectativas em muitos casos são legítimas mas, noutros casos, não.

Pessoalmente, penso que há ainda um factor importante que pesa nas decisões, nem sempre considerado: o interesse em destruir o espírito de corpo que possa ainda existir entre os professores e a noção de uma carreira docente estável, impondo o individualismo, o oportunismo e a inveja como valores a incutir na classe. Por outras palavras, interessa dividir os professores fazendo com que todos se sintam revoltados contra o colega que, fruto das regras injustas do concurso, lhes passou à frente, e não com os governantes e as forças políticas que decidiram e implementaram essas regras.

Não acreditando que o próximo concurso de professores venha a ser tão justo, honesto e transparente como desejaríamos, nem que promova a estabilidade que os profissionais da educação tanto anseiam, tenho ainda a esperança de que as negociações com os sindicatos, ainda a decorrer, e as tomadas de posição dos professores possam corrigir ou atenuar alguns aspectos mais gravosos. Para isso precisamos de estar atentos e ser actuantes, tendo em conta que o isolamento e as dificuldades crescentes do governo podem ser nossos aliados, se houver unidade e determinação da nossa parte. Contra a política do governo que em nome do povo governa, não contra os nossos colegas…

António Duarte

Página seguinte »