Tenho evitado falar da aposentação precoce da fotogénica presidente da Câmara do município em que resido (sim, deve ser dos poucos boletins municipais em que vale a pena ter 32 fotos d@ edil) , aos 47 ou 48 anos (as fontes divergem), com perto de 2000 euros.

A razão porque evitei não passa pela fotogenia mas por causa da total hipocrisia do PCP nesta matéria, que remete o seu desacordo sobre este tipo de situações para uma posição tomada em 2005.

Ora… que eu me lembre… o presidente da câmara da Moita (concelho onde residi 33 anos e exerço a docência), ex-professor, pediu a sua aposentação aos 49 anos, antes das eleições de 2009, nos mesmos termos, vendo-a concedida milagrosamente no mês a seguir à sua reeleição (e em montante bem acima desta de Ana Teresa Vicente), sem que isso fosse conhecido na campanha eleitoral, e o PCP nem abriu pio, aliás porque o próprio presidente da Assembleia Municipal, também professor, fez exactamente a mesma coisa, só que com mais uns aninhos de vida e serviço.

Aliás, bastará falar nisto e o mafarrico vargas – outro aposentado precoce – aparecerá por aí a ofender-me abundantemente, não negando os factos mas usando do argumento burguês de “era legal e os outros também fizeram”, que é a justificação que eu ouço sempre que falo nisto com camaradas.

Vamos ser sinceros… anda tudo a tentar desenrascar-se no meio do desvario e, neste particular, as danças de cadeiras começam a ter os seus limites e obrigam a que, bem cedo, a velhice se acautele.

E eu acho bem, até poderei invejar. O que custa a aceitar é que se armem em reservas morais e éticas da sociedade. E tal como aqui os defendi das acusações parvas de despedimentos há coisa de uma semana, agora não tenho problemas em dizer que estas práticas só demonstram que o interesse individual se sobrepõe, sem rebuço, às proclamações do colectivo.

Anúncios