São três coisas diferentes, embora sejam objecto de apropriações instrumentais.

Para mim seria tudo muito claro, caso se assumissem as seguintes definições:

  • Horário lectivo – horário de aulas com os alunos, incluindo apoios e DT.
  • Horário na Escola – horário que inclui o lectivo e o de outras funções que só podem ser desempenhadas na escola (em especial horário para reuniões e cargos não relacionados com o trabalho com alunos).
  • Horário de trabalho – horário total de um professor.

As tão polémicas reduções da componente lectiva deveriam ter critérios não apenas de (antigu)idade, mas igualmente resultantes das condições concretas de trabalho. Os primeiros devem ser fixos e assumidos sem rebuço com base no desgaste específico da profissão (quem critica isto, experimente a profissão uns anos), enquanto os segundos devem ser variáveis, dependendo ano a ano) do número de alunos, turmas, níveis e disciplinas que cada docente leccione.

É muito diferente ter 3 turmas com uma só disciplina ou ter 10 (basta pensar em corrigir 75-80 testes ou 250-300) ou 5 ou 6 distribuídas por várias disciplinas do currículo regular ou de cursos profissionais, para os quais é preciso produzir materiais específicos.

Um professor com 30 anos e 10 turmas merece redução como um de 50 e apenas 4 turmas. Ou um professor que leccione 5 turmas de 3 anos diferentes de escolaridade e 3 disciplinas diferentes e quem leccione 5 turmas de uma única disciplina, mesmo tendo a mesma idade, devem ter uma diferenciação de tratamento que não passa por mais ou menos 45 minutos.

Enquanto se optar por soluções padronizadas e por igual temos todo o campo aberto para injustiças.

O liberalismo, a igualdade, não se define(m) na base do meio frango para todos, do bebé ao atleta de competição. Cada um tem necessidades específicas.