Quinta-feira, 10 de Janeiro, 2013


Tenho uns quantos (poucos) convites para quem queira assistir. Vai ser giro porque pareço ter sido escolhido como o dodo de serviço no meio da malta da paulada.

FuturoAFuturoB

Página 60 do estudo tipo-FMI:

Public school teachers have remained a relatively privileged group within society in general and within the civil service in particular. The compensation of teacher and other staff comprises about 70 percent of education spending. In 2012, out of 230,000 professional staff in public education, 160,000 are teachers (of which 117,000 are tenured teachers, including over 12,000 in regional or local administrations) (Table 6.1). These permanent teachers earn more than other senior civil servants at the top of their pay scales, and work fewer teaching hours (by earning schedule reduction entitlements). To date, their seniority privileges have not been curbed, and, although there are possibilities for teacher mobility, there is no mechanism to forcefully redeploy permanent teachers from overstaffed schools to schools with shortages of teachers.

Gostava de chamar a atenção para algumas coisas:

  • No quadro 6.1 não está muita da informação que aqui se diz estar, ou então está agrupada ao monte, sem dar para distinguir alhos de bugalhos. Num lado os dados estão divididos de forma canhestra por grau de ensino numa terminologia pouco usual em estudos internacionais sobre Educação, mas em outro (caso do vínculo contratual) aparece tudo misturado. os 117.000 “tenured teachers” estão todos ao molho e fé em Deus que ninguém sabe se são primários, secundários ou terciários. Também o que se afirma sobre 12.000 nas administrações locais e regionais 🙂 ). Mais complicado – porque metodologicamente pouco honesto – é deixar para uma nota de rodapé a explicação que, na verdade, os 160.ooo professores representam menos de 140.000 lugares reais, quando se transforma o sub-emprego docente em horários completos, baixando o número de docentes no ensino não-superior para menos de 120.000. Mas usar o outro número para estabelecer rácios.

FMI1c

Apublica

  • É um absoluto disparate dizer que os professores são os funcionários públicos melhor pagos (repare-se que não é fornecido nenhum quadro comprovativo, pois há diversos grupos como médicos, juízes ou diplomatas que têm remunerações mais altas), não apenas porque nenhum está no topo da escala salarial (não existe nenhum professor no actual 10º escalão), mas porque há carreiras melhor pagas e só a pura ignorância ou desonestidade pode fazer escrever outra coisa. É ainda de uma completa desfaçatez dizer que os professores dos quadros são os que dão menos aulas, quando isso se aplica apenas a uma parte deles e, obviamente, dão mais aulas do que médicos, enfermeiros, juízes e diplomatas (esta foi mesmo só para entrar no espírito de non-sense do documento).

Página 62 do estudo tipo-FMI:

Implement a simple formula-based funding framework that allows money to follow the student. Portugal could opt for a more challenging reorganization of the education system by applying a per-student financing formula, which has the advantage of enhancing equity, reducing inefficiency, and allowing the system to adapt to changing demographics. This would require giving autonomy to schools to hire teachers, and would need to be accompanied by a closer monitoring of school performance and schools being held accountable for education outcomes. If, under the new system, costs were benchmarked to the charter-school limit of €85,288 per class, per-student cost would fall by at least €400 based on the higher gross public-school costs.

Ou seja… os “investigadores” defendem a posição de um dos lobbys em acção mais frenética junto do Governo e do MEC, omitindo que o estudo interno do próprio MEC apresentou números para o custo de funcionamento por turma nos 2º e 3º ciclo do Ensino Básico muito inferiores aos agora já desejados 85.000 euros (e que há uns tempos faziam arrepelar cabelos):

EstudoA

Quando se afirma repetidamente que este estudo foi feito na base de consultas presenciais, apenas podemos deduzir que o MEC ficou insatisfeitos com as conclusões dos estudos anteriores – incluindo aquele que acabou por não ser martelado como se desejava, adivinhando-se que faria encomendas até achar a certa –  e encomendou um à maneira, que apresentasse as coisas como talvez tenham sido, mas agora certamente não são.

A verdade é que sai mais barato, muito mais barato, o acréscimo adicional de incorporação dos alunos na rede pública de Ensino Básico do que pagar novas turmas por contrato a empreendedores privados.

Algo bastante fácil como em zonas como as Caldas onde há escolas com salas vazias e professores com horário-zero, enquanto se paga a grupos privados para fornecer um serviço que, desta forma, sai muito mais caro.

O fim da Educação como a conhecemos… and I don’t feel fine!

Versão 2.0 e depurada, para breve, na edição em papel.

FMI sugere exames online para decidir que funcionários públicos serão dispensados

… dos funcionários do MEC (fmi):

profe(c) Calimero Sousa

cartoon_pressao_orcamento_constitucional_31_fagundes

(c) Arlindo Fagundes

« Página anteriorPágina seguinte »