O comentador Lourenço é das poucas pessoas com maior auto-estima que o Borges ou mesmo o Relvas juntos.

Todos os dias ele demonstra como Portugal só está mal porque não o puseram à frente das Finanças quando ainda andava de cueiros, pois para ele tudo é simples, linear, evidente.

Na prosa de hoje no Jornal de Negócios somam-se as pérolas em catadupa numa estreita coluna de 5 parágrafos.

Vejamos esta:

Quando preparava o livro “Basta!” um alemão, ao ver o gráfico do desemprego jovem na Europa (onde se nota a divisão clara entre os países do centro/norte e os do sul), perguntou-me: “Como é que vocês não vêem o problema? Todos os países do Sul têm desemprego jovem acima de 35%, contra 10% no centro/norte”, atirou,”É óbvio que têm um problema na Educação e no mercado de trabalho…”.

Phosga-se, pá! O alemão é um sobredotado.

Aliás, só mesmo “um alemão” para conseguir, ali apenas com um gráfico feito pelo excel do Camilo, fazer o diagnóstico, passar um atestado de burrice a “vocês” (nós) todos e identificar um problema que mais ninguém terá visto, a não ser – claro – o enorme visionário Camilo Lourenço.

Rai’s parta esta tugalhada que não consegue perceber o que “um alemão” vê com tanta clareza… que há uma diferença nos níveis de desemprego do centro/norte (se fosse centro/sul seria em Almada) e o sul da Europa, que é algo em  que nunca alguém reparou, nem sequer que temos um problema no mercado de trabalho (chama-se desindustrialização, contou-me “um austríaco”) e outro na Educação (consultei “um suíço” e ele garantiu-me que é a falta de ensino dual aos 13 anos).

É que basta “um alemão” olhar para “o gráfico” e já está toda a crise nacional resolvida, bastando a Camilo Lourenço verter isso em livro e a piolheira nacional render-se-lhe.

Porque até hoje, ninguém, em Portugal, tinha percebido que temos um problema de desadequação da formação de nível secundário e superior em relação ao mercado de trabalho.

Foi preciso “um alemão” ver o rascunho da opus magnum de Camilo Lourenço.

E a partir d’agora está tudo em pratos limpos, ó cambada de asnos meridionais!