Domingo, 9 de Dezembro, 2012


Fun Lovin’ Criminals, Korean Bodega

Conheço o Marques Mendes, é pequenino.

Primeiro exemplo: o Papa não disse nem escreveu pela exclusão do burro e da vaca do Presépio, apenas que tal não estava referido na Bíblia; mas que os aceitava.

Vai daí, os da CS – em vez de referirem a notícia – deitaram-se a interpretá-la na sua falta de urbanidade, são sumos nisso; e o resultado foi a mentira.

Pior, os adeptos da Coca-Cola do Pai-Natal, quais coristas NO a tentarem fingir de bloquistas bicefalóides, fizeram o resto.

Porque mente a CS?

Plano da troika leva a corte inédito na despesa com comida

  • Lideranças com os contactos certos para canalizar meios.
  • Professores e funcionários amestrados.
  • Alunos das classes perigosas do lado de fora.

Pois claro… não há-de haver quem goste. Criticar porquê?

Ministros da Europa pedem fim de cortes nos gastos sociais

(…)

Até o comissário europeu László Andor confessou que nos últimos dias visitou Portugal, Espanha e Itália e encontrou “um misto de desespero e confusão”. E Sérgio Aires, o português que preside à Rede Europeia Anti-pobreza, recebeu ontem dos delegados que assistiam ao encerramento da convenção a maior ovação do dia: “Queremos que os governos sejam mais honestos em relação às verdadeiras causas da pobreza e tenham coragem de as enfrentar. Fechem os paraísos fiscais, parem com os cortes nas despesas sociais [e] não combatam a pobreza só com caridade.”

Cambada de esquerdistas!

Não era necessário assumir com tanta clareza que querem que António Costa permaneça na CML!

Relvas promete votar em Fernando Seara para a Câmara de Lisboa

Nem o beijo da mulher-aranha sabe pior…

charlie-brown-argh

Ainda no Público de hoje vem uma peça sobre os cenários para novos cortes na área da Educação, com diversos depoimentos.

O do deputado Seufert (elevado a porta-voz do CDS para uma matéria que não domina, sendo mais eco de alguns assessores do que de outra coisa…) é especialmente curioso, pois decidiu fazer desviar a atenção dos cortes para o 1º ciclo e o ensino superior, sabe-se lá porquê… depois de terem sido desviadas verbas do Básico para as Universidades…

Quanto ao resto ficam aqui as minhas declarações completas.

Sobre cenários de cortes:

Partimos do princípio distorcido de que estes cortes são mesmo indispensáveis e que o seu valor é aquele que foi enunciado sem demonstração. Assim como partimos da aparente inevitabilidade de que os cortes em áreas sociais são um imperativo e não uma opção ideológica.

Os cortes suplementares anunciados para a área da Educação, em acumulação com os feitos anteriormente, ameaçam colocar-nos a níveis de há 30 ou 40 anos atrás em termos de peso no PIB e, neste caso, não se trata de investimento valores absolutos mas de opções dentro da distribuição orçamental.

Poupanças de tal magnitude não podem ser feitas sem efeitos muito graves no funcionamento do sistema educativo pois nenhuma das opções apresentadas como mais óbvias (propinas, racionalização da gestão, cortes nos apoios aos alunos) não conseguem atingir valores substanciais, pois já está tudo a funcionar perto dos limites.
Claro que a tentação vai ser a redução de tudo o que tenha a ver com encargos com pessoal, aliás na sequência do que vem a ser feito desde meados da década anterior.

A degradação das condições de trabalho do pessoal não docente e dos professores, empurrando os mais velhos para aposentações antecipadas, bloqueando a progressão salarial dos que estão a meio da carreira e a precarização dos mais jovens e dos contratados, com sobrecarga horária, é a solução mais evidente para quem considera que os professores são um encargo orçamental.

Acredito também que as alternativas curriculares para os alunos com dificuldades de aprendizagem serão reduzidas ao mais esquelético, visto já ter este Governo e este MEC demonstrado que consideram estes alunos um problema a resolver, mesmo que seja removendo-os de qualquer percurso regular.

Sobre os impactos sociais dos cortes:

Os impactos sociais destas medidas são enormes porque as escolas, apesar de todas as críticas que lhes possamos fazer, são as instituições sociais que mais de perto lidam com os problemas e carências das crianças e jovens que nelas encontram algum equilíbrio para a instabilidade emocional e material em que caíram muitas famílias e grande parte do país.

Para muitos é na escola que têm algum conforto, incluindo o alimentar. É onde ainda têm alguma voz e algum papel e onde lhes é ainda transmitida alguma esperança num futuro que diariamente é negado a muitos dos adultos que formam as suas famílias.

É desesperante ver como muitos miúdos se vão apercebendo que os nossos governantes os consideram e ás suas famílias um encargo a reduzir ou eliminar, reduzindo todo o tipo de apoios sociais aos grupos mais carenciados, enquanto continuam sem tocar em outros grupos de interesses.

É real a sensação de desorientação e de ausência de perspectivas que muitos alunos demonstram cada vez mais nas aulas e no seu comportamento nas escolas.

Mais cortes nas escolas em tudo o que envolve a mera transmissão de conhecimentos só agravará fenómenos de exclusão social, de desafeição em relação ao funcionamento da democracia e de descrença no valor de uma participação cívica construtiva na sociedade.

De forma resumida na edição em papel e de forma extensa online, o provedor do leitor do Público aborda o tratamento jornalístico das questões suscitadas pela entrevista de Passos Coelho à TVI no que se refere ao eventual co-pagamento pelas famílias das despesas com a Educação.

Compreendo toda a peça e os argumentos esgrimidos, só lamentando que não se explicite de forma mais clara (embora aqui e ali a coisa surja à superfície de forma ténue) o facto evidente de a opacidade (uso o termo aplicado por José Queirós) do discurso de Passos Coelho resultar não necessariamente de uma inabilidade, mas sim de uma vontade deliberada de lançar a confusão e a discussão para depois acertar posições sobre o tema.

Como escrevi aqui no blogue na altura, parte do que ele (não) disse está em conformidade com o programa ideológico que o seu círculo político restrito professa (basta ver como o co-pagamento é há muito tema de comentários e de propostas), embora não negue que a forma como esse programa se expressa resulta de muita ignorância na matéria.

De qualquer forma, é meu humilde entendimento que o provedor do Público poderia ter mais em atenção o contexto em que surgiram as declarações e como se encaixavam em tudo o que se ia debatendo, não isolando as declarações do PM como se tivessem surgido no vácuo. No Público e fora dele, as pessoas reagiram ao que sabiam ser uma investida encoberta numa matéria que estava em discussão por aqueles dias e nas semanas anteriores. Não reagiram a algo inexistente.

No Público de hoje temos uma longa prosa de Maria de Lurdes Rodrigues (também disponível online) que até faria sentido, caso não tivesse sido ela a abrir todas as portas que o actual Governo está a escancarar.

Não vale a pena disfarçar, foi durante o seu mandato como ministra da Educação que se criaram as condições objectivas para a maior parte do se está a passar agora, em especial na sanha incompreensível com que ofendeu toda uma classe devido a remoques com as coisas sindicais. Podemos dizer que os actuais governantes são mais ousados e escassos em pudor e no assalto feito ás escolas públicas mas… cara presidente da FLAD, a culpa original é sua, em virtude do prolongado esforço de demolição dos alicerces do edifício, e não adianta agora clamar que há fogo no buraco.

Um tipo não se torna homem (ou mulher) de Estado só porque ocupa um lugar qualquer por nomeação manhosa ou eleição oportuna.

Em boa verdade, ser reconhecido como homem (ou mulher) com sentido de Estado é que deveria levá-lo a ser justamente nomeado ou eleito.

SP_A0154