Sábado, 19 de Janeiro, 2013


Bruce Springsteen, Pay Me My Money Down

The impact of poverty on young children’s experience of school

Radical deregulatory reforms are intuitively appealing, and may produce important long-term benefits that increase levels of parental satisfaction with the schooling system. However, it is important to note that they are very risky since some ‘innovations’ would necessarily fail. Therefore, to enable market-based reforms to work in England, society would have to come to terms with greater levels of school failure than exist under a tightly regulated system. And policy makers would need to work to ensure that critical regulatory measures are in place to ensure that the life chances are not damaged for children who happen to find themselves in failing schools.

Porque a Educação não paira sobre o resto:

The Impact of Fathers’ Job Loss during the 1980s Recession on their Child’s Educational Attainment and Labour Market Outcomes

… até porque cá os que não tiverem o dinheiro para entrar, se calhar também não o têm para processar.

Oxford college sued over using ‘selection by wealth’ for admissions

Student takes St Hugh’s to court after after being rejected for not having access to £21,000 for tuition fees and living costs.

… só não vos quero assustar. Há gente demasiado alucinada em pontos estratégicos… que usa todos os pretextos bonitos para fazer coisas feias.

Era impossível acontecer pior à secundária Vergílio Ferreira, dizem pais

Seguro quer que os portugueses voltem a acreditar na política e nos políticos

Eu cá confio imenso no Álvaro Carlos Beleza Zorrinho.

A ideia perigosa da excelência

O último concurso para financiamento de projectos científicos teve uma novidade: a classificação de “excelente” deixou de ser o topo. Agora existem duas mais altas: “marcante” ou “notável” e “excepcional”. Tal inovação não passa de uma forma desonesta de mascarar a austeridade.

(…)

O problema será quando um aluno, também ele excepcional, tentar encontrar na sua universidade um grupo com o qual queira travar um primeiro contacto com a investigação e não conseguir. Não porque o que quer é demasiado específico, mas porque aquela área do conhecimento foi reduzida a um único super-mega-espectacular centro de investigação na outra ponta do país fora do seu alcance naquela fase da sua formação. Os seus professores deixaram de fazer investigação porque não eram “excepcionais” e certamente foi este aluno e os colegas quem mais perdeu com isso.

Mas afinal temos um governo eleito pelos portugueses ou nomeado por burrocratas lá de fora?

Eu sei, não vale a pena responder.

O Governo tem até Junho deste ano para alterar a lei da Mobilidade Especial de forma a incluir os professores e os profissionais do sector da Saúde, que estão isentos destas regras aplicadas a toda a Função Pública.

Chega a ser deprimente a transparência como a agenda mediática se presta aos interesses de certos vultos quando o vento fica adverso. À revelação de falhas de memória sucedem-se entrevistas antológicas. A confirmações de condenações seguem-se anúncios de novos recursos. Só não dei pela reacção daquel’outro arguido.

Em texto de Marçal Grilo e Oliveira Martins no Expresso de hoje sobre os resultados nos testes PIRLS e TIMMS:

Os resultados ilustram uma evolução significativa que se deve em primeiro lugar ao empenhamento, esforço, e profissionalismo de muitos professores que nas escolas assumiram como prioridade fazer com que os alunos aprendam e progridam nos conhecimentos adquiridos.

(…)

Em Educação a tarefa nunca está concluída. São sempre necessárias políticas que melhorem a qualidade do ensino praticado e da aprendizagem. Portugal sairá da crise, recusando a mediocridade e dando à educação, à cultura e à ciência a prioridade que exigem. O país está cansado dos discursos sem consistência que nos debilitam e nos tiram a esperança.Ninguém pode viver sem esperança e sem ânimo para o dia de amanhã.

Em complemento ler, no Público, o testemunho de quatro professores que optaram pela aposentação antecipada, com elevados cortes remuneratórios, exactamente porque sentiram essa falta de ânimo por lhes ter vindo a ser continuamente roubada a esperança d(n)o exercício da sua profissão no dia de amanhã.

Pub19Jan13

O debate anda aceso, mas prisioneiro de preconceitos sobre mudança e imobilismo, sobre liberdade e outras coisas que são nomeadas como opróbrios.

Mais grave, o debate anda a ser feito sobre bases empíricas truncadas, distorcidas, ao mesmo tempo que se apresenta como imperativo algo que não se demonstra e se enunciam necessidades absolutas que se fundamentam com base no preconceito.

A mudança está de novo a pairar sobre a Educação com maior intensidade, em nome de uma mudança de paradigma quando nem sequer conseguimos ainda fixar com rigor qual se quer destruir, exactamente porque se falseia a sua caracterização.

Perante tudo isto :

  • Não posso concordar com propostas baseadas em escassa fundamentação empírica e com truncagem de dados sobre aspectos fundamentais. Sabemos agora que o relatório do FMI ainda foi mais adulterado do que se pensava. Os dados usados no debate em curso e apresentados à opinião pública são semelhantes aos do relatório, para pior.
  • Considero que o sistema de ensino não-superior e superior em Portugal melhorou muito nos últimos 15 anos e que esses sinais são claros. Apesar de insatisfatórios, os testes PISA 2009 já trouxeram melhorias em relação aos anteriores e os resultados dos PIRLS e TIMMS de 2011 são claros. Afinal, o mito da “má escola publica” começa a cair e não são os rankings internos que o desmentem, pois apenas sublinham que as escolas privadas exclusivistas e não inclusivas conseguem melhores resultados.
  • Os exemplos externos que são fornecidos como “faróis” são ilusórios, apresentados de forma parcial ou com base em realidades culturais completamente diversas (casos dos países do extremo oriente). Para casos mais próximos do nosso, oculta-se que o financiamento por aluno deu maus resultados na Suécia, que na Holanda as escolas privadas não podem gerar lucros para os stakeholders e que nos EUA o desempenho global das charters é inferior ao das escolas tradicionais. E isto não é recorrer a detalhes para denegrir seja o que for, essa é a estratégia dos que, de forma ligeira, acusam as escolas públicas portuguesas de má qualidade, com base nas suas mitigadas experiências pessoais como professores ocasionais ou virtuais encarregados de educação.
  • Perante este cenário considero que mudar de novo, querer novamente reconfigurar elementos fundamentais do sistema de ensino, quando sabemos de fonte segura e não por relatórios encomendados e cozinhados a várias mãos, que está a dar bons resultados, é algo que só trará perturbação em troca de muito pouco de interesse para os alunos, visto que o recurso ao conceito de “liberdade” esbarra com condicionantes que já expus há algum tempo, em outros escritos, de forma que considero bem clara.
  • Só posso defender que qualquer “mudança” seja feita, nesta matéria e de uma vez por todas, com segurança quanto à fiabilidade do caminho a percorrer e mobilizando positivamente os seus executantes no terreno, em vez de os amesquinhar publicamente de modo sistemático, apresentando-os como privilegiados, acomodados e maus profissionais. Não posso ainda aceitar que por “mudança” se entenda mudança dos fluxos financeiros do orçamento do MEC, com o argumento do “preço” mais baixo.
  • Só posso aceitar que a mudança signifique um reforço da dimensão humana da Educação, da proximidade, do seu recentramento na sala de aula, em que as decisões sejam de tipo partilhado e não hierárquico e em que a responsabilização seja geral e não apenas unidireccional, cabendo sempre o ónus da prova por via da avaliação dos eu desempenho aos mesmos (os executores), enquanto quem promove a permanente mudança escapam sempre ao escrutínio das suas decisões.
  • E só posso aceitar que uma “mudança” radical na forma de funcionamento do sistema educativo (mesmo se partes dessa engrenagem já estão instaladas no terreno há um punhado de anos) se faça integrada numa política global de desenvolvimento do país que dê sentido a um projecto que mobilize a população para uma mudança que não passe pelo ideal da mediocridade da maioria para alimento da excelência de um estreitíssima minoria.

Obrigado!

umbigo 30000000

(c) Maurício Brito

Há quem ainda esteja convencid@ de que aquilo que digo, no plano das ideias ou no campo restrito da “política”, é diferente do que penso em privado e que os meus actos são ditados por uma agenda pessoal, em que o desempenho público é instrumental para atingir algo que me beneficie pessoalmente.

É um equívoco partilhado ainda por muita gente, dos “puros da luta” aos “puros do lobby”, passando mesmo por pessoas que, apesar de mais próximas, desentendem que alguém apareça a agir e falar sem um intuito ou suporte disfarçado, não compreendendo que em tempos eu admiti apenas pertencer ao MIM – Movimento Individual Minimal, numa opção umbiguista de desconfiança radical em relação à forma de fuincionamento dos colectivos.

A sério, se em termos pessoais posso ter mais do que uma faceta e do que um registo, na dimensão pública (à minha escala, nada de confusões) o que escrevo ou digo não visa ser o trampolim para um cargo de assessor (já estou velho para servir de bóbi acenador), consultor (não pagam assim tanto) ou outra coisa teoricamente mais sonante (não quero regredir assim tanto na carreira e não me apetece ir emagrecer pró ginásio para caber melhor nos fatos e nas fotos qual rangel ou amorim).

Quanto ao protagonismo, desculpem lá mas o meu ego já tem quase 100 quilos, não preciso disso para viver.

Sou professor por opção assumida e, por acaso, orgulho-me disso, mesmo se a dedicação nem sempre é exclusiva, porque a História foi a primeira tentação… e a essa eu cedo quando posso.

Um estudo da Universidade do Porto, já uma vez abordado no DN e ontem analisado no Público parece confirmar alguns dos meus (pre)conceitos em relação à forma como funcionam as diferentes lógicas das escolas públicas e privadas na preparação dos alunos no final do Secundário.

O estudo afirma que os alunos das escolas privadas têm maior facilidade em aceder aos cursos desejados e de topo mas nque, chegados lá, têm um desempenho comparativamente pior.

O que eu poderia resumir, de forma por certo simplista, mas mesmo assim mais fundamentada e justa do que muito do que leio sobre alegadas excelências, que as escolas privadas de topo se concentram mais em prepara e facilitar o acesso, enquanto as públicas se ocupam mais na preparação para o desempenho.

Daqui poderia partir para uma teoria mais alargada sobre a própria lógica das mentalidades associadas a cada um dos universos. Como há aqueles que sabem que, tendo acesso, o resto acabará por acontecer, enquanto há outros que sabem que o acesso não lhes garante nada de certo e precisam de demonstrar a sua qualidde através do desempenho continuado.

Mas é melhor guardar tal teorização – que confirmo sentir eivada de alguns (pre)conceitos pessoais – alargada para outro momento, com maior fundamentação.

Pub18Jan13

Público, 18 de Janeiro de 2013

PSP utiliza gás pimenta em alunos que protestavam contra a agregação da escola, Braga.

 

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