De um naco muito interessante:

Quer no primeiro, quer no segundo estudo, a comparação com os resultados de 1995 são incontestáveis: os alunos portugueses foram os que mais progrediram no conjunto de um pouco mais de quatro dezenas de países.

Estes resultados vêm confirmar outros já registados pela OCDE (PISA – Programme for International Student Assessment) em 2009, tendo por objecto os alunos de 15 anos.

Nestes três estudos a melhoria registada pelos alunos portugueses nos últimos 15 anos é incontestável. Mas há uma outra conclusão a retirar: atendendo ao nível de escolarização média do país e do grupo etário correspondente à geração dos pais, os resultados obtidos são melhores do que seria estatisticamente expectável. Ou seja, a média dos resultados está acima do valor esperado, considerando as condições sociais e culturais das famílias em comparação com os restantes países. Como se explicam estes resultados?

David Justino extrai conclusões demasiado fofinhas e pouco ousadas:

Começando pelos alunos, poderemos dizer que o nível médio de escolarização dos pais aumentou de forma significativa nestes últimos 15 anos. Muito provavelmente esses alunos trabalham melhor e aprendem mais e melhor, não sendo garantido que trabalhem mais.

E os professores, serão melhores que os professores de há 15 anos? Nada nos permite responder sim ou não. Mas há algo que importa não esquecer: hoje a organização e a cultura escolares começam a ser diferentes das dominantes há 15 anos. Hoje as escolas portuguesas já não vivem só de boas intenções e de teorias românticas, olham para os resultados com outra atenção, estabelecem objectivos e metas de aprendizagem, adoptam estratégias de combate ao insucesso e abandono escolares, organizam os seus recursos para promover o sucesso e mobilizam os diferentes actores, especialmente o seu corpo docente, para ter resultados cada vez melhores. Em síntese e por analogia com o desporto, nas  boas equipas até os jogadores mais fracos brilham mais intensamente.

E eu explico porquê, arriscando a acusação corporativista:

Nestes 15 anos, que eu tenha observado, alunos e pais mudaram, políticos e reformas foram à catrefada… mas alguém andou sempre por lá, pelas malditas escolas…

Respondendo à pergunta formulada no início do artigo… os resultados são incontestavelmente dos alunos. Mas muito do trabalho que subjaz a esta melhoria é da responsabilidade daqueles que quase ninguém se sente livre para elogiar, como se fosse quase pecado!

Porque as escolas não são abstrações, são organizações com pessoas/profissionais lá dentro.