Terça-feira, 11 de Dezembro, 2012


Sky Ferreira, Everything’s Embarassing

Antero23

(c) Antero Valério

  • Ontem, 2ª feira, dia 10, a TVI passou uma reportagem na qual se denunciavam alegados abusos num lar para idosos, tendo-me parecido a mim que não o identificavam. Hoje, dia 11, a inspecção da Segurança Social foi lá e mandou fechar o lar e mais outro do mesmo proprietário. Acho bem, embora envolvesse actividade privada paga pelas famílias, o Estado deve regular estas situações e maus tratos a idosos é das coisas mais repugnantes em termos humanos e sociais.
  • Na passada semana, na 2ª feira, dia 3, a TVI passou uma reportagem na qual se denunciavam alegados abusos de tipo laboral e financeiro num grupo de escolas com contrato de associação com o Estado, com a devida identificação. Hoje, dia 11, ainda nada se sabe da inspecção que se diz ter sido enviada para investigar o caso. Já sei que é complexo, que a matéria é sensível. Mas… quer-me parecer que… coiso e tal.

Estou cansado de dizer que as estórinhas da liberdade de escolha andam contadas pela metade. Há quem ache que pedir que a informação seja disponibilizada de forma transparente é ser contra essa liberdade.

Nada de mais errado.

Apenas desgosto de quem engana para conseguir. No caso da Suécia tem-se ocultado a queda a pique do desempenho dos alunos…

Neste caso são os resultados no 8º ano em Matemática… em que só de 2007 para cá a queda foi suavizada, pois o impacto das reformas dos anos 90 (que alguns gostariam de ver cá replicadas com a introdução do cheque-ensino) foi brutal.

TIMMS2

Mais um estudo interessante… desta vez é o desempenho em Matemática dos alunos do 4º ano que está acima da média e com uma grande subida desde 1995 (calma, não é desde 2007, não se animem os socretinos).

Mais interessante, os alunos portugueses apresentam a maior subida da amostra e estão à frente de países-luminárias do actual MEC como a Alemanha e a Suécia que apresentam ganhos residuais.

Para quem diz mal do nosso sistema de ensino e dos professores, esta deve ser outra comparação difícil de engolir. Anote-se que faltam os dados para 2007, pelo que (como acima escrevi) não atribuam a melhoria a quem não devem. Neste caso, felicitem-se alunos (pelo que fizeram) e professores (por todas as parvoíces que têm aguentado:

TIMMS1

Não me espanta nada que o MEC tenha desvalorizado estes resultados numa atitude absolutamente vergonhosa que desrespeita, repito, o trabalho de alunos e professores:

Em comunicado, o MEC destaca, contudo, que nos três estudos “mais de metade dos alunos portugueses não conseguem ultrapassar o nível intermédio, o segundo mais baixo em quatro níveis”.

Isto quer dizer, acrescenta-se na nota, “que em Ciências estes alunos têm quando muito conhecimentos e compreensão elementares sobre situações práticas, mas não têm domínio suficiente desses conhecimentos; em Matemática, podem conseguir aplicar conhecimentos básicos em situações de resolução imediata, mas não têm domínio desses conhecimentos suficiente para resolver problemas; e em leitura, podem ser capazes de fazer inferência directa, mas não têm fluência suficiente de fazer inferências e interpretações baseando-se no texto”.

JOAQUIM BENITE

 

Desculpem. Não pude estar presente para lhe fazer a minha última homenagem. Sei que milhares o fizeram, felizmente. Muito merecidamente. Mas mesmo assim gostaria de apresentar o meu profundo sentimento cheio de memórias espetaculares de que preciso agradecer-lhe. Um contributo inestimável e contagiante no teatro português. E em particular na dádiva do teatro às escolas, que foi como o conheci, aquele diretor que falava connosco e nos pedia opiniões depois dos ensaios gerais. E nos proporcionava o convívio despretensioso e espontâneo, preenchido de tópicos atuais e recreativos. Como aprendi. E continuarei a aprender, naturalmente…

Às vezes não precisamos de conversar muito para nos conhecermos pessoalmente. Vemo-nos e comunicamos em grupo. Assim foi com o Joaquim Benite. Com a discreta saudação. E às vezes a conversa breve e casuística. Os seus assessores ofereciam-me, em seu nome, o resto da disponibilidade necessária. A Sónia e a sua menina encantadora. O Miguel e os outros. Em equipa, dando a conhecer a arte teatral a muitos meninos e jovens de estratos socioeconómicos problemáticos e a revisitá-la. Antes a preço zero. Numa altura em que as Câmaras podiam apoiar mais iniciativas como as do Teatro Municipal de Almada. O António Assunção a fazer o Monólogo do Vaqueiro numa sala dos barracões da Moinho de Maré. Ator convidado da Companhia. E tantos outros, nas instalações junto à escola primária em Almada. Que os maravilharam. O Dom Quixote. Os Dias Inteiros nas Árvores. Os Dias Felizes. A Mãe Coragem. O Valente Soldado Schweik. O Carteiro de Pablo Neruda. Guerras do Alecrim e da Manjerona. O Memorial do Convento. A Purga do Bebé…eram abertas inscrições para todos os que quisessem alinhar. Batava estar à hora marcada junto ao autocarro cedido. À noite, sobretudo.

Somos um país de atores, escritores, poetas e lenhadores. Aquele escritor que vai talhando nas suas tábuas o esforço e a comoção. Assim é o muito trabalho do sonhador que quer reerguer uma Companhia na periferia de Lisboa, sem se retrair com distâncias e com os “desertos” do sul. O teatro do oprimido. A voz do camponês e de operário. A minoria na maioria. A multiculturalidade. Sempre avante. Sem constrangimentos. E assim nasceu um festival cheio de Teatro que fez de Almada o lado certo instituído e irrevogável. A capital do mundo do Teatro português, ibérico e ibérico-americano. Mas não só.

O nosso Quim que nasceu homem e se imortalizou. Cá continuará.

O meu obrigado.

                                                      Laranjeiro, 7 de dezembro de 2012

                                                               Rosa Duarte

Logo estarei ocupado.

Até amanhã.

Então é assim… os agrupamentos verticais que abrangem todos os ciclos da escolaridade obrigatória têm parte da gestão dos recursos humanos e materiais sob a responsabilidade das autarquias.

Como se plasma (adoro esta expressão da novilíngua) isso com uma gestão privada, em especial em zonas de maior desafeição dos autarcas (pelo menos da boca para fora…) com a iniciativa privada?

Há mais de um cenário, mas o mais realista é aquele que aponta para o desinteresse dos grupos de negócios em gerir redes de escolas do 1º ciclo (por minguadas que estejam) e a enorme apetência por Escolas Secundárias não agrupadas, em especial as intervencionadas pela Parque Escolar… até porque têm meios técnicos assinaláveis e os custos por aluno surgiram adequadamente mais altos no último estudo.

E com a limpeza dos quadros mais caros, por via da aposentação antecipada, até fica tudo muito atractiva para o exercício de uma gestão toda racional.

  • Em quantos países há um escalão salarial de topo de carreira onde não se encontra nenhum docente, mas que é usado para fazer comparações entre o que ganha um professor em início e fim de carreira?
  • Em quantos países, nos últimos 5 anos, a progressão na carreira esteve congelada em 4, mas sendo exigida avaliação do desempenho?

Pró-Ordem não aceita aumento de horas letivas

De acordo com o que é noticiado hoje em vários órgãos de comunicação social e em particular pelo jornal “Diário Económico”, na sua primeira página o «Governo está a preparar aumento de horas de aulas dos Professores». Mais acrescentando que «a ideia é aumentar o número de horas de aulas que passarão para as 27 semanais, com aumento do horário semanal em 5 horas.

Se esta é, de facto, uma proposta do Governo, a Pró-Ordem lamenta que a mesma não tenha sido colocada em sede própria, isto é em sede negocial, e tenha sido “deixada cair” na comunicação social, porventura para “testar” a reação dos diversos parceiros sociais. Esta é uma prática a todos os títulos censurável e que merece o nosso mais veemente repúdio!

De modo a obtermos os competentes esclarecimentos sobre esta temática já oficiámos ao respetivo Gabinete, solicitando uma reunião urgente, com o Senhor Ministro da Educação e Ciência.

Embora este aumento do horário de trabalho surja no contexto do aumento do horário de trabalho de outros trabalhadores da Administração Pública, não se pode de modo algum olvidar as características específicas do trabalho docente, o qual tem exigências próprias que o tornam cada vez mais cansativo e desgastante, v. g. o aumento do número de alunos por turma, o aumento do número de níveis de lecionação, o reflexo da deterioração das condições sócio-económicas dos alunos na escola pública, etc.

O MEC não pode ser insensível a tudo isto e pretender tratar de forma absolutamente igual situações profissionais que são assaz distintas! Nem se venha com o argumento de que os sindicatos do pessoal médico acordaram passar das 35 horas para as 40 horas de prestação semanal; pois tal Acordo foi fundamentalmente uma forma de integrar as horas extraordinárias (que com a revisão do Código de Trabalho diminuem enormemente de remuneração) no horário “normal” de trabalho semanal e, principalmente, implicam aumento no respetivo vencimento mensal. Além de que, a adesão a esta nova modalidade é completamente voluntária!

Face aos muitos milhares de professores que têm sido compelidos a aceitar aposentações antecipadas e com penalizações e perante mais uma leva de pedidos de aposentação (já que em 2013 as condições serão ainda mais gravosas), ao que tudo indica, o Governo pretende sobrecarregar com mais horas de trabalho os docentes no ativo, em vez de proceder a novas admissões para os quadros o que poderá ter como efeito deixar de contratar cerca de 15 mil novos docentes, além de provocar o aumento de “horários zero” (obrigando professores efetivos a “concorrer” para longe, face à espada de dâmocles da famigerada “Mobilidade”).

Perante a gravidade destas sucessivas retiradas de direitos laborais a Pró-Ordem exorta a Classe a que se (re)una e convida, abertamente e sem sectarismo, todas as Associações Sindicais, Pedagógicas, Científicas e Cívicas – ligadas à profissão Docente – para uma primeira reunião/reflexão conjunta, para a qual desde já disponibiliza a sala de reuniões da sua Sede Nacional.

Lisboa, 11 de dezembro de 2012

Pela Direção

O Presidente

Filipe do Paulo

Aqui o relatório. Parecendo que não, até nem estamos assim tão mal quanto se anuncia.

PIRLS1

E isto é tanto mais notável quanto Portugal está entre os países onde os alunos dispõem de menos recursos do que a média em casa.

PIRLS4

Se calhar, se calhar, os professores e as escolas não serão assim tão maus/más… a menos que seja o Divino Espírito Santo que consegue um desempenho bem acima da média com meios domésticos inferiores à média.

E nesse caso penso que ficarei a ganhar com qualquer aumento “oficial”. Quero que todo o meu trabalho com alunos seja considerado lectivo, pois é disso que se trata. Neste momento já são 26 as horas que tenho desse trabalho.

O trabalho em pequeno grupo com alunos com NEE, quando têm níveis de desenvolvimento e competência muito distintos implicam a preparação de materiais de diversos níveis e um acompanhamento que acho ridículo que seja considerado não lectivo.

Não estou a defender privilégios ou direitos adquiridos (isso é para quem recebe subsídios porque trabalhou em 2011 no privado ou para quem é convocado para ir passear à Alemanha à nossa conta).

Os rosalinos e outras espécies menores de refundadores do alheio que por aí andam não aguentariam meia dúzia de semanas.

 

Governo prepara-se para aumentar carga lectiva dos professores

(…)

O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, manifestou, em Novembro, a intenção de rever a organização e tempo de trabalho na Administração Pública, à qual os professores não deverão ficar isentos. A intenção já foi confirmada pelo secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, na última reunião com os sindicatos, na passada quinta-feira. “O tema da organização e duração do tempo de trabalho é um tema que o Governo quer discutir com os sindicatos. O Governo está a reflectir sobre essa matéria e há o compromisso de até Fevereiro apresentar dados ou potenciais acções da reforma do Estado”, disse o governante à saída do encontro.

Percebem agora porque o modelo de gestão e de relações laborais é o mesmo do do Governo e do MEC, tendo pouco a recear de…?

Rendas baixam, IMI sobe, inflação sobe, impostos sobem, rendimentos descem

Estamos de facto a caminho da pobreza absoluta. E não temos alguém pelas “politicas seja opositoras ou de governabilidade” que fale com principio, meio e fim. Todos falam, falam e nada dizem! Claro que não podemos gastar dinheiro à toa em consumos inúteis. Claro que já passou o tempo de “ter” mais e melhor que o vizinho.

Claro que já passou – e ainda bem  – o tempo de trocar de carro de 2 em 2 anos, de moveis no fim de cada ano,  de tudo o que ainda estava bom e utilizável, e trocava-se por ser bonito trocar. E os bancos emprestavam dinheiro para tudo e aliciavam o empréstimo! Todos incentivaram a fazê-lo! Convém não o esquecer.

Mas, hoje, e então em 2013 será dramático, faz-se tudo ao contrário só para ser o contrário de antes e sempre sem explicações, sem consistência, sem principio, meio e fim.

A Alemanha deve olhar para nós e pensar-nos como “tolos”! Andámos a desbaratar dinheiro que nem nosso era, e agora não lhes conseguimos saber explicar – nem cá dentro nos explicamos  – que vamos ordenada e organizadamente ter cuidado, atenção onde e como gastaremos dinheiro. E que vamos ter que saber apostar na economia, no progresso, no desenvolvimento.

Sem mais loucuras como as feitas pelo Senhor da e na Madeira – com o beneplácito de todos os Presidentes e PM´s do Continente –  como tanta autoestrada – cá –  sem automóvel, com estádios de futebol  (cá) – totalmente desnecessários.

Mas se a ideia de fazer ao contrário é única e exclusivamente baixar, baixar, baixar, tudo.  Só para mostrar que sabemos esganar-nos! Vamos de mal a pior.

Os rendimentos das Pessoas baixam a cada dia que passa. As pensões/reformas não só as elevadas, todas, baixam a cada dia que passa e baixarão mais em 2013. Os rendimentos do trabalho seguem exatamente o mesmo percurso – publico e privado. Exceto para uns quantos privilegiados de sempre – não são os ricos – , não, são uns Intocáveis.

O que acontece não é só – e ainda bem, se só o fosse – o consumo desnecessário acabar. Acaba tudo. Quem é inquilino, recente, não de há décadas, tem que baixar a renda que paga ao senhorio se não , não paga. E tantos inquilinos se juntam por não poderem ficar cada um em sua habitação arrendada. Claro que já nem se fala em comprar habitação própria.

Isto tudo implica que senhorios – não ricos, não ricos, – em que as rendas sejam complementos de reformas/pensões ou rendimentos de trabalho, têm cada vez menos dinheiro, pagam cada vez mais impostos por rendimentos mais baixos. Mas o IMI valoriza-se dado que o Estado valoriza o que na pratica se desvaloriza. A inflação sobe quando o dinheiro, os euros, na nossa carteira são cada vez menos.

Os rendimentos da classe média baixa, média/média e média alta, descem – a pobre já esmagou –  a cada tempo que passa, mas os impostos sobem ao segundo. E assim vamos rebentar.

E assim não vamos fazer crescer o País.

Mas ninguém quer encarar isto de frente. O Governo é teimoso no suicídio de 95% da população deste já pobre país – claro que comparativamente ao Mundo até estamos no patamar dos s ricos! . As oposições que só sobrevivem opondo-se, opõe-se para se opor vivendo da oposição.

A outra oposição está instalada entre se opor e governar pelo que está tudo bem enquanto assim estiver.

E o país morre, as pessoas afogam-se e nada cresce…….é mau!

Augusto Küttner de Magalhães

Dezembro de 2012

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