Sábado, 12 de Janeiro, 2013


Linkin Park, Burn It Down

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NÃO ABDICAR DAS REDUÇÕES!

 

Uma das formas mais seguras para se saber o que vale o que alguém pensa ou propõe sobre a sociedade é analisar o que diz sobre a Educação.

À luz deste simples exercício, percebemos a terrível leviandade e vacuidade que paira na cabeça de quem supostamente nos dirige e informa.

Em particular, a argumentação usada para pôr em causa as reduções ao abrigo do artigo 79º do ECD revela uma lamentável mistura de ignorância crassa sobre o que é ensinar com a má-fé do ressentimento e da inveja.

Ignorância crassa, desde logo, porque crê que ensinar, afinal, não passa de uma simples actividade de expediente burocrático, em que o que conta é a simples soma de coisas que se fazem num dado período de tempo; logo, quanto mais tempo se estiver a fazê-las, quanto mais foram feitas, mais resultados se conseguem e aparecem (mais “produtividade”, como supõem os néscios).

Acontece, todavia, que ensinar é uma actividade que remete para a ordem humana do espiritual, é um trabalho fundamentalmente intelectual. E quem o exerce, para saber e poder exercê-lo, tem que ser também uma pessoa que cultiva (em todos os seus sentidos) o espírito, e que constitui a base imprescindível desse trabalho – coisa que muita gente não alcança, e percebe-se porquê… -, cuja natureza é imaterial.

O que significa que um professor, para estar à altura do seu magistério, terá que ter tempo para investigar, para se actualizar, para se informar e, depois, como o trabalho intelectual é da ordem da qualidade, para ser profícuo, terá que ter também condições de disponibildade mental – o que é incompatível com o desgaste de sobrecargas horárias, que se agrava notoriamente com a idade -, tanto mais importante quanto é terrivelmente desgastante, do ponto de vista psico-emocional, a tarefa de ensinar, sobretudo nas condições que actualmente as escolas oferecem com a implementação da lógica “mega”, num crescendo de desumanização do espaço escolar.

A isto tem também que se adicionar a carga suplementar, absurda e abusiva, de tarefas burocráticas que estão cometidas aos docentes.

Má-fé e ressentimento, também, porque se pretende passar a imagem de que os professores trabalham pouco, são uns privilegiados porque trabalham menos do que os que estão nas outras profissões. Mas, ao mesmo tempo, é toda uma sociedade, e os que assim pensam, que descarrega para cima dos professores – e cada vez mais! – a responsabilidade pela educação das crianças e dos jovens que ela própria se exime de assumir, porque “tem outras coisas para fazer”, outras “prioridades” ou, simplesmente, “não tem paciência para isso”, e, depois, é muito mais fácil e cómodo vir cobrar aos professores – para aliviar a má-consciência – por aquilo de que não se é capaz ou se quer fazer.

Acrescente-se que o facto de as famílias não terem “tempo ou disponibilidade” para educarem os seus jovens diz tudo sobre o modelo de sociedade que temos ou estamos a construir. Os professores, justamente, são o bode expiatório de toda a má consciência de uma sociedade que se sabe em falta para com os seus educandos, i.e., no fundo, para consigo mesma.

Esse é o principal motivo – tanto mais actuante e insidioso quanto inconsciente e não assumido ou assumível – do ressentimento traduzido em animosidade que se sente contra os professores – e que os demagogos e irresponsáveis exploram miseravelmente.

Eu sei que no meio de tanta demagogia, tanta falsidade, tanta incompreensão e má-fé a nossa resiliência está muito debilitada, mas os professores não devem ter vergonha de serem o que são e não se devem predispor para abdicar do estatuo da sua profissão e da nobreza da sua missão.

Por tudo isso, não abdiquemos das reduções para não termos um ensino e uma educação cada vez mais reduzidos e redutores!

(Deixo aqui de lado as falsas implicações financeiras que os demagogos suscitam sobre a questão das reduções porque já foram desmontadas e desmentidas – e bem – noutro post pelo Paulo).

Farpas

… não passam propriamente por gravíssimas despesas de funcionamento ou grandes encargos com os trabalhadores. Afinal serultam jogos financeiros em que os gestores se envolvem, arriscando o dinheiro dos outros e  fazendo um rombo de 3 mil milhões.

E depois a culpa do défice é dos médicos que ganham muito, dos professores que são uns privilegiados e dos aposentados que são uma praga.

Responsabilizar tais génios da gestão? Impensável.

aqui.

O Fundo Monetário Internacional não estava à espera que o relatório elaborado por técnicos oriundos do Departamento de Política Fiscal desta organização fosse tornado público, apurou o Expresso.

O documento divulgado na quarta-feira pelo “Jornal de Negócios” é a versão final do ponto de vista dos técnicos do FMI e foi elaborado ao longo de dois meses com base em dados fornecidos pelos ministérios.

Recapitulando:
  • O Governo encomenda o estudo, o que é anunciado pelo opinion-maker Marques Mendes na TVI24.
  • O estudo final é divulgado, para surpresa (?!) do FMI, no Jornal de Negócios, antes de ser entregue a qualquer outra entidade.
  • O jornalista e analista de Economia José Gomes Ferreira, após um convidado do seu canal revelar um valor sobre o eventual custo do estudo, afirma algum tempo depois que o mesmo foi feito de forma graciosa.
  • O secretário de Estado diz que só recebeu o estudo em causa ao fim da manhã do dia em que foi publicado e acha que está bem feito, apenas um par de horas depois, revelando hábitos de leitura dinâmica. Afirma que o que foi publicado deve ser uma versão preliminar, o que acaba de ser desmentido pelo FMI.
  • O primeiro-ministro diz que o estudo está muito bem feito e que foi encomendado outro à OCDE.
  • A OCDE desmente que tenha sido contactada.
Resumindo:
  • As informações relevantes foram conhecidas pela comunicação social.
  • As informações incorrecta – vulgo inverdades em novilíngua política- foram divulgados pelo secretário de Estado adjunto e pelo PM.

Concluindo:

Tudo isto tem um aroma inconfundível de brincadeiras de putos de blogues contratados para adjuntos, assessores e consultores dos gabinetes deste governo. poderia adiantar-se nomes, mas depois os darth vaders e outros morgados.

Por muito menos, já um certo senhor, há coisa de uma década, clamava contra as más moedas na política.

obelix(c) Uderzo

Grupo GPS poderá ser investigado por enriquecimento ilícito e corrupção
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Erros sobre educação no estudo do FMI. Só não sabia que tinha sido o ministro Mota Soares a descobri-los. E falta muita coisa que também lá está errada ou desactualizada.Mas mais vale alguma coisa, picada da notícia do Público do que nada.
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OCDE não recebeu pedido para estudar reforma do Estado português, desmentido o nosso belo PM, cada vez mais parecido com o outro nestes lapsos.

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