Sexta-feira, 21 de Dezembro, 2012


Kid Creole, Don’t Take my Coconuts

Passos Coelho compara situação portuguesa a uma «guerra»

A outra hipótese é que a nova metáfora, ou lá o que é, é tão má ou pior do que as anteriores.

… de quaisquer consequências, como a que foi recompensada com a FLAD e o estatuto de senadora conseguido na base do amesquinhamento alheio.

Saídas na educação permitiram ir muito além do acordado com a troika

(…)

A saída de professores do quadro para a reforma levou a que a meta de redução de funcionários públicos acordada com a troika para este ano fosse largamente ultrapassada, indica-se no relatório da sexta avaliação da implementação do programa de ajustamento, divulgado nesta sexta-feira.

Portugal comprometera-se a reduzir em 2% o número de funcionários públicos mas, na prática, e “devido principalmente às saídas no sector educativo,” a redução foi de 5,1%, explicita-se no relatório.

A parte mais divertida é esta:

No relatório de avaliação da troika revela-se, por outro lado, que está a ser preparada uma forma de monitorizar os resultados das escolas a nível nacional, que incluirá relatórios mensais sobre os objectivos fixados para as escolas públicas e privadas que tenham contratos de associação.

“Com o objectivo de avaliar a sua performance, os resultados de cada escola serão comparados com um ‘valor esperado’ desenvolvido com base nos dados socioeconómicos existentes por escola”, explica-se. “Será um instrumento valioso para adaptar as políticas educativas às necessidades actuais de cada escola, incluindo medidas de poupança”, conclui-se.

Acredito que se esperem milagres…

Mas qual a motivação?

Colaborar com a incompetência, o abuso e o disparate?

Por muito que me preocupe com os alunos, já percebi que a tutela se está borrando para mim, aliás, para a quase totalidade dos professores, incluindo os adesivos para todas as estações e os lambe-botas. Penso mesmo que esse seja o único verdadeiro ponto positivo deste MEC, estar-se nas tintas para todos por igual. MLR ainda dava 30 dinheiros a alguns. Nuno Crato nem à FNE deu…

Rochette nega autoria de proposta de um único agrupamento escolar para Oliveira do Hospital

EDUCAÇÃO | Guimarães vai manter os mesmos agrupamentos escolares

E você, o que ofereceria ao ministro da Educação neste Natal?

Chegavam, a medo, …porque havia anos tinham abandonado os bancos da escola…

A Técnica de Diagnóstico e Encaminhamento fazia-lhes uma entrevista e depois seguia-se o encaminhamento, conforme o perfil de cada adulto e consoante a oferta formativa existente

O profissional acompanha o formando na organização e reflexão sobre as suas aprendizagens e depois passa a ter sessões com os formadores.

Quando, nessas sessões com os formadores, se detetava que não tinham as competências exigidas pelos referenciais eram encaminhados para Aulas de Formação Complementar. E se, mesmo assim, não conseguissem eram encaminhados para outras ofertas formativas. Significa isto que não eram, portanto, “automaticamente” certificados, contrariamente ao que grande parte das pessoas pensa.

Para o 12º ano o adulto tinha de mostrar que dominava uma língua estrangeira. O formador, lia o que ele havia escrito no Portefólio Reflexivo de Aprendizagens e depois discutia, em Inglês, Francês, Espanhol….ou outra língua o texto que o adulto escrevera. Mas se o formador entendesse que o adulto não tinha um domínio efetivo da língua estrangeira não o validava e o adulto era encaminhado para uma formação de modo a ter aulas. Muitos são os que desconhecem estes pormenores e, por isso, desvalorizam o trabalho dos CNO-RVCC.

No Básico, que abrange o 4ª, 6ª e 9ª ano têm áreas como Linguagem e Comunicação; Matemática para  a Vida; Cidadania e Empregabilidade e Tecnologias da Informação e Comunicação.

Para o 12º ano: Cultura, Língua e Comunicação; Sociedade, Tecnologia e Ciência e Cidadania e Profissionalidade.

(saliento, porém que se durante as sessões o adulto não atingir os objetivos , nem nas Aulas de Formação Complementar…é validado parcialmente e irá frequentar um curso EFA – Educação e Formação de Adultos – aulas em regime noturno com horário fixo)

É um processo controlado: tem uma Coordenadora, uma Técnica de Diagnóstico e Encaminhamento, Profissional, formadores e um Avaliador Externo a todo o processo cujo papel é verificar se foram seguidas todas as normas, se todos os procedimentos estão de acordo com o que é exigido por lei. Após essa análise ele, avaliador externo, em conjunto com a equipa que acompanhou o adulto,  estará também presente na sessão de júri onde o formando apresenta um trabalho final. As sessões de Júri são abertas ao público.

 E então…o grande dia: a chegada da sessão de júri: tão esperada e tão temida. Mais que provar algo aos outros era a responsabilidade de provarem a si mesmos que eram capazes de enfrentar mais esse desafio…mais um entre tantos já superados ao longo de uma vida de batalhas. Batalhas árduas..umas ganhas…outas perdidas. Umas com gritos de vitória, outras com lágrimas de sangue! Mas a vida é feita desses momentos de alegria  e dor, é essa a dialética que nos faz Homens, que nos faz crescer.

E no fim, quando o Avaliador Externo se pronuncia, os rostos se sorriem…num sorriso rasgado, os olhos brilham…num brilho de emoção que se quer esconder…em vão…e parece que são já outros, são maiores que antes, porque o são mesmo…são sim…são agora diferentes pois “sabem que sabem” e têm o reconhecimento do seu saber.

Hoje, sete anos depois, olho para trás e vejo o quanto me deram esses homens e mulheres…e sinto que, em equipa conseguimos ,com exigência e rigor, validar e certificar competência-chave fruto de uma vida preenchida de experiência várias…experiências profissionais que vão desde a agricultura à restauração, passando por experiências de emigração, de contacto com outras culturas, experiências que exigem saber ser cidadão, saber ser tolerante, saber estar , saber atuar em conformidade com a situação…então sinto que foram cumpridos os objetivos das Novas Oportunidades.

Tem-se a ideia que o trabalhador português é, de uma forma geral, pouco qualificado. E é-o, formalmente falando. É-o porque não tem um diploma, porém tem as competências, sabe fazer as coisas, sabe desempenhar tarefas que muitos dos alunos com o 12º ano não sabem. Que muitos de nós não sabemos….porque  vivemos para o “nosso Camões”, para as “nossas derivadas” ou para os “nossos combustíveis fósseis ! É que estes adultos além de um percurso profissional , por vezes riquíssimo, têm também, nas empresas, formações várias. Desde Informática até aprovisionamento passando por Higiene e Segurança no Trabalho…

Não têm, isso não, o reconhecimento formal dessas aprendizagens.

São homens e mulheres que não têm os conhecimentos de um aluno do 9º ano ou do 12º ano:têm um saber diferente.

Fica a minha mágoa por saber que ainda há quem não saiba, hoje, o que se faz / fazia nos centros de RVCC.

E o meu lamento, por não ver qualquer caminho delineado, esboçado sequer, para a educação de adultos…

Isabel Martins, Formadora de um CNO em Extinção.

Foto1084

João Chagas (1907), João Franco, 1906-07. Lisboa: Ed. J. Chagas.

… e hesito afirmar que há intermediários de material roubado menos apressados em conseguir o seu

Porque, em boa verdade, o que se trata é de alguém que está na posição de vender o que não é seu, tentando-o quase a qualquer custo e não interessa bem a quem, sendo que a TAP, ao contrário de outras empresas, nasceu como empresa pública, não tendo sido nacionalizada durante o traumático PREC, pelo que esta sanha privatizadora ultrapassa o domínio do ressabiamento e da desforra para entrar no âmago do delírio ou disfunção psicológica de uns quantos.

Chegar quase à conclusão de um negócio desta magnitude, cheio de idas e vindas e contactos de 1º grau confirmados pelo próprio alegado receptador, desculpem, comprador, sem um mínimo de garantias – e olhem que um mínimo de garantias para o passismo-relvismo é quase um mínimo cósmico – mais do que amadorismo configura, em meu escasso entendimento, qualquer coisa a raiar o crime de lesa-Pátria.

Se a TAP custa dinheiro?

Os assessores do Governo também! Com a vantagem da TAP ainda transportar pessoas e mercadorias e os assessores encavalitarem-se em nós.

DN21Dez12

Diário de Notícias, 21 de Dezembro de 2012

Dilma faz apelo para que educação seja ‘obsessão’

Se aprouver, publique-se, para recordar.

Um País de Canalhas

Pensar Portugal.
Nós somos um país de «elites», de indivíduos isolados que de repente se põem a ser gente.
Nós somos um país de «heróis» à Carlyle, de excepções, de singularidades, que têm tomado às costas o fardo da nossa história.
Nós não temos sequer núcleos de grandes homens. Temos só, de longe em longe, um original que se levanta sobre a canalhada e toma à sua conta os destinos do país.
A canalhada cobre-os de insultos e de escárnio, como é da sua condição de canalha. Mas depois de mortos, põe-os ao peito por jactância ou simplesmente ignora que tenham existido.
Nós não somos um país de vocações comuns, de consciência comum. A que fomos tendo foi-nos dada por empréstimo dos grandes homens para a ocasião.
Os nossos populistas é que dizem que não. Mas foi.
A independência foi Afonso Henriques, mas sem patriotismo que ainda não existia. Aljubarrota foi Nuno Álvares. Os descobrimentos foi o Infante, mas porque o negócio era bom. O Iluminismo foi Verney e alguns outros, para ser deles todos só Pombal. O liberalismo foi Mouzinho e a França. A reacção foi Salazar. O comunismo é o Cunhal. Quanto à sarrabulhada é que é uma data deles.
Entre os originais e a colectividade há o vazio. O segredo da nossa História está em que o povo não existe. Mas existindo os outros por ele, a História vai-se fazendo mais ou menos a horas. Mas quando ele existe pelos outros, é o caos e o sarrabulho. Não há por aí um original para servir?

Vergílio Ferreira, in ‘Conta-Corrente 2’

abraço,

LC



Governo discute “assuntos económicos, sociais e políticos”

O triunfo dos porcos ou – ironia do destino – talvez ainda só de alguns…!

Como antecipámos pelo menos desde Agosto p.p. confirma-se:

Não são mais de seiscentas as gamelas manhosamente esculpidas à distância e à medida de outros tantos repelentes focinhos, orelhudos e de olho grande, escarrapachados na miserável legislação socretino-lurdista das reconduções e no vergonhoso lambe-botas à corja reitoral.

Escarrando na cara de todos quanto não trairam o precariado docente, esgueirando-se de Ojectivos Individuais nas patas suínas, prontinhos a entregar os ditos cujos aos magníficos reitores, na mira dos ‘muita bons’ e ‘xalentes’ e, claro, na mira do lugarzito de horário completo sem 1 (um!) único dia de interrupção entre dois anos lectivos, horário não caído do “céu”, mas assim subtraído asquerosamente aos seus colegas do concurso nacional e, mais que tudo, aos processos da obrigatoriedade e universalidade concursais e em igualdade (princípio normativo dos concursos para exercício de cargo público e o último até vertido na Constituição da República Portuguesa).

Enquanto se tratou de ultrapassar, durante 5 longos anos seguidos, contratados/futuros desempregados às resmas na lista nacional usando este expediente ignóbil, estava tudo bem.

A coisa só começou a piorar para as bandas da pocilga quando chegamos à hora da verdade, com o Memorando/Pacto de Agressão a dar os seus primeiros golpes na Escola Pública. Ou seja, quando chegamos ao dia 1 de Setembro p.p. – antecâmara (ainda) benévola dos 1ºs de Setembro que virão.
Ora, neste dia 1 os orelhudos reconduzidos-de-longa-duração começaram também eles (ou a sua maioria) a feder a torresmo e a deitar apressadas contas à vidinha. E com razão…

Ironia do destino, depois de muito fogo fátuo, quatro meses depois, só cerca de 600 de um total de 4.500 destes, serão providencialmente colhidos e salvos da frigideira pelo garfo cratiano. Mas atenção, mesmo assim este MEC cobrar-lhes-á preço laboral altíssimo pelo ‘rescue’. Mas isso não importa agora, pois é assunto entre essas duas despudoradas partes. Que uma à outra se merecem, diga-se de passagem.

Assim, Reconduzidos de Longa Duração (RLD), parabéns, refocilem-se em champanhe, farelos e esterco com essas seiscentas vagazecas à vossa medida.

Mais notai, ‘amigos’, cada uma delas vale bem os trinta dinheiros de Judas.

Nós, geração de lutadores reais e não-virtuais do dia-a-dia, vamos continuar agora ainda com mais força, capinadas e alijadas que foram (finalmente!) essas narcotizantes ervas daninhas, ombro a ombro com verdadeiro precariado docente (agora 50 mil menos seiscentos) – combatendo dia e noite até à exaustão pela menina dos nossos olhos, A VINCULAÇÃO DINÂMICA PARA TODOS SEGUNDO A LEI GERAL DO TRABALHO!

E A LUTA FAZ-SE NO LOCAL PRÓPRIO, NAS ESCOLAS E NAS RUAS – COM PROCESSOS DE LUTA PROLONGADOS E EXIGENTES, PLENÁRIOS, OCUPAÇÕES, GREVES, ETC… jamais com promessas da banha da cobra e truques à Luís de Matos de 3º categoria, jamais mendigando ilusões junto de “instâncias” nacionais ou europeias, elas próprias lacaias do UE, BCE, FMI e fraülein Merkle.

Não faltarão alguns – pseudo xicos-espertos, outros néscios, levianos ou atontanados com o que acabaram de ler – ainda a tentar verrinar, com broca de loja dos 300 em centenária madeira de carvalho, sobro ou castanho: “Mas quem será este raio de Paulo Ambrósio que se auto-denomina de “lutador real e não-virtual do dia-a-dia”?

A todos esses respondo desde já:

1- o meu currículo de activismo militante diário, em prol do sectores do Desemprego e Contratação docentes, – com os respectivos balanços de actividade e processos de luta vitoriosos – que detenho desde 1999 até 2012 em suportes de papel e digital, falam por si. Senhores cesários, pedros, antónios & quejandos: desafio-vos a fazer o mesmo, desde a data em que os senhores iniciaram a docência até hoje, valeu?

2- disponibilizarei esse meu currículo a quem, pelos motivos supracitados, mo pedir – mesmo que mo solicite de modo deseducado e alarve.

IPO, 20/12/2012

Paulo Ambrósio
professor desempregado de EVT presentemente internado por doença prolongada,
sócio do SPGL/FENPROF

Toda a informação sobre o assunto aqui:
http://www.saladosprofessores.com/index.php?option=com_smf&Itemid=62&/topic,20447.new.html#new

goulaodinverno201212

Estava aqui a assistir ao fim-do-mundo-395 quando foi interrompida a emissão.

 

 

 

Sacraste, bleri-fulo!