Terça-feira, 15 de Janeiro, 2013


Buddy Guy, Hoochie Coochie Man

Agora não tenho tempo para explicar. Apenas uma ideia que não disse lá dentro, por falta de tempo, mas depois com algumas jornalistas. Porque não aumentar as receitas próprias das escolas – sem entrar nos casamentos e baptizados propostos em tempos de MLR – com parcerias que permitam benefícios fiscais aos mecenas?

Sem que isso servisse para justificar cortes.

Não gostam tanto dos exemplos americanos?

…ler a blogosfera socratista (e naturalmente algumas bengalas bloquistas) a clamar contra exercícios de controle da informação. Então a câncio a arrepelar-se depois de sabermos o que o engenheiro fazia nesta matéria, com a activa colaboração de corporativos, abrantes e jugulares é patético.

Confesso que cheguei depois da abertura e das cortesias e salamaleques iniciais. Fui ali ao Palladium comprar revistas e só entrei quando estava a arrancar a 1ª sessão e os cameramen a sair.

Não tive lugar sentadinho e fiquei ali encostado a uma ombreira e ouvir o painel inicial, enquanto havia um corropio de assessores para cá e para lá, mais uns senhores que eu deveria reconhecer agarrados aos bichinhos tecnológicos como se não soubessem viver sem…

Vou fazer uma curtíssima síntese pessoal do que ouvi e achei mais relevante.

Vitor Bento – fez o discurso do costume, que não há dinheiro para este nível de gastos, que temos disto e daquilo, que há 30 anos aumentamos a dívida pública, etc, etc. Já ouvimos isto tudo não sei quantas vezes, a ele e outros. De tudo… retenho a parte em que ele admitiu não estar consensualizada a crença na doença, pelo que nenhum remédio é bem aceite, dando a entender que muita gente é um bocado dura de entendimento para aquela que ele acha ser a Verdade única. Depois deu um exemplo sobre a obesidade e tal, se o obeso não se convence a fazer uma dieta, nunca se curará. Apeteceu-me dizer-lhe que há obesos e obesos e que alguns, depois da dieta, ficam menos saudáveis do que antes… Só para prolongar a má metáfora.

Oliveira Martins – intervenção muito bem estruturada mesmo em termos históricos. Chamou a atenção para a necessidade de produzir riqueza, assim como para a necessidade de dar voz à sociedade. Muito interessante quando relembrou as causas mais imediatas da Restauração em 1640… os impostos injustos lançados por Olivares e o desrespeito pela “constituição” da altura, contratualizado por Filipe II de Espanha quando se tornou rei de Portugal.

Gomes Canotilho – falou de múltiplas definições ou qualificações de Estado e embrenhou-se num discurso um pouco enrolado, de que se pode salientar o facto de ter chamado a atenção para o facto de o maior investimento ou activo de um país ser a sua inteligência e capacidade de investigação.

Vim mexericar qb para o corredor cá fora, quando a audiência se preparava para intervir, incluindo “um cidadão” que não queria que lhe fixassem a imagem de forma alguma.

Foto1307

 

SP_A0206SP_A0207SP_A0208SP_A0210

Pois… entrámos, mas também estivemos cá fora.

“Corremos o risco de destruir os resultados alcançados”

No debate sobre o futuro da Educação, ouviram-se críticas ao “planeamento central soviético” que persiste no setor.

“Agora que se começam a ver resultados na Educação, fruto do investimento a médio e longo prazo, há o risco de se estar a discutir os cortes que podem destruir esses avanços”. O alerta foi deixado por Paulo Guinote, professor do ensino básico e autor do blogue Educação do Meu Umbigo, durante o painel dedicado ao setor, no âmbito da conferência “Um Estado para a sociedade”, organizada a pedido do primeiro-ministro.

Os resultados mais recentes nos estudos internacionais de literacia, matemática e ciências mostram uma melhoria inequívoca do desempenho dos alunos portugueses. “Não sei se foi um ministro, um secretário de Estado ou uma portaria que ajudaram a este desempenho”, ressalvou Guinote. Mas o investimento na Educação, durante anos acima da média dos países da União Europeia e que em 2010 atingiu os 6,5% do PIB, terá contribuído.

Só que este é um valor, tal como outros números referidos no relatório do FMI que apresenta um conjunto de propostas para o corte nas despesas do Estado, que já não correspondem à realidade. “Eu peço desculpa ao senhor secretário de Estado (Carlos Moedas, presente no debate) mas o relatório do FMI, na área da Educação, está mal feito. Os números não batem certo”, declarou o professor.

Paulo Guinote referia-se à questão da despesa da educação em relação ao PIB – o relatório apresenta dados de 2010 mas sem referir que, desde então, o valor não parou de cair e está agora nos 4% – mas também aos dados escolhidos para mostrar a ineficiência do sistema em termos de resultados. Por exemplo, o estudo do PISA apresentado no relatório refere-se a 2009, quando há dados de 2012, os tais que mostram uma melhoria dos resultados, disponíveis desde setembro do ano passado.

Mais recentemente, outros estudos como o TIMMS e o PIRLS também mostraram uma subida.

A polémica em torno dos indicadores utilizados levou Sofia Galvão, ex-dirigente do PSD e organizadora da conferência que decorre hoje e amanhã, no Palácio Foz, em Lisboa, a esclarecer que foram utilizados os “dados oficiais publicados” mas que “será feita uma atualização”.

Não levei texto preparado e falei a partir do que penso e do que ouvi antes, pelo que o melhor é ficar pelo registo de quem ouviu. Nesta peça aparecem declarações sobre Educação de alguém que não falou na sessão, pelo que não se tratou de um diálogo.

Já Paulo Guinote faz notar que a educação «sofreu cortes muito elevados nos últimos anos. Claro que é sempre possível cortar mais, mas isso tem reflexos no serviço prestado com consequências mais gravosas a prazo. Já se cortaram subsídios aos professores e funcionários, fizeram-se megagrupamentos sem sentido, cortes nas despesas de funcionamento e na carga horária aos alunos. Estamos no funcionamento básico, só falta mandar alunos para casa e fazer tele-escola».

(…)

Paulo Guinote dá o exemplo da injeção de capital no Banif feita pelo Estado para dizer que «esses 1,1 mil milhões de euros são os cortes que se antecipam para a educação. Isso deve ser assumido como opção política». O setor financeiro ajudado pelo Estado e as despesas de funcionamento das PPP é que «aumentaram muito a dívida pública e causaram uma enorme derrapagem orçamental». Por isso, é aí que se deve cortar primeiro. «E há uma margem enorme para cortes».

Página seguinte »