É dia final do ano, há outra premências e urgências a que acudir, incluindo prazos a cumprir, pelo que a questão ficará apenas pela superfície, remetendo-se maior profundidade para outro momento.

Só que não queria deixá-la sem referência e assim passar-me ao esquecimento momentâneo.

Vem o assunto a propósito de alguns comentários feitos acerca da alegada esquerdização do ensino da História entre nós, tema caro a alguns bloggers e nichos do mercado opinativo.

É uma leitura com que discordo, já expliquei anteriormente porquê há uns tempos, mas isso não chega – como é natural – para que desapareça de certas convicções enraizadas. O argumento é que depois do 25 de Abril, o ensino da História virou completamente à esquerda e que o olhar transmitido aos alunos no Ensino Básico é o de uma historiografia esquerdista.

É uma opinião que me parece parada no tempo, mais especificamente na segunda metade dos anos 70 e parte dos anos 80 e focando-se num naco particular da História, mais especificamente da História Contemporânea e do período das Revoluções Liberais, recuando talvez até ao período pombalino no caso português, mas com especial obsessão pelo século XX.

Repito que esta é uma opinião desligada de uma leitura atenta dos conteúdos programáticos concretos e seus pesos relativos, assim como falha uma análise alargada e detalhada dos manuais escolares, ficando-se pela picagem de alguns exemplos demonstrativos do ponto que se quer demonstrar. Buscam-se provas e ao fim de um punhado toma-se por regra, eliminando-se o que contraria a tese original.

Então eu proporia um exercício complementar a quem se queixa da esquerdização.

Vamos analisar a forma como a História é – e não estou a fazer qualquer juízo de valor, pois até é uma opção que acho correcta desde que assumida sem distorções abusivas – ensinada de um ponto de vista patriótico e nacionalista?

Como a maior parte da História de Portugal, desde o modo como é apresentada a formação do reino até aos tons como a própria evolução contemporânea é descrita, não esquecendo o momento alto de exaltação do desígnio nacional que passa pelos Descobrimentos e Expansão, passa pela apresentação aos alunos de uma ideia de Portugal como nação singular e capaz de resistir e ultrapassar as maiores provações?

Gostaria que os defensores da esquerdização do ensino da História aceitassem fazer o contraponto com a permanência de uma nacionalização da História.

E não se trata de uma questão que oponha Esquerda/Direita, porque entre um Jerónimo e um Relvas ou um Gaspar e um Semedo não tenho dúvidas sobre quem é mais patriótico.