O Arlindo já o divulgou e também está aqui (Relatorio-do-FMI-sobre-Portugal-Como-cortar-despesas-e-onde-Janeiro-de-2013) para descarga.

A principal curiosidade é ter entre os autores o director geral de uma fundação ligada ao PSOE.

Acessoriamente, o facto de ser um relatório divertida e adequadamente desactualizado na informação relativa à Educação, a ponto de ser legítimo inquirir se é incompetência ou má fé. Os números usados para comparações internacionais referem-se, em regra a 2009 e 2010, quanto a número de professores, remunerações, estrutura da despesa, etc, etc. Mas, divertida e curiosamente, estão actualizados a final de 2012 quando se trata da desagregação dos números sobre pessoal docente e não docente (quadro 6.1), com dados indisponíveis para outros trabalhos.

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Os números já são outros bem diferentes em diversos casos, resultantes de cortes diversos e reduções variadas. Para além, disso é interessante como retomam muitos dos aspectos da argumentação socrática, combatida por este ministro da Educação, pelo PSD e por tanta outra gente que devia encomendar o alcatrão e as penas. Sendo uma encomenda do Governo, estranha-se que não tenham sido usados os dados já disponíveis para 2012 sobre a estrutura do orçamento do MEC.

São ainda curiosas as partes em que, se fizermos as contas, os números de uns quadros não batem certos com os rácios apresentados em outros (mais de 1,5 milhões de alunos a dividir por 130.000 professores no “primário” e “secundário” dificilmente dão um rácio de 8-9 alunos por professor, mas pode ser falha de bateria na máquina de calcular). Claro que depois falam nisso numa disfarçada nota de rodapé (nº 59).

Já as considerações sobre diversos aspectos abandonam o território da análise técnica para se colocarem no campo do combate ideológico.

70. Portugal’s education system remains overstaffed and relatively inefficient byinternational standards.
As of September 2012, the MEC employed one out of 25working-age Portuguese as teachers. With 1.5 million (non-tertiary) students in the system,there are 8 students per educator (including teachers performing non-teaching functions). The result is that the cost of paying teachers dominates education spending to a larger degree thanin other OECD countries (Table 6.2). Even a mildly ambitious education sector reform that would bring student–teacher ratios closer to the prevailing EU averages for primary andsecondary education (Table 6.3) would imply that 50–60,000 staff (teachers and non-teachers) would have to be cut.

71.Prevailing rigidities in the education system further aggravate the overstaffing problem.

There is limited autonomy at the school level; notably, schools do not control thehiring of teachers—their largest expense. Teachers can apply to move schools every four years, and compete for available slots on the basis of seniority. Under the system, it is not themore qualified teachers who get redeployed to a position of their choice, but the more senior ones. As a result, schools have little control over their budget or their faculty: schools indesirable locations are forced to absorb more senior teachers with higher salaries and lower teaching-hour requirements.
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E depois há as mentiras absolutamente evidentes:
72. To date, downsizing measures have not targeted the lowest performing or mosthighly-paid teachers
Portugal’s public sector employment guarantee precludes the layingoff of the tenured teachers, and virtually all the 6,500 reduction in permanent staff over the past two years resulted from attrition, with tenured teachers taking retirement. With some exceptions of voluntary separations, the remaining departures (8,300) were fixed-termcontract teachers who did not have their contracts renewed.