Medina Carreira e António Ferreira

 

Mais um momento de lucidez a 17.12.2012 na tvi 24, com Medina Carreira que convidou António Ferreira / Administrador do Hospital S. João, para se falar do SNS , neste programa,  de “SNS, um lugar de esperança”, que terá continuidade no próximo primeiro de Janeiro 2013. Polémico e frontal António Ferreira.

António Ferreira disse que a qualidade superior do Hospital S. João se deve aos excelentes profissionais que lá trabalham.

Quanto ao diagnostico do SNS, deve ser visto o público = SNS e mais subsistemas entre os quais a ADSE  o privado entregue aos privados!

Temos aumentado a qualidade/ quantidade de Saúde no nosso País, a nível de vacinação global, mortalidade infantil, longevidade, mortalidade por qualquer causa, somos dos melhores comparativamente à U.E e EUA.

Em termos de qualidade o SNS é muito bom, mas assim, como está, não é sustentável.

Medina Carreira: os sinais exteriores de demoras quer nos hospitais, quer nos centros de saúde, não dão uma imagem de um sistema de qualidade na Saúde.

António Ferreira  disse que os tempos de espera no Hospital S. João em cirurgia e 1ª consulta têm diminuído e não só nesse hospital.

Mas tornar-se-ia necessário flexibilizar horários e criar uma forte mobilidade de Pessoal ao longo do ano, até pelos picos de doenças, p.e.,  no Verão e no Inverno e não só: O que faz sentido, nas hospitais é adaptar a oferta à procura. Será necessário aumentar a produtividade, aumentando por cirurgião o numero de operações a realizar , o que não está a acontecer: 30 cirurgiões do Hospital S. João não fizeram nenhuma cirurgia num ano.

O dinheiro hoje afeto à saúde é suficiente mas está mal rentabilizado.

O SNS presta sem receber dinheiro  serviços de saúde à ADSE.

Os descontos dos beneficiários da ADES são uma mínima parte da despesa, e provocam uma ADSE insustentável: ou a ADSE é sustentável com os descontos ou tem de acabar.

O desconto de 1,5% feito por cada funcionário é 1/4 da despesa da ADSE, 3/4 são financiados pelo OE.

O SNS se bem reorganizado pode vir a incorporar o ADSE.

MC perguntou se os hospitais não estão a ter uma sobrecarga de tratamentos que deveria estar ao cuidado dos centres de saúde. O que se houve pela comunicação social!

AF diz que Portugal tem menos camas de cuidados continuados e paliativos e tem mais camas de hospitalizados agudos. A rede de cobertura da saúde não está bem planeada. Não se pode ter um medico/ cirurgião em “cada esquema”. Os centros de saúde cresceram em muitas localidades unicamente por pressões das autarquias e não por necessidade e -claro – sem a devida qualidade.

O SNS desde 2007 está falido, provavelmente o sistema de saúde em Portugal está falido. O sistema privado não pode continuar em demasiados casos  a ser financiado pelo Estado onde claro, se inclui a ADSE.

Temos hospitais e maternidade ainda hoje, a mais: “é preciso encerrar”.

Muito do que é feito na privado podia  ser feito  no publico: analises, exames e muito mais, que o SNS não teria que pagar aos privados.

Muitos doentes que são operados no privado devem-no ser no público e é possível.

MC , disse ser esquisito o Estado financiar no privado acima do valor de intervenções  e em alguns casos no publico abaixo do custo, tal como AF nos acabou de dizer.

AF disse que no publico, Hospital S. João os custos devem ser reduzidos, sustentando a marca e não propriamente dando lucro como no privado. a função é diferente entre privado e publico.

O absentismo no Hospital S. João é elevado mas já foi muito maior. Não é possível gerir um hospital quando médicos mandam em médicos, enfermeiros mandam em enfermeiros, auxiliares mandam e auxiliares, tendo-se criado uma carreira que unicamente em cada um dos casos anteriores leva a ser Chefe: as carreiras tendem a atingir o lugar de chefe e fica-se chefe.

Interessante e direto AF, tal como sempre foi e é  MC, continuará este programa , por haver muito a dizer em 07.01.2013 com: terapêutica.

 

Augusto Küttner de Magalhães

20.12.2012