Sexta-feira, 4 de Janeiro, 2013


Não praguejes, Marília, não praguejes
a justiceira mão que lança os ferros;
não traz debalde a vingadora espada;
deve punir os erros.

Virtudes de Juiz, virtudes de homem
as mãos se deram e em seu peito moram.
Manda prender ao Réu, austera a boca,
porém seus olhos choram.

Se à inocência denigre a vil calúnia,
que culpa aquele tem, que aplica a pena?
Não é o Julgador, é o processo
e a lei, quem nos condena.

Só no Averno os Juízes não recebem
acusação nem prova de outro humano;
aqui todos confessam suas culpas,
não pode haver engano.

(…)

[Tomás Gonzaga] Lira XXIII

Echo and the Bunnymen, Stormy Weather

Comentário de Bárbara Wong: 2012, o ano em que o ministro não defendeu a Educação

Há exactamente 34 dias, o PCP anunciou que contemplava a hipótese de reduzir as despesas de funcionamento numa declaração com aquela linguagem encriptada do costume sobre a sua vida interna.

Desde meados da semana, insurgentes, amigos e afins redescobriram a notícia e transformaram-na no anúncio de despedimentos no PCP. O que não tem qualquer base concreta, real ou actual.

Nem sequer sou suspeito de admiração pelo funcionamento interno do PCP e desgosto imenso dos métodos abjectos de certos mafarricos vargas, mas… há limites para a desonestidade na tentativa de desviar as atenções do que é importante nos dias que correm e que está longe de ser uma ocasional declaração feita há mais de um mês por um quadro do PCP em dia de Congresso.

De um naco muito interessante:

Quer no primeiro, quer no segundo estudo, a comparação com os resultados de 1995 são incontestáveis: os alunos portugueses foram os que mais progrediram no conjunto de um pouco mais de quatro dezenas de países.

Estes resultados vêm confirmar outros já registados pela OCDE (PISA – Programme for International Student Assessment) em 2009, tendo por objecto os alunos de 15 anos.

Nestes três estudos a melhoria registada pelos alunos portugueses nos últimos 15 anos é incontestável. Mas há uma outra conclusão a retirar: atendendo ao nível de escolarização média do país e do grupo etário correspondente à geração dos pais, os resultados obtidos são melhores do que seria estatisticamente expectável. Ou seja, a média dos resultados está acima do valor esperado, considerando as condições sociais e culturais das famílias em comparação com os restantes países. Como se explicam estes resultados?

David Justino extrai conclusões demasiado fofinhas e pouco ousadas:

Começando pelos alunos, poderemos dizer que o nível médio de escolarização dos pais aumentou de forma significativa nestes últimos 15 anos. Muito provavelmente esses alunos trabalham melhor e aprendem mais e melhor, não sendo garantido que trabalhem mais.

E os professores, serão melhores que os professores de há 15 anos? Nada nos permite responder sim ou não. Mas há algo que importa não esquecer: hoje a organização e a cultura escolares começam a ser diferentes das dominantes há 15 anos. Hoje as escolas portuguesas já não vivem só de boas intenções e de teorias românticas, olham para os resultados com outra atenção, estabelecem objectivos e metas de aprendizagem, adoptam estratégias de combate ao insucesso e abandono escolares, organizam os seus recursos para promover o sucesso e mobilizam os diferentes actores, especialmente o seu corpo docente, para ter resultados cada vez melhores. Em síntese e por analogia com o desporto, nas  boas equipas até os jogadores mais fracos brilham mais intensamente.

E eu explico porquê, arriscando a acusação corporativista:

Nestes 15 anos, que eu tenha observado, alunos e pais mudaram, políticos e reformas foram à catrefada… mas alguém andou sempre por lá, pelas malditas escolas…

Respondendo à pergunta formulada no início do artigo… os resultados são incontestavelmente dos alunos. Mas muito do trabalho que subjaz a esta melhoria é da responsabilidade daqueles que quase ninguém se sente livre para elogiar, como se fosse quase pecado!

Porque as escolas não são abstrações, são organizações com pessoas/profissionais lá dentro.

Primeiro foram as previsões económicas sobre os efeitos da austeridade que falharam.

Agora é a legalidade que atrapalha as belíssimas teorias do FMI…

O que mais lhes irá acontecer? Cortarem-lhes os subsídios?

Lagarde: “Não termos previsto a inconstitucionalidade de algumas medidas foi uma infelicidade”

O mais certo é terem contado com o Apoio ao Estudo (agora em horas não lectivas), comparado com as antigas aulas de A.P.A. (que mantiveram nas contas actuais) e fingido que o Estudo Acompanhado (em horas lectivas) antes não existia.

A ter sido assim (quase que aposto singelo contra quintuplicado) é uma espécie de novo-valtismo.

Mais do que duplicou o número de horas dos professores disponíveis para acompanhar os alunos que querem melhorar as suas notas: passou de 20 mil para 47 mil horas o ministro Nuno Crato.

Há um sector opinativo, vagamente analítico,que defende que o dinheiro em Educação é o essencial. Concordo. O factor humano é decisivo.

Mas… isso não significa que cortar a eito e apostar em reformas educionais apenas apostadas em poupar dinheiro esteja certo. Pelo contrário, esse tipo de aposta está errado.

MONEY

Does money matter? Yes. On average, aggregate measures of per pupil spending are positively associated with improved or higher student outcomes. In some studies, the size of this effect is larger than in others and, in some cases, additional funding appears to matter more for some students than others. Clearly, there are other factors that may moderate the influence of funding on student outcomes, such as how that money is spent – in other words, money must be spent wisely to yield benefits. But, on balance, in direct tests of the relationship between financial resources and student outcomes, money matters.

Do schooling resources that cost money matter? Yes. Schooling resources which cost money, including class size reduction or higher teacher salaries, are positively associated with student outcomes. Again, in some cases, those effects are larger than others and there is also variation by student population and other contextual variables.
On the whole, however, the things that cost money benefit students and there is scarce evidence that there are more cost-effective alternatives.

Do state school finance reforms matter? Yes. Sustained improvements to the level and distribution of funding across local public school districts can lead to improvements in the level and distribution of student outcomes. While money alone may not be the answer, more equitable and adequate allocation of financial inputs to schooling provide a necessary underlying condition for improving the equity and adequacy of outcomes. The available evidence
suggests that appropriate combinations of more adequate funding with more accountability for its use may be most promising.

While there may in fact be better and more efficient ways to leverage the education dollar toward improved student outcomes, we do know the following:

  • Many of the ways in which schools currently spend money do improve student outcomes.
  • When schools have more money, they have greater opportunity to spend productively. When they don’t, they can’t.
  • Arguments that across-the-board budget cuts will not hurt outcomes are completely unfounded.

In short, money matters, resources that cost money matter, and more equitable distribution of school funding can improve outcomes. Policymakers would be well-advised to rely on high-quality research to guide the critical choices they make regarding school finance.

Porquê?

Por exemplo…

PPP

O relatório é oficial.

Se a  derrapagem da dívida pública tem, em grande parte, uma causa específica, porque se insiste tanto em afirmar outra coisa?

PPP1

Os encargos para a década que se segue são asfixiantes.

Já se sabe disso há anos. Não é novidade.

Mas o Centrão dos Interesses pactuou e continua a pactuar porque, mesmo quando falha, o poder executivo aceita recapitalizar buracos dos maus investimentos.

A verdade é que estamos a discutir cortes causados pelos desvarios eleitoralistas e demagógicos que o poder que está não é capaz de desfazer, ou não está devidamente motivado para isso, apesar de todas as denúncias enquanto era poder que ainda não estava.

É bom que se perceba que os portugueses devem adoecer menos ou ir menos aos hospitais, os aposenmtados devem ser as suas pensões cortadas e as escolas devem fornecer um serviço cada vez mais esquálido, porque um grupo restrito de empreendedores estabeleceu uma fortíssima aliança de interesses com o poder político.

Uma aliança que permanece.

Uma aliança em que os negociadores privados de ontem são governantes de hoje e os negociadores públicos de ontem são os que clamam agora pelos direitos privados adquiridos, por si concedidos.

Não acontece em todos os casos. Mas acontece nos suficientes para contaminar e desregular todo o processo de tomada de decisões políticas.

Troika garantiu ao PS que não exigiu corte de 4 mil milhões em áreas específicas

FreedomWorks bills itself as a grassroots outfit, but it’s bankrolled mostly by big-money do.

… embora eu prefira que, numa segunda fase, se optem por modelos menos lineares, incorporando variáveis relacionadas com os meios disponíveis nas escolas e características da comunidade envolvente.

A coisa é capaz de estar a passar despercebida (quando fiz o primeiro post sobre o assunto quase ninguém comentou) mas vai ser determinante para a avaliação das escolas e de forma menos directa para a vida profissional dos professores e, após mais de ano e meio de governação do MEC, já era tempo que aparecesse.

Modelos para comparação estatística dos resultados académicos em escolas de contexto análogo – Painel de dados para apoio à avaliação externa das escolas

Avaliação externa das escolas passa a ter em conta origem dos alunos

Breve retrato do País, Rui Tavares e Carlos Fiolhais.

 

No Público de 26.12.2012 Rui Tavares eurodeputado e historiador diz-nos que neste País uns poucos fizeram com que muito dinheiro “nosso” fosse perdido e que nós o vamos acabar por pagar.

E fala-nos da fraude do BPN envolvendo Rui Oliveira e Costa, sua filha Iolanda, seu braço direito Luís Caprichoso e do dinheiro usado por estes para destroçar o BPN, e  nós, contribuintes, estarmos a pagar a conta. Depois fala-nos em mais umas quantas personalidades nacionais que receberam dinheiro que não deveriam ter recebido e que para além de o não terem devolvido e com juros, claro, vamos ser nós – uma vez mais -a pagar, esse dinheiro perdido.

E deixa uma série de questões no ar para as quais alguém deveria já ter  dado respostas , quer quanto à atuação destes “personagens”, quer quanto ao dinheiro que se “perdeu “e nos faz tremenda falta, e como nós contribuintes líquidos deste País o vamos ter que pagar. ( Passos falará nisto à Sra. Merkel? dá para perguntarmo-nos!!)

No mesmo Público, Carlos Fiolhais, professor universitário em Coimbra e escritor diz-nos que escolhe Miguel Relvas, ministro adjunto e dos assuntos parlamentares como o “figurão do ano”. Aborda a forma estranha e com “inusitada ligeireza” como lhe atribuíram o titulo de “doutor” que até aparece em : “placas inaugurais inauguradas pelo próprio”.

E refere que o ministro da Educação mandou instaurar um inquérito a  esta obtenção do “doutor” que está longe de ficar esclarecido pela universidade que o atribuiu.

Depois, Carlos fiolhais aborda “os negócios duvidosos em que Relvas esteve envolvido na Tecnoforma, fala também quanto à comunicação social e na associação do nome de Relvas à demissão de uma jornalista do Público  e ao diretor de programas da RTP.

“No campo da reorganização administrativa: …não há reforma bem estudada do território, mas receia-se que, do gabinete de Relvas, venha a criação de funções intermunicipais que darão reformas douradas a ex-autarcas”.

E refere que: “…a queda de Miguel Relvas é a queda de Pedro Passos Coelho, já que ambos estão entrelaçados”. ( Passos falará nisto à Sra. Merkel? dá para perguntarmo-nos!!)

No mesmo Público é possível ler que Passos garante que a esmagadora maioria das reformas já está concluída.

Lido e compreendido tudo “isto” qual é o português que não pode deixar de se perguntar se não haveria  outra forma de entramos em 2013 sem ser com mais dos mesmo e do mesmo.

É este o  triste retrato  do nosso País  e do nosso “animador” futuro..

 

Augusto Küttner de Magalhães

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