Sábado, 2 de Fevereiro, 2013


Terence Trent D’Arby, Wishing Well

Michael Gove advisers face claims of smear tactics against foes

Fears that official guidelines have been broken as it emerges that DfE duo were warned over Twitter attack in 2011.

Are dark arts spinning out of control in Michael Gove’s department?

When the Observer’s political editor, Toby Helm, wrote a story last week about school sports he was attacked by a Twitter account linked to the Conservative party. The account has raised concerns within the party – yet the vicious attacks go on.

A diferença é que por cá há alianças de ocasião entre cores quentes.

… mas quem perde com eles três vezes, com três treinadores diferentes, em poucos meses, é equipa para lutar com dificuldade pela manutenção.

O resto serão desculpas que não me interessam.

Ao menos tenho uma coisa a agradecer ao ministro Relvas no seu esforço por destruir a RTP… poupou-me a ver esta miséria na televisão generalista.

Acima da média?

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Reparemos agora num aspecto curioso e que passa pela forma de reagir em tempos de crise. Seleccionei três países com uma dimensão média, equiparável à de Portugal em alguns aspectos, mas também pelas suas características próprias: a Bélgica e a Holanda por serem dos faróis em movimento de um lobby específico a actuar na área da Educação em Portugal (e por serem, de formas diversas, países com alguma instabilidade política recente) e a Irlanda por ter entrado numa situação de resgate financeiro como Portugal e ser um exemplo de alegado sucesso na recuperação.

O que encontramos?

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Todos passaram a aumentar o seu investimento em Educação a partir de 2007. A Bélgica a um nível sempre muito  superior a Portugal desde 1970, a Holanda em subida desde final do século XX( após um curto período de tempo com valores abaixo dos nossos) e a Irlanda como com uma aposta na Educação bem visível em contra-ciclo com a Economia. Portugal era o único país em situação de desinvestimento nesta altura, ainda antes da brutal contracção vivida desde 2010.

Querem importar bons exemplos lá de fora? Então informem com rigor.

Há quem diga que o nosso investimento em Educação é pouco eficaz, porque investimos acima da média e tal, mais do que outros países e etc e tal. Eu sei que se podem fazer outras comparações, mas esta atrai-me porque – e fazem bem – gostam de fazer o contraponto entre Portugal e os melhores em termos de desempenho.

O que escondem?

A evolução a médio-longo prazo do investimento, ocultando que se actualmente estamos próximos dos que investem acima da média andámos muito abaixo da média até há bem pouco tempo.

Os dados são do Banco Mundial e podem arranjar-se muitas mais comparações aqui:

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Ou os direitos adquiridos são só para o peixe graúdo?

Porque é interessante ver o regateio de indemnizações de centenas ou alguns milhares de euros a professores contratados enquanto se entregam milhões, a pedido, sem protesto algum.

Estado já pagou mais de 12 milhões em indemnizações

Pequeno artigo ao lado de duas páginas, as centrais, dedicadas à Educação. Há por lá diversas opiniões, porque todos têm direito a elas, mesmo se delas possa discordar. Mas a função de editor convidado não é cortar ou silenciar. Para isso há especialistas.

Factos contra os Cortes

 O discurso político apresenta como inevitáveis cortes profundos no que designam como “Estado Social”, sendo que uma das áreas mais sacrificadas é a da Educação. Para além dos já feitos apresentam-se como indispensáveis mais cortes, em virtude da crise orçamental, do alegado fraco desempenho do sistema educativo e dos investimentos já feitos, que se afirmam “acima da média” internacional.

A minha posição é clara: a inevitabilidade de tais cortes é falsa, os seus fundamentos empíricos não existem, tratando-se de uma mera opção político-ideológica que esquece a evolução da Educação nos últimos 100 anos, o enorme atraso em que estávamos há poucas décadas, os ganhos conseguidos em pouco tempo mas também que esses ganhos, recentes e pouco consolidados em termos geracionais, podem ser destruídos com uma intervenção desastrada e negligente.

Na publicação The growth of literacy in historic perspective: (Unesco, 2005) traça-se a evolução da literacia na Europa, apontando-se Portugal como o único país, a par da Albânia, Malta ou Chipre, que em meados do século XX ainda apresentava níveis a rondar os 50%, valor ultrapassado na generalidade da Europa cerca de 1900. A partir dos dados da Pordata verifica-se que entre nós o investimento em Educação só ultrapassou os 3% do PIB após 1980 e os 4% em 1991, mantendo-se abaixo dos 5% desde então com excepção de 2002. Portugal viveu os últimos séculos em situação de maior ou menor aflição económica e nunca em clima de verdadeira prosperidade. O que em parte fez com que se enunciasse a Educação como prioridade retórica, mas só excepcionalmente com uma verdadeira dimensão prática.

Alguns analistas da relação de longa duração entre crescimento económico e investimento na Educação verificaram que em alguns dos países mais industrializados os maiores investimentos em Educação até meados do século XX aconteceram nos momentos de maior crise económica, sendo isso encarado como uma «racionalidade correctora dos bloqueios do crescimento em fase de depressão» (Sandrine Michel, Éducation et Croissance Économique en Longue Période, Paris, 1999, p. 18). O que permitiu que na segunda metade do século XX crescimento económico e investimento no sistema educativo evoluíssem de forma paralela.

Em Portugal nunca passámos por fases de investimento em contra-ciclo e após um curtíssimo período que se acusa ser “acima da média” pretendem-se agravar cortes brutais com o pretexto da eficácia do investimento. O que induz em erro pois se há fenómeno mensurável com facilidade é o do aumento das qualificações académicas da população, mesmo excluindo as ocasionais certificações massivas.

O mais grave é que uma opção política errada e pela qual ninguém responderá em tempo útil, pode arruinar os ganhos alcançados com muito esforço por quem está nas escolas: alunos, famílias, funcionários e professores.

Quando soube da notícia do ocorrido na escola Óscar Lopes de Matosinhos e pelo que conheço dessa comunidade, fiquei em silêncio…. Meu cérebro conversava comigo próprio imaginando o panorama de terror e a mais uma ocorrência que a todo o custo a “escola” tentou mais uma vez resolver.

Imagino o segurança, no exercício das suas funções transportar um tresloucado para um lugar onde pudesse ficar mais calmo, onde pudesse ser novamente chamado à razão, e mais uma vez se incutissem os pensamentos mais sadios à convivência humana, mais do que por vezes cumprirem as normas escolares. Destaco “normas” pois que não são leis e mesmos os decretos caem por terra quando: … coitado do aluno, tem problemas, vive numa comunidade com problemas… o professor exaltou-se e vai ter um processo. Desta vez o único exaltado foi o aluno e a contenção do segurança, perante o cenário vivido e conseguir manter a calma e acima de tudo a segurança geral, terão levado a este fatídico desfecho.

Lembro e registo o tempo que passei nesta escola. Professores a viver a sua profissão de “educadores” a 500%, funcionários que nunca viraram a cara e comparticipavam no controlo geral, e, acima de tudo, uma direção sempre e constantemente pronta para interromper qualquer assunto e de imediato tomar conta das ocorrências diárias, digo diárias e numerosas, ou melhor, diárias, numerosas e constantes. Tive a sorte de conviver com uma comunidade sempre preocupada com a sua profissão, como muitos outros, dirão, mas muito diferentes com a preocupação constante de acima de tudo darem testemunho, darem opiniões, prestarem-se para serviços disciplinares e de apoio, com uma entrega considerada mais do que de “família”. Quantas vezes comentamos a nossa entrega e capacidade para resolver tudo pela calma, gastando e abusando do nosso tempo escolar, sentindo que algo melhor poderia um dia acontecer. E aconteceu. Houve alunos que mudaram, que melhoraram, que passaram a ser nossos grandes amigos, e que nos deram grande alegria, mais do que com o seu eventual sucesso escolar. Para o resto, fica apenas o nosso modo de sentir a profissão, onde o verdadeiro “ensino” assenta, que não é pago, contabilizado sequer, nem conta para os rankings. Perdoem-me insistir, mas guardo na memória o interesse, a luta e a busca constante de soluções para a indisciplina, o abandono, a rebeldia, a arrogância, e a pior de todas: a violência. Uns estatutos novos e os problemas reais são sempre os mesmos.

Quanto aos seguranças da escola também quero registar, do tempo que com eles convivi, o seu assumido e perfeito cumprimento das obrigações. Sem eles alguns problemas teriam sido piores, sempre atentos, e que acima de tudo comparticipavam para o bom ambiente escolar, mais do que com a catalogação de “seguranças”. Amigos dos que o mereciam, conselheiros e avisadores aos alunos algo preocupantes, prontos e presentes nas situações mais complicadas.

Sinto que a morte trouxe algum desmoronar àquilo porque sempre se quis lutar e melhorar.

Endereço o meu sentido apoio e pesar. O que poderá mais um dia vir a acontecer…?

Custódio Ferreira

 

Chegada por mail:

Carta Aberta

Ilustres, somos encarregados de educação de uma aluna da Escola Óscar Lopes, que recentemente foi alvo de um acontecimento com fins trágicos para um funcionário. Apuramos junto de pessoas que estiveram diretamente envolvidas, factos contrários ao que alguns órgãos de comunicação social anunciaram através das declarações de alguns elementos da autarquia e da DREN. Não sabemos os motivos das suas declarações, mas também não é essa a razão que nos leva a redigir esta carta.

São dois pontos apenas, que gostaríamos de enunciar e que vos levasse à reflexão.

O primeiro e como pais atentos, envolvidos e motivados com o sucesso escolar da nossa filha, estamos preocupados e alarmados com os últimos desenvolvimentos comportamentais inadequados dos alunos. Gostaríamos de salientar que os mesmos, já ocorriam no ano letivo anterior e no nosso parecer, as medidas aplicadas com sucesso, pecavam por tardias. No decorrer deste ano, fomos convidados algumas vezes pelo pessoal docente, a participar e colaborar em medidas e estratégias de combate, ao mau comportamento dos alunos na sala de aula. Constatamos, que havia uma enorme vontade e necessidade por parte do pessoal docente, em motivar alunos referenciados como desestabilizadores, para a participação na vida escolar, deforma a poderem atingir os seus objetivos e não prejudicar os outros. Verificamos que muito tem sido feito, mas é insuficiente e pouco eficaz. Sabemos também, que são processos que tem seguir trâmites legais e a parte burocrática passa por um sistema na sua maioria moroso. Mas gostaríamos de deixar um alerta. Sejam mais proactivos na resolução de problemas deste género e menos condescendentes com quem tem direito à educação, mas que nada faz para a merecer e que por sua vez impede os outros de beneficiar dela. Não são decisões fáceis, porque ninguém as quer nem gosta de tomar. Mas são decisões justas, que podem prevenir e impedir no futuro, males maiores que já foi notícia e com fim trágico para muitas famílias. Contudo, estaremos atentos aos próximos desenvolvimentos e sempre disponíveis a colaborar com todos.

O segundo e último ponto, tem como referencia a decisão da DREN comunicar à Comissão Executiva da escola que hoje seria um dia normal de trabalho. É óbvio que esta decisão não caiu bem no corpo docente e não docente. E nós estamos solidários com eles, pois não há condições de trabalhar, apôs um acontecimento desta natureza. Queremos todos fazer o luto a um funcionário que sempre desempenhou bem as suas funções em serviço e em prol do mais nobre projeto que todo cidadão tem direito. Mas para além disso havia um homem de família que fazia parte de muitas outras e da minha. Será que não há um pouco de bom senso, solidariedade e de alguma coragem?

Paz eterna ao Sr. CORREIA.

Remodela

(c) Luís Rosa