Sábado, 15 de Dezembro, 2012


Kinky, Presidente

Un camión escupe smog
una plaga de personas se llamanifestación
la ambulancia pregunta cuál es su misión
si matar al que aún vive
o darle respiración
 
De qué color es nuestro presidente
verde, blanco o rojo es el presente

Ainda estava atarantado com a brilhante prosa de Henrique Monteiro sobre a imensa qualidade de certo jornalismo em relação ao lixo da internet (que ele parece confundir com a sua caixa de correio e com o feicebuque) quando dei com a entrevista fofinha feita a Nuno Crato no Expresso, por ocasião das festividades em torno de uma (meritório) iniciativa do jornal (37 bolsas para alunos universitários).

A entrevista é do melhor, parecendo atapetada à medida para o despejo da nova vulgata do MEC sobre o que disse ou não o PM acerca da co-participação das famílias nas despesas da Educação.

Vai daí e dispara:

Exp15Dez12b

Phosga-se, pá! Isto aplica-se a mim, mesmo à medida. Deturpador e míope.

No ensino obrigatório não se podem exigir (co-)pagamentos! Apesar de tudo o que certos comentadores andaram a espalhar por aí, semanas a fio, e outras fontes deixaram fugir para os jornais.

Afinal, só se forem propinas na Universidade… pois já não é obrigatória… pensamos nós, penso eu, apequenado na minha insignificância bué insignificante. Pois quando é que poderá haver maior co-pagamento pelas famílias na Educação dos seus rebentos depois do ensino obrigatório de 12 anos?

Na Universidade, certo?

Errado!

Pois o senhor ministro garante:

Exp15Dez12

Mas, mas, mas?

Então, então, então?

No que ficamos?

Não pode ser no obrigatório, não vai ser no superior, no que estava a falar exactamente o PM? Nos pós-docs subsidiados?

Agora fiquei estrábico!

stracat

E o mais giro é que o grande jornalismo do jornal de Henrique Monteiro nem deu pela contradição, incoerência, incocoiso, sei lá.

Um tipo já fica feliz por não perder. E ainda por cima a jogar fora é quase como se fosse uma vitória.

Recordemos aqui o estímulo e reconhecimento dado a alunos e professores pelo MEC (ficando nós sem perceber o que diria dos que ficaram pior colocados, mas que há quem pretenda copiar,  ao ponto de ser convocado para…)

Isto quer dizer, acrescenta-se na nota, “que em Ciências estes alunos têm quando muito conhecimentos e compreensão elementares sobre situações práticas, mas não têm domínio suficiente desses conhecimentos; em Matemática, podem conseguir aplicar conhecimentos básicos em situações de resolução imediata, mas não têm domínio desses conhecimentos suficiente para resolver problemas; e em leitura, podem ser capazes de fazer inferência directa, mas não têm fluência suficiente de fazer inferências e interpretações baseando-se no texto”.

Quando a realidade até é favorável, martela-se uma visão (conveniente) de tragédia.

Realmente deve ser chato quererem que copiemos modelos de países (a Alemanha com aquilo dual e a Suécia com o cheque-ensino) cujos alunos apresentam os mesmos resultados do que os nossos em na leitura, quando dispõem de muito melhores condições socio-económicas.

Cf. PIRLS 2011.

PIRLS2011

Porque infelizmente não há resultados para o 8º ano e também não é possível fazer comparações sem ser com 1995.

Portanto, desenganem-se já os órfãos do engenheiro e da MLR porque não podem atribuir, com estes dados o sucesso aos anos da governação socrática.

Sorry.

TIMMSCiencia4

Estranhamente… há países-luminárias dos tempos que correm (Alemanha, Holanda) que estão atrás de Portugal. Mais curioso, Portugal foi o segundo país a evoluir melhor nos últimos 15 anos… ao contrário de outros…

Será que isto não nos deveria fazer pensar, em especial aos que acreditam em exames e comparações internacionais, como o actual MEC e aquele harém que agora rodeia certos conceitos como a liberdade de escolha e o ensino dual?

Estaremos (prestes) a fazer opções profundamente erradas?

TIMMSCienciaEvol4

Lamento a ausência de resultados para os alunos portugueses do 8º ano. Anoto apenas, o colapso de mais um país-luminária neste aspecto (a Suécia).

Ao que parece estamos prontos para copiar os exemplos dos países com reformas de insucesso.

TIMMSCienciaEvol8

… dos funcionários do Estado e dar total tolerância de ponto nos dias 24 e 31 de Dezembro: despacho n.º 15953/2012.

 

… da DREAlg, em consonância com o SPZS.

Que pena não funcionar para outras coisas.

DREALG

Ou o PR a funcionar como garante da estabilidade governamental, uma função que não parece estar consagrada na Constituição, enquanto esquece algumas das que estão, desde logo a do respeito pela dita cuja que alguns tanto abominam.

Já se percebeu que, um dia, sabemos lá quando, quando escrever um prefácio aos seus discursos ou novo volume de memórias, ficaremos a conhecer todas as reservas com que fez tudo isto, como quando assinou de cruz todos os desmandos do engenheiro.

Afinal, a rainha de Inglaterra não era o PGR…

Exp15Dez12

Expresso, 15 de Dezembro de 2012

 

Professores portugueses são dos que têm mais horas de aulas

Bom dia,

Junto envio o email recebido na Escola onde leciono, relacionado com os cursos EFA.
Autorizo a publicação (caso o entenda fazer) do seu conteúdo (…).
No meu entender, o mail contém muita coisa nas entrelinhas… também contém muita coisa nas próprias linhas… enfim, não estou otimista quanto ao futuro…
O protocolo entre a escola e o IEFP está pronto. A intenção formal era começar a formação a 18 de dezembro, mas conseguimos desta vez (…). No entanto parece-me óbvio que as pausas letivas são para ignorar, na prática (já o eram na teoria para estes cursos), futuramente…
Cumprimentos e votos de boas festas 🙂
EFA

GazCaldas

Gazeta das Caldas, 14 de Dezembro de 2012

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