Não tenho ilusões quanto à capacidade da Educação contrariar uma série de handicaps sociais e servir de alavanca para a promoção social, económica, política ou outra.

Basta vermos como as nossas alegadas elites se formam. As parlamentares e executivas raramente se notabilizaram por feitos académicos ou por um exemplar percurso escolar. Aliás, fazem gala do contrário e em muitos casos apenas buscaram certificação. No meio deste deserto, Santana Lopes faz o papel de excelente aluno com o seu registo académico. Basta ler os debates parlamentares de final de Oitocentos e início de Novecentos para identificarmos a maior parte dos apelidos que agora se conhecem, mesmo numa segunda linha de sombra da governação e legislação. Uns com mais pergaminhos no tradicionalismo monárquico, outros mais na base do republicanismo maçónico, não esquecendo ainda a parcela razoável de adesivos de última (ou primeira?) hora.

O mesmo para os apelidos dos grandes empresários, em particular dos santos & ulricos. Todos vêm de longe.

Dos dois lados se acha que Portugal é deles. Num caso por razões de linhagem distante e entretecida com os braganças ou mesmo afonsinos, no outro porque sentem ter sido eles que salvaram a Pátria quando estava moribunda, mesmo se moribunda vai continuando.

Raramente chegaram onde chegaram com base no trampolim social da Educação. Vale muito mais uma carreirinha de jota que um ajoujado currículo académico, assim como é muito mais relevante o contacto entre apelidos do que uma descoberta científica sem paralelo. A esses marrões e armados em génios recomendam os governantes de ocasião que emigrem, porque este não é um país para eles.

Por inovadores e empreendedores entende-se outra coisa: filhos de algo com ideias para sacar dinheiro ao Estrado ou à Europa em nome do liberalismo. Mas chamam privilegiados a desempregados, utentes do SNS e aposentados da função pública.

Não vale a pena iludir-mo-nos, porque a Educação não tem força para compensar nada disso. Apenas em casos singulares e não generalizáveis, permite mais do que subir um pouco acima da geração anterior ou da dos avós.

Mas… ainda pode servir para isso. Só que a ocasional aliança entre herdeiros e chicos-espertos está a fazer tudo o que pode para mesmo essa pequena esperança ser cortada, desde piquininos.

Volto a dizer que erram todos aqueles que encontram no Pedro muitos traços do António. O Pedro foi elevado aos ombros da tal aliança da chico-espertice com os pergaminhos dinásticos e não sobreviveria sem o miguel ou o ricardo do seu lado. O António soube aproveitar-se deles todos e manteve-os sob apertado controle. Mas antes disso tinha um percurso académico, prestígio intelectual, mesmo que discordemos das suas ideias.

Talvez o que os una seja apenas uma forma de promoção do imobilismo social. Um em nome de uma desejada Ordem, o outro em nome de… de… saberá ele mesmo?

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