O Público traz hoje um longo dossier sobre o ensino dual e a aparente impossibilidade de existir um tecido empresarial capaz de formar 100.000 jovens de acordo com o modelo importado da Alemanha.

Em defesa do modelo, surge um artigo de opinião de João Paulo Oliveira, gestor. O título é “Será que 1,4 milhões de pessoas estão erradas?” remetendo para a soma de todos os alunos do ensino profissional na Alemanha.

Ora… se há argumento que dificilmente possa ser usado por este governo em tal matéria será este, pois foi sua bandeira a crítica às Novas Oportunidades por ser um programa que apostava só na quantidade dos formados e não na qualidade da formação. Se existe um programa que propagandeia bacalhau a pataco, não admira que acorra muita gente. Não é por aí que lá chegamos.

Por isso, não chega apontar o sucesso da iniciativa algures, apontando os seus números como trunfo. Interessa saber se existem condições entre nós para o replicar. Ora… parece bem que não como se demonstra nas peças informativas. Desde logo porque o próprio MEC ainda não parece ter decidido se este modelo dual (ou vocacional ou lá como se vai chamando a cada semana que passa…) é para aplicar aos alunos repetentes logo a partir dos 12-13 anos, se apenas no Ensino Secundário.

Eu sei que o cronista em causa não é do MEC, mas… é bom que a argumentação do dual à força nãop passe por essa vereda estreita.