Texto curtinho, em resposta a uma questão colocada por mail para efeitos de uma obra sobre este e outros assuntos.

Esse triângulo e qualquer dos modelos “trinitários” a ele associados  ensinar, aprender, formar) com parece-me espartilhar demasiado a relação de ensino-aprendizagem e esquecer aquilo que os unifica e que é o processo de transmissão do conhecimento entre o professor e o aluno.

Porque o que está em causa é a necessidade de transmitir algo, a que podemos chamar “conhecimento” (a que podemos acrescentar ainda os “valores”, de forma complementar à acção da família ou grupo social ou cultural) e que é, ele sim, o sujeito principal. Se sem alunos, a escola não faz sentido, “ser aluno” só se entende por referência à aprendizagem de algo. O aluno e o professor definem os seus papéis em função do conhecimento, pelo que eu defendo um modelo em que o conhecimento e a sua transmissão polarizam a relação estabelecida entre professor e aluno.

O conhecimento está no centro do acto de transmissão, que podemos designar de ensinar pelo professor e de aprender pelo aluno, os quais só ganham sentido exactamente em função do que existe a transmitir.

A escola não existe sem aluno, mas os alunos não existem sem a necessidade de transmissão de conhecimento, o qual está depositado, para efeitos práticos, na figura do professor.

triangle de houssaye