Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2013


Primal Screan, 2013

DescGreveJM

Exmo(a). Senhor(a) Diretor(a),

Com o aproximar do início do Concurso Nacional e dando sequência ao disposto no artigo 19º do Decreto-Lei n.º 132/2012, de 27 de junho, está disponível, no SIGRHE – https://sigrhe.dgae.mec.pt, uma funcionalidade com vista ao conhecimento das necessidades de pessoal docente dessa escola.
Para o efeito deve aceder à aplicação SIGRHE com o seu número de utilizador e palavra-chave.
No menu “concurso nacional 2013”, proceder de acordo com as orientações descritas no manual de instruções.
O prazo máximo de preenchimento deste formulário é de 4 dias úteis, até dia 22 de Fevereiro às 18h de Portugal Continental.
Assim solicitamos a colaboração no preenchimento do supra referido mapa.

Com os melhores cumprimentos,

Eng.º João Góis
Subdiretor Geral da Direção-Geral da Administração Escolar

Para a peça do Jornal de Negócios de hoje:

  1. Primeiro, peço que me aponte as falhas que identifica nas estatísticas/dados apresentados no relatório do FMI.

Existem três tipos de falhas:

a) Desactualização de alguns dados, que remetem para o ano de 2009/10, que é um ano singular por ter resultado de algumas medidas eleitoralistas de José Sócrates, que permitiram o descongelamento da carreira e aumentos da função pública acima da inflação, levando a um aumento da despesa no sector, que distorce qualquer análise que se pretenda rigorosa sobre a situação em 2013. Pelo que o valor para o peso relativo no PIB é muito acima do actual, depois de 3 anos de cortes, bastando para isso consultar os orçamentos do MEC. O mesmo para os rácios professor/aluno e o peso do docentes na população activa.

Cf.

https://educar.wordpress.com/2013/01/09/o-rigor-do-estudo-tipo-fmi-2/

2) Erros a partir dos próprios dados do relatório com vários quadros a conterem dados que não batem certo uns com os outros ou que conduzem a cálculos diferentes dos apresentados no texto.

Cf.

https://educar.wordpress.com/2013/01/09/o-rigor-do-estudo-tipo-fmi/

3) Truncagem abusiva de dados, para justificar propostas sem fundamentação empírica, sendo mais notável a proposta de expandir os contratos de associação, com base em valores completamente desactualizados.

Cf.

https://educar.wordpress.com/2013/01/09/o-essencial-da-encomenda-sobre-educacao-do-estudo-do-fmi/

  1. Mesmo que ignoremos os rácios da OCDE e façamos as contas utilizando os dados da tabela cedida pelo MEC e MF continuamos a apresentar um rácio abaixo da média da OCDE. Isto significa, na sua opinião, que temos professores a mais?

Depende da forma como analisarmos o que fazem os professores nas escolas portuguesas e nas escolas de outros países. entre nós, são “professores” todos os que trabalham com alunos, incluindo da “Educação Especial” (nos outros países há técnicos especializados), nas Bibliotecas  e em outros gabinetes de apoio aos alunos. Em Portugal isto é tudo feito por professores e explica o paradoxo entre uma dimensão média das turmas dentro da norma e depois um rácio abaixo da média.

Há professores a mais nesse sentido, a compensar muitos outros meios humanos a menos. por exemplo, se comparar o rácio de psicólogos escolares em Portugal e nos países do norte da Europa encontrará uma situação inversa.

Mas na Suécia o rácio não é assim tão diverso:
https://educar.wordpress.com/2011/11/17/professores-por-aluno-na-suecia/

  1. Como se justifica a diferença de rácios. Na Finlândia, tida como exemplo, o rácio é bastante mais alto…
Analise a composição do pessoal de uma escola finlandesa e numa portuguesa. Veja o que falta nesta, sendo compensado pela presença de “professores” que são tudo e mais alguma coisa.
Por exemplo… as Equipas de Saúde Escolar são formadas em Portugal quase em exclusivo por professores que assim surgem nas estatísticas (e foram tendo horas para esse trabalho essencial, bem como nas equipas de Educação Sexual ou no Plano Tecnológico da Educação). É assim em outros países? Não, bem como os apoios prestados aos alunos são muito mais alargados, mesmo a nível de acompanhamento médico e psicológico.
 
  1. A existência de horários zero nas escolas não é também uma prova de que há professores a mais? Admite a colocação desses professores na mobilidade especial?

A questão dos horários-zero não se coloca nesses termos por uma razão simples. Se há neste momento ainda 700 professores com horário-zero, como se explica a abertura de um concurso “extraordinário” para 600 professores? Má distribuição de pessoal? De quem é a responsabilidade da abertura dos concursos e definição das vagas e a sua localização? Do Ministério.
Para além disso, se no ano passado foi cortada a componente lectiva do currículo em 10%, isso significa que o número de professores em alegado excesso foi criado em virtude de uma decisão político-administrativa de redução de encargos e não em critérios emanados das escolas.
Por exemplo, se for em frente um modelo de ensino profissional que retira às escolas parte da formação, haverá professores em excesso apenas porque assim se deseja e porque se pretende desorçamentar a área de pessoal do MEC, passando parte do pagamento de salários para o Ministério da Economia.

A colocação na mobilidade especial não é admissível num contexto de abertura de vagas e, muito especial, com base em decisões de uma equipa ministerial e em serviços (como a DGAE) que nos últimos meses se parece ter especializado em produzir imensos disparates sob a forma de notas explicativas, esclarecimentos e mesmo sugestões de mobilidade interna com critérios sem sentido (ordem de chegada dos mails).

  1. O que significa isto de ter professores a mais? é bom ou mau? Qual é o “bom” rácio? Quem nos diz que a média da OCDE é a correcta e o facto de Portugal estar abaixo é sinal que tem professores a mais e podem ser dispensados?

A expressão “professores a mais”, como atrás lhe disse, não tem qualquer sentido, quando resulta de medidas de amputação curricular e redução de apoio a alunos. Não há “professores a mais” ou “professores a menos” em termos absolutos, mas em função do conceito de escola e de currículo que se tem.

Em certas zonas do mundo talvez possamos ter um professor para 40 alunos… porque não os há em quantidade para ter um modelo melhor.

Não há “bons” ou “maus” rácios, sem uma contextualização.
Melhor do que o rácio temos a “dimensão média” das turmas, que dá um retrato muito mais real do quotidiano de um professor que lecciona e não está num gabinete do MEC ou a fazer outro trabalho.

A padronização e homogeneização dos critérios quantitativos em matéria de Educação resulta de uma certa “transnacionalização” da Educação, como se uma sala de aula em Portugal, na Finlândia, em Singapura ou no Sudão fossem a mesma coisa.

Há que olhar cada realidade como única, mesmo se devemos procurar bons exemplos no exterior, adaptáveis à nossa realidade.

O “bom” rácio é o que obtem bons resultados. De acordo com os testes PIRLS e TIMMS de 2011 estávamos no bom caminho, quando comparados com 1995…

Agora, deixei de saber.

O que fazer a tanta areia?

Os velhos. Os velhos são uma chatice para este governo de jovens liberais com a minha idade ou mais, de permeio com tipos já com currículo de trintões. Isto para não falar nos andropáusicos teóricos da casta que parecem não ter espelhos em causa e sobre os quais vou poupar o sarcasmo, que me correria com extrema facilidade, atendendo a tudo o que se vai ouvindo e sabendo.

Concentremo-nos naqueles que, como um certo idiota, desculpem, imbecil, desculpem de novo, jovem político do PSD que tratou os idosos como sendo uma espécie de peste, insurgindo-se contra o encargo que eles são para o pobre Estado que, assim, fica menos liberto para apoiar os banqueiros não grisalhos na base do Petróleo Olex ou parecido.

Os velhos são chatos porque adoecem, porque usam o SNS, porque gostam de comprar medicamentos comparticipados, porque têm doenças crónicas, porque querem fazer análises ao sangue e ao xixi de 24 horas, porque recebem reforma após 40 anos de trabalho, porque, porque, porque, porque…

E agora há ainda os velhos precoces… aqueles que ainda trabalham e que, aos 55 ou 60 anos, ainda se sentem em condições de receber um salários, que não gostam de os ver cortados só porque o gaspar falhou outra vez as contas estocásticas, e que o ministro Relvas considera instalados e os restantes idiotas alaranjados ou azulados acham que são uns privilegiados porque têm trabalho e não dão lugar aos jovens.

Porque, como se sabe de acordo com a teoria económica do café na esquina ali do Campo Grande, os jovens só poderão sair do desemprego se os velhos desaparecerem dos locais de trabalho e, se possível, sem receberem subsídio de desemprego ou reforma.

Porque, como se sabe, a Economia funciona na base da substituição de trabalhadores nas mesmas funções e não na criação de empregos. Isso são ideias esquerdistas, do tipo-PREC, quiçá rooseveltianas.

Porque, como todos sabemos, em especial os liberais de aviário, os velhos são uma peste, conspiram contra o interesse nacional e devem ser exterminados ou abandonados à sua sorte, a menos que queiram praticar o voluntariado em troca de pão, água e uma enxerga lavada a cada bimestre. A menos que seja um catroga, pois nesse caso deixamo-lo lambuzar-se com um tacho escolhido para compensar o beicinho de não ser gaspar em vez do gaspar. Ou então se for um ulrico ou um salgado e nesse caso espera-se que seja ele a dar-nos(lhes) um tacho para se lambuzarem depois de fazerem tirocínio de secretário de estado rosélino ou ministro de vespa. Ou assessorando, ou consultando ou especializando pelos gabinetes.

Como todos sabemos, os velhos já não são o que eram quando se reformavam aos 65 e morriam logo a seguir, ali de forma estrondosa com a bendita trombose ou o adequado ataque cardíaco fulminante, abençoados que eram. Agora dignam-se viver mais uns anitos, têm esperança de vida, mas o raio é que têm catarro, gota, maleitas daquelas neurológicas e outras ortopédicas, artroses e ateroscleroses. Têm tremeliques e as famílias, mesmo dos proletas, querem cuidados paliativos como se fossem gente rica e pudessem pagar, que isto do Estado Social não é coisa para todos, pois há que pagar os desfalques do Oliveira e Costa e não mugir, ou melhor, há quem munja (o leitinho da teta gorda do Estado em subsídio) e quem muja (porque agora vais despedido e levas meio tostão de mel mal coado).

Portugal está cheio de velhos e este mundo não é para velhos. Este mundo é para jovens relvettes ou para borginhos de proveta, gente empreendedora que saca dinheiros ao Álvaro enquanto janta e que acha que a sociedade está cheia de parasitas, sendo os mais parasitas de todos esses idosos sem vergonha na cara que tanto exigem ao pobre Estado, como se só pensassem no egoísmo que é manter-se vivos.

Porque, como todos sabemos, a população portuguesa está envelhecida.

Não porque a decisão racional das famílias, perante o corte dos rendimentos e apoio à natalidade, seja racionalizar a descendência numa compreensível estratégia neo-maltusiana. Racionalizar só se for nos serviços do Estado.

Não porque o incitamento à emigração pelo pedro & miguel, a dupla sertaneja do momento, leve à redução da população jovem e em idade fértil no país, agravando ainda mais a baixa natalidade.

Claro que o envelhecimento da população é causado, única e exclusivamente, porque o raio dos velhos insistem em viver cada vez mais e em resistirem às doenças que antes – nos bons velhos tempos – os matavam que nem tordos, benzós Deus que Deus nessa altura andava mais atento na ceifa.

E depois fica aquele problema, curioso, digno de meia dúzia de teses bolonhesas de uns filhos d’algo com passeio por universidades amaricanas para verem as salas de leitura e o verdejo dos campus, que é querer, ao mesmo tempo, que as pessoas se reformem mais tarde, para alargar a carreira contributiva, enquanto dão lugar aos mais novos, abdicando do seu vergonhoso privilégio de trabalhar, para combater o desemprego jovem.

A solução para isto passa, claro, por um guião para a juventude saber ser jovem e ir para a ingricultura (a Cristas, coitada, não percebe da poda, só do resto) ou quiçá para a pesca à linha.

Que, feito a mando do ministro Relvas, é o equivalente (com certificado) ao pior dos sketches dos Malucos do Riso. Ou à tirada mais clearasil dos morangos açucarados.

Porque com o Relvas a guiar, já sabemos, é meio caminho para o despachanço….

… ou não.

Este homem, em definitivo, não se enxerga…

Acabaram-se os assuntos do costume, desatou a hiperactivar sobre tudo e nada…

Relvas: Governo vai ter guião para as políticas da juventude

CAMA

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