Domingo, 30 de Dezembro, 2012


George Michael, Killer/Papa was a Rollin’ Stone

Em raro momento de activo colaboracionismo com o Governo no seu esforço para reduzir os encargos insuportáveis com o nosso pletórico Estado Social, propus ontem a opção pelo ensino doméstico como a regra para os nossos alunos, pois isso significaria a quase completa desnecessidade de professores (que poderiam emigrar ou transformar-se e às suas famílias em sem-abrigo desde que não requeressem subsídio de desemprego ou adoecessem e aparecessem pelas urgência hospitalares) e quiçá mesmo de instalações escolares (que poderiam ser alugadas, vendidas ou concessionadas a um qualquer empreendedor latino-americano ou luso-africano em nome da Lusofonia e tropicalidade, agora que os eslavos parecem desinteressados).

Mas esse pensamento poderia parecer isolado ou mesmo algo carente de um contexto que lhe acrescentasse significado relevante. O que não é o caso, pois faz parte de um Plano Maior que se me desceu sobre a testa em dia de natal na forma da estrela da árvore natalícia que se desprendeu e, como se fosse tomada por uma alma própria e velocidade desafiadora das suas teóricas capacidades cinéticas, me veio atingir aqui plenamente entre os meus míopes e atrofiados globos oculares, raspando com justiça as cangalhas que me servem para minorar a curteza de vistas.

E então VI!

VI que o ensino doméstico faz todo o sentido num modelo de sociedade humilde e tradicional, empobrecida por vocação e volição, em que o trabalho árduo do pai de família e cabeça de casal ganha-pão (regressado aos campos e aos mares que sempre tanto pão, vinho, bacalhau e sardinha deram ao povo português) se traduz em comida esticada a uma mesa de alegria e suave burburinho infantil, com uma mãe doméstica e liberta de afazeres laborais que perturbem o exercício (preferencialmente repetido) da maternidade (preferencialmente com parto assistido por vizinha conhecedora das artes e sem recurso aos luxos dos hospitais que tanto despersonalizaram o quadro íntimo do acto de dar à luz) e da gestão doméstica de um orçamento que se pretende ajustado aos interesses maiores de um Estado Magro e de uma sociedade esquelética q.b, o suficiente para diminuir o risco de doenças típicas da riqueza abastada como o diabetes, o colesterol ou mesmo aqueles achaques e estados depressivos, apenas nascidos da ambição do Ter e não do Ser.

E a sensação de epifania que se abateu sobre mim, a par de uma cólica renal causada pela água do poço das traseiras do quintal e de uma urticária nascida de um acidente com as órtigas do cantinho recatado que nos serve de retrete arejada a céu aberto, ali junto do raquítico carvalho centenário, transformou-se em imagens de uma intensidade tal que se me vieram as lágrimas aos olhos e fui obrigado a abandonar a escrita no meu novo caderno pautado onde aponto estes pensamentos que se me ocorrem no ano da graça e glória de 2014, o segundo do reinado iluminado de D. Pedro VI, o dos Passos, e do governo de seu secretário de Estado, Miguel de Vasconcelos y Pombal.

Caderno Escolar

Vou transcrever o indeferimento de um pedido de escusa enviado a um colega:

Assunto: Pedido de Escusa do desempenho da função de avaliador externo , nos termos do n.º 4 , do artigo 5.º do Despacho Normativo n.º 24/ 2012 , de 26 de outubro
Em referência ao assunto em epígrafe, cumpre comunicar a V.Exa. que , por despacho de 14.12.2012, do Diretor -Geral da Administração Escolar, foi indeferido o pedido de escusa do desempenho da função de avaliador externo por si apresentado, nos termos da alínea g) do n.º 2 do artigo 10.º e da alínea j) do artigo 35.º do Estatuto da Carreira Docente e do artigo 48.º do Código do Procedimento Administrativo.
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A diretora de gestão de serviços de Gestão de Recursos Humanos
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                        Maria Helena Serol Mascarenhas
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A fundamentação do indeferimento é particularmente ridícula e incompetente.
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Vejamos porquê:
  • A alínea g) do n.º 2 do artigo 10.º e da alínea j) do artigo 35.º do Estatuto da Carreira Docente referem-se a actividades de avaliação da escola e não como avaliadores externos em oputras paragens.
  • Já o artigo 48º do CPA é aquele que explica as razões pelas quais se podem fazer os pedidos de escusa e suspeição. Pelo que nada explica sobre as razões do indeferimento, desrespeitando o artigo 124º do CPA. E é um artigo que serve para fundamentar pedidos e não indeferimentos, ok?
Em meu entender de leigo e a uma primeira vista bem rápida esta resposta tem um valor jurídico nulo e deve ser impugnado de imediato através de reclamação para o autor do acto (artigo 158º do CPA) ou de recurso hierárquico (artigos 166º e seguintes do CPA), alegando a nulidade ou não validade deste acto de indeferimento (cf artigos 134 e 141º do CPA).
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Resumindo: esta resposta da directora de serviços da Gestão dos Recursos Humanos é completamente destituída de validade e seria bom que os serviços jurídicos dos sindicatos começassem a apoiar devidamente os colegas e não a desincentivá-los a apresentar estes pedidos.

Tácticas e desempenhos postos de lado, acho que o Sporting deveria perder sempre entre 3-0 e 5-0 quando jogasse com aquele patético equipamento de ontem.

Nem é uma questão de estética ou sequer de vago desprimor político do momento, mas de falta de memória e de cedência ao comercialismo mais básico, comparável aos tempos em que o Benfica aceitou jogar de cor de rosa e cinzento prateado.

Aquele equipamento, a menos que fosse para confortar os holandeses do plantel, não tem nada a ver com seja o que for do Sporting.

Se há equipas que têm o bom gosto de jogar de verde e branco como o Sporting (casos do Rio Ave e Vitória de Setúbal), então que o equipamento alternativo conjugue as cores habituais no clube (verde, branco e preto) de outro modo, sem ir em modas da treta (para evitar um sinónimo de bosta).

Não me interessa se é a prática comum lá fora, coisa e tal.

Respeitem a memória do clube. Já custa ver quando jogam de esverdeado cueca de bébé, que é cor que jogador do Sporting que se preza deveria sentir-se envergonhado por usar.

Mas de cor de laranja?

A minha prospectiva para 2013:

A Educação em 2013: Concentração e Distância

… também não acho nada normal que pessoas directamente ligadas ao funcionamento do curso de Lazeres Diversos na Associação de Formação de Villa Arriba sejam nomeadas para avaliar e decidir da continuação de cursos de Lazeres Diversos na Colectividade Humanitária de Villa Abajo, uma das suas principais concorrentes na atracção de utentes. Resta saber o que estará a acontecer em Villa Media.

Pessoalmente, que sou chato e esquisitinho, acho que qualquer princípio de bom senso e mesmo de ética aconselharia que tais pessoas fossem nomeadas para fazer a tal avaliação lá para Villa Longínqua, onde daria menos nas vistas o evidente conflito de interesses.

Claro que em Villa Abajo estão à espera de levar um chumbo bem chumbado em cima. Acontecendo, os nomes das villas e das pessoas será devidamente divulgado.

Não é que a reorganização desta colectividades poli-formativas de3ixe de ser desejável, quiçá mesmo a sua junção e especialização da oferta, mas nem sempre os fins justificam tão reprováveis meios.

Desculpem se evoco este post com quase seis meses. Depois houve outras coisas.

Subitamente houve uma demissão. Subitamente… quer dizer… quase toda a gente falava do assunto e… nada se passava.

No Público lembraram-se de que aqui já se falara no assunto, o que agradeço à Graça Barbosa Ribeiro.

Agora, como no caso do grupo GPS é uma revoada de agitação. Tarde, demasiado tarde, digo eu.

Crato investiga denúncia de má gestão de dinheiros públicos na DREC

Denúncia de “vice” da DREC demissionária enviada à Inspeção Geral

Educação: Denúncia de diretora adjunta demissionária enviada à Inspeção Geral

Diretora adjunta considera «que os factos que determinaram a demissão são relevantes no quadro de instabilidade (sic) da coligação governamental».

Eu sei que por norma os governantes não lêem blogues, apenas recebem conselhos de quem lá escreveu ou manda plantar questões em alguns a ver se pegam.

Mas… talvez fosse melhor não demorarem tanto tempo a (re)agir.

Se há coisa que eu vejo por aí é juristas entre os opinadores que ainda apoiam o Governo. E quando analisamos o currículo de muitos ministros e pessoal que orbita em seu redor encontramos muita – demasiada? – gente licenciada em Direito (6 em 11). >e a maioria até é licenciada sem equivalências, em Universidades conceituadas por cá (Coimbra, Lisboa, Católica). entre a malta dos gabinetes e assessorias há imensa gente da Católica, da Nova, etc, etc.

Por isso é de espantar que a legislação produzida seja de péssima qualidade em termos formais (nesse aspecto o MEC leva alguma vantagem) e seja produzida sem qualquer atenção aos detalhes, à ordem jurídica, à hierarquia das leis e até à necessidade de se deixar publicar uma lei antes de se remeter para ela.

Que são lapsos e tal. Bem… eu chamaria incompetência, mas isso só se aplica, entre nós, a professores e funcionários públicos de carreira. Os borginhos, relvettes e ramirílios, mesmo quando (ou exactamente por isso) besuntados a MBA com dinheiro do papá nunca são menos do que xalentes. R empreendedores.

Mas eu percebo… quando chegam aos corredores e gabinetes o pessoal refundador está é mais interessado em assegurar os seus direitos particulares adquiridos a subsídios que negam a outros do que a qualquer sentido de Estado.

Em tempos, um político que nem estava no activo surgiria a insurgir-se nos jornais contra a má moeda na política e na governação. Agora, que pode fazer alguma coisa contra a moeda falsa, limita-se a assinar de cruz e promulgar.

Foto1119

O Século – Supplemento Humorístico, ali por 1900,não me perguntem agora a data exacta, que não tenho os apontamentos à mão.