Nos últimos dias aprendi a apreciar imenso aquelas pessoas que, dizendo-se profundamente incomodadas com o Relvas e a sua presença no Governo, acham que ele foi silenciado e que isso é um atentado à Democracia.

Excluindo a parte factual falseada (o homem falou sempre, excepto quando deu de frosques do ISCTE a mando dos seus timoratos seguranças, que nunca devem ter passado por um RGA hostil na margem sul nos anos 70 ou mesmo nos anos 80 na minha Faculdade), ficamos com pessoas que parecem ter da Democracia uma concepção muito frágil e uma confiança débil na sua capacidade de resistência.

Mas entre esses – e os ai-meu-deus-que-não-há-democracia-sem-relvas – há dois tipos que eu gostaria de distinguir:

  • Na área do PSD (que no CDS ficaram caladinhos, lembrando-se do que o actual MNE fez ao comando do Indy), há os que sabem que, sem Relvas, o governo cai estrondosamente, pois o actual PM não percebe nada do que o Gaspar faz ou diz e grande parte dos ministros tem tanto respeito pelo actual PM como pelas meias que trocaram há seis meses. Sem o Relvas lá, o Governo parte-se todo porque é ele o homem da informação. Excepto um ou outro que eu acredito estar a fazer a defesa do Relvas por total convicção (talvez apenas o António Capucho), o resto é gente que tem mais medo que o governo caia e lhe escape o controle dos cordelinhos do poder do que aguentar lá um ministro completamente contaminado e tóxico. é maior o medo da “Esquerda” do que do Relvas.
  • Na área do PS de Sócrates (e em segunda linha de Seguro) a defesa de Relvas deve-se ao facto de também recearem menos o Relvas do que a necessidade de passar por uma crise, com eventual recurso a eleições, em que a Esquerda à esquerda do PS aumente de votação, impedindo um regresso ao poder a solo dos que lá estiveram antes, mais uns penduricalhos do que alguns agora querem recuperar como esquerda liberal e que não passam de um certo  social democrata bloquista que não vou nomear porque não se devem nomear as majestades majestáticas sem vénia e genuflexão. E, por isso mesmo, preferem que a coisa continue do que se imponha uma ruptura a curto prazo da governação.

Estou cínico?

Mas completamente… e com toda a justificação para o ser perante a hipocrisia táctica desta malta.