Sexta-feira, 22 de Fevereiro, 2013


Madness, Bed and Breakfast Man

Nem falo do Sporting e da inépcia do Fofinkel.

Falo do Catroga na SICN a comentar o descalabro da execução orçamental de Janeiro e do Carlos Abreu Amorim a elaborar em cima de uma cabeça de alfinete sobre o “de” e o “da” e a “alvitrar” que alguém na IN-CM terá alterado o texto da lei.

Mas o mais patético mesmo é, a propósito do Movimento Revolução Branca que interpôs as providências cautelares contra a candidatura de alguns autarcas, o brilhante democrata Amorim dizer que nos EUA um movimento com tal designação seria quase por certo proibido. Ainda estou a tentar perceber se o que ele insinuou +e mesmo o que parece… porque seria demasiado estúpido.

Ou apenas a idade vai fazendo esmorecer a memória de quem fez da humilhação dos líderes do PSD, em tempos de Sócrates, ofício jugular?

Mas não gosto de ver pessoas acossadas. Aliás, não gosto sequer de ver pessoas a serem humilhadas, menos ainda publicamente – por mais que sejam culpadas de humilhar um país e de desrespeitar a democracia e a Constituição que agora querem como mártires (!) invocar.

E, de novo, o que está em causa é a profunda falta de autoridade moral de quem fez o mesmo, já em idade bem adulta, e adentrado este milénio, sem sequer a desculpa da parvoíce adolescente.

O ex-primeiro--ministro foi convidado há já oito meses, tendo ocupado o cargo no início de Janeiro. Estreou-se numa visita ao Brasil, em que teve oportunidade de jantar com o vice-presidente da Ongoing

Vai-se percebendo que muita gente não estava contra a governação de Sócrates por ser uma má governação, mas apenas por ser uma governação alegadamente 2″ocialista” e “de Esquerda”.

Se o problema era com a “má governação”, com as previsões falhadas, a insensibilidade social e o empobrecimento do país, ó minhas amigas e meus amigos, estes que lá estão já atingiram um patamar de evidente equivalência. Pelo que deveriam existir as mesmas ganas para afastar Passos Coelho, Relvas & Gaspar quanto houve para afastar Sócrates, Silva Pereira & Teixeira dos Santos.

Mas não. Há quem pareça achar que o problema não é esse, mas sim se o governo é de “direita” ou de “esquerda”.

Enquanto criatura bastas vezes acusada de “ter feito campanha” pelo PSD e “facilitado” isto e aquilo, fico divertido perante o panorama actual…

Porque eu continuo preocupado com a “má governação”, estando-me nas tintas para a cor dela.

Que não me entusiasma a oposição segura com rabo de engenheiro&costa de fora? Claro que não!

Mas o mundo (político) não se esgota entre laranjas com laivos azuis-bebé e rosas com esta ou aquela mancha avermelhada. Mesmo se o panorama global está longe de ser animador…

Mas mais disto? De veneração pelos padrinhos estrangeiros, enquanto se lixam os concidadãos?

Eu percebo as pessoas traumatizadas por isto e aquilo, pelo passado, pelos demónios particulares, por vendettas familiares, por contas que acham que devem ser pagas. Eu próprio sei o que é ser tratado como fdp pelos kamaradas puros, mas daí a ficar ceguinho dos olhos todos vai um grande caminho.

Por isso, deixem-se de coisas e não digam que o que vos preocupa é a governação do país. No fundo, a política não era o essencial, mas sim a filiação e a cor.

Não é o meu caso.

Já desejo com a mesma intensidade a defenestração destes como outrora desejei a daqueles.

Se alguém acha que isto é ser incoerente… faxavor

Para muitas das pessoas que agora acham que o ministro Relvas foi objecto de uma tentativa fascista de silenciamento. Ele que parece mais picareta falante que o original.

Falo do caso dos generais angolanos que tentaram um processo judicial contra a editora Tinta da China por causa da publicação da obra Diamantes de Sangue de Rafael Marques.

Nesse caso, que acumulava uma tentativa objectiva de censura e silenciamento a uma ingerência externa, muitas das pessoas que no FBook, blogues, jornais e televisões se insurgem em nome da liberdade de expressão aprimoraram-se pelo silêncio.

Eu sei que o regime angolano é um híbrido político conhecido por uma certa agilização dos processos democráticos que é muito bem visto exactamente pelo ministro Relvas.

Mas, em nome da coerência, quer-me parecer que houve mesmo muita gente que perdeu uma belíssima oportunidade para demonstrar, desde esse momento, o seu amor pela liberdade, contra as tentativas fascistas de calar alguém.

A arma dos juízes

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