Sábado, 22 de Dezembro, 2012


Elbow, Station Approach

Passou há bocado em reportagem na SIC.

Como um punhado de tipos pediu dinheiro com garantias que nunca teve, investiu em negócios ruinosos, comprou terrenos por conta de outros negócios por vir, divertiu-se à brava, não pagou as dívidas e vai levando – com pretextos diversos – políticos de fibra escassa e conexões por conhecer a tomar medidas que levam milhões de gente sem culpa a pagar pelos anos de brincadeira que vão atrás no tempo dos desmandos do engenheiro.

Esta lavagem do passado está a sair-nos cara. Quer-me a mim parecer que, por muitos argumentos demográficos que se apresentem, não é o Estado Social que está a arruinar as finanças do país. Nem parece que seja a razão principal.

Basta ver como escorrem mil milhões assim como se fossem água fresca no Verão.

As pessoas não pagaram para as pensões que têm? E pagaram para que brincassem com o seu dinheiro?

Follow the money, dizem sempre nos romances policiais em que morre alguém rico.

IEFP já recebeu mais de 100 mil ofertas para 920 vagas de formadores

Entre os candidatos estão mais de 500 professores dos quadros do Ministério da Educação.

Entretanto, vai-se descascar os números e percebe-se que são menos, só que terá havido quem tenha concorrido a 10 ou 20 lugares e…

… não se distinguem “ofertas” de “candidatos” e é tudo uma forma de enganar o público. Se cada professor do quadro concorreu a 3 ou 4 vagas (o que é pouco para os padrões de qualquer concurso de docentes), isso significa que foram menos de 200 e…

… enfim, siga o circo que isto tudo é fogo de artifício de fim de ano e alguma imprensa ajuda ao folclore…

Sobre aquilo de ontem, vejam-se as propriedades do documento:

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E, claro, só depois de criado é que pode ser colocado on-line. Trata-se de um documento que mente duas vezes ou que antes de o ser – já o era. Mas, que eu saiba, nenhum sindicato piou.

P.S.: Em tempo, d’armani e socas não faria melhor com as datas do seu não-diploma.

O ensino dual alemão é uma maravilha e pode ser importado com ganhos entre nós?

Quiçá…

Em especial se evitarmos (o que é difícil porque os empresários já mandaram dizer que não é exequível o que o MEC quer), coisas como estas:

DualAlemanha2

Mais de metade dos participantes nestes anos (cerca de 60% em 2006) frequentavam escolas vocacionais que não permitiam certificação das aprendizagens ou então não tinham qualquer contrato de estágio.

Ou seja:

The current transition system is both inefficient and costly
Current arrangements to take care of students at risk of leaving the system with very poor qualifications are problem-ridden. The transition system has been characterised by stakeholders as being not a system but a ‘jungle’, with a confusing variety of isolated measures that too often fail to lead to successful outcomes.
On average, transition participants attend 1.3 programmes and spend a total of almost 17 months in the transition system. Often transition system programmes do not lead to a full qualification. Relatively few of those exiting a transition measure immediately begin a training course leading to a full qualification (Beicht, 2009). Only a third find an apprenticeship place and many become unemployed (Baethge, Solga and Wieck, 2007).

O estudo tem 2 anos e é da amada OCDE.

O desperdício? Mais de 2 mil milhões de euros por ano, ou seja metade do anunciado buraco do nosso Estado Social. 5800 euros de custo por aluno (bem acima do nosso) sem qualquer garantia de entrada no mercado de trabalho qualificado.

Os ramirílios contam-nos isso nos seus blogues e na propaganda enviada para a comunicação social?

Claro que não!

A mentira e o engano tornaram-se a sua forma natural de estar.

Exp22Dez12

E quem não está a pagar?

PLURIPAR, SOLRAC Finance, Labicer, CNE (Cimentos Nacionais e Estrangeiros), Domurbanis, MarinaPart, Homeland, Jared Finance, PAPREFU e Zevin Holding.

Todo um grupo de investidores e especuladores ligados à SLN e a offshores de contornos duvidosos que tocam muita gente próxima, em especial, do PSD (que deve ir além dos identificados Oliveira e Costa e Duarte Lima).

No Expresso-Economia vem a lista das dez maiores empresas com dívidas e são recorrentes os nomes de Emídio Catum e Fernando Fantasia, que, nem de propósito, eu já tinha ouvido falar por causa de negócios em terrenos em pontos estratégicos da margem sul, como é o caso dos terrenos para o aeroporto projectado para Alcochete (via PAPREFU, mas também PLURIPAR). As cores partidárias envolvidas e algumas ramificações são, no mínimo, curiosas, mas é melhor ficar por aqui porque estas são matérias que já foram tratados extensivamente por José António Cerejo há anos.

Mas a verdade é que os actuais governantes sabiam disto tudo, não vale a pena negar. Podem dizer que não esperavam buraco tão grande mas muita gente, infinitamente menos dotada para altos voos políticos, sabia das negociatas que rodeavam parte destas empresas e como dependiam de certas decisões. Nacionais e locais.

Neste momento qual a opção política do governo: colocar desempregados, doentes, idosos, crianças e funcionários públicos a pagar os desmandos destes senhores.

E depois a culpa é do Estado Social?

A informação chegou-me há um par de dias por sms amigo.

A propagando em torno do ensino dual alemão proclama o baixo nível de desemprego dos alunos que terminam essa modalidade de ensino.

Parece é que se esqueceram que os níveis de sucesso no dual alemão são baixinhos e que quem não o completa, por ter outras saídas cortadas, vai alimentar um avultado desemprego não qualificado.

Mas a mentira tornou-se o modo de vida dos ramirílios.

Os números continuam a ser lançados como se fossem berlindes com quem as crianças brincam. Agora já estou mais interessado em participar em algo para que fui convidado (se é que o convite se manterá com esta escalada de antagonismo…) ali para meados de Janeiro e que se destina a debater os cortes no Estado Social – ou pelo menos a simular um debate.

Pessoalmente, o meu azedume vai fermentado e, nesses casos, costuma ser servido em ponto de rebuçado.

Corte de 4 mil milhões na despesa não é suficiente

angry-hulk-eye

… sem quartel e a entrar em terrenos que merecem resposta inteligente à altura e não mais do mesmo.

Isto já nem sequer é justificado por qualquer memorando ou qualquer outra coisa visto que:

Saídas na educação permitiram ir muito além do acordado com a troika

Perante isto o que temos em troca:

Governo cria megabolsa de excedentários na Função Pública

Função Pública: Governo vai cortar valor pago aos excedentários

Governo prepara redução salarial da função pública

Isto significa algo muito simples: a Função Pública anda a pagar por todas as ineficiências e incompetências dos governantes em todas as restantes áreas da governação, pela sua capitulação perante a banca e os grandes interesses privados transversais ao Centrão dos negócios.

Ora… isto já entra no domínio do delírio persecutório. Isto já é para além do que é racionalmente admissível a um grupo de tipos que se acreditou terem algum tipo de dignidade política e respeito pelos outros. Vai-se percebendo que não é o caso. O Pedro e o Miguel já sabem que o futuro para eles está assegurado, enquanto o Vítor sempre soube e outros se vão encostando a esses futuros previsiveis em ex-governantes que cumpriram as suas missões, como os que acabam em oportunos consultores ou administradores de grupos que antes tutelaram.

Se as metas foram ultrapassada na redução de funcionários, que razão explica que se continue a pisar nos mesmos, com a passividade de muita gente com responsabilidades – alguns que fariam o mesmo embora digam o contrário como a maior parte do PS – e com a completa ausência de formas de luta minimamente capazes de mobilizar seja quem for para além de uma cenografia ocasional que não intimida seja quem for, pois todos os passos são combinados entre os actores?

Sejam as manifestações arménias ou o soft-power publicamente encornado dos sindicatos da ugt, assim com letrinha pequena, pequenina, quanto mais minúscula mais merecida?

O que se pode fazer quando se vêem os sindicatos passivos ou assustados perante a necessidade de exigir o aperfeiçoamento de uma aplicação informática que se manda preencher em mail mal identificado para uma parte dos professores no activo, diversos aposentados e sabemos lá bem a quantos não chegou?

O que se pode fazer quando as pessoas ficam alvoroçadas e com medo por qualquer pequeno epifenómeno perfeitamente epidérmico, incapazes já de confiar seja no que for e com medo de quase tudo?

O bom senso aconselharia a activa não colaboração com as respectivas tutelas em muitas das medidas que se querem colocadas em prática e isso nem sequer passa por greves.

Nem acarreta uma imensa imaginação. Apenas alguma solidariedade e a não tentação de passar a perna a quem está ao lado. Passa por perceber que quem agora está a ser perseguido e resiste pode não estar a fazê-lo apenas por si mesmo.

Passa por não colaborar, não indo a correr fazer o que lhes mandam, ou dizem que mandam, com medo da avaliação, da chefia, das consequências, das ameaças. Afinal, estes como os outros, acabarão por encontrar a porta de saída, em eleições ou antes delas e é sempre patético cruzarmo-nos com quem, por rara convicção mas mais por muita falta de coragem, se acagaçou e agachou quando se podia ter erguido.

Não porque alguém lhe mandou mas porque isso se tornou um imperativo categórico. E nem é preciso ter lido Kant para alguém se sentir na necessidade de ser mais do que um invertebrado.

Mulheres despem-se integralmente em frente à embaixada egípcia em Estocolmo

E há aqui muita coragem, porque Estocolmo em Dezembro não é o Meco em Agosto.

E isto é muito mais radical do que beijinho em polícia como via para aparecer em revista de jet-seis.

Bom dia,

Deu entrada ontem, no DIAP de Lisboa, participação pelo crime de Atentado à Constituição da República.
A referida participação pode ser consultada em www.mrb.pt – separador actividades, nº5 – ou no nosso sítio do FB (Movimento Revolução Branca).

O Movimento Revolução Branca deseja a todos um Feliz Natal.

Saudações.

Nuno Carrola
(MRB)

Contactos: Paulo Melo Romeira – 932.660.661
           Pedro Pereira Pinto – 934.257.783

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Tem data de 18, mas a 20 ainda não estava lá.

Que eu vi – com estes que a terra há-de comer!

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