Terça-feira, 20 de Novembro, 2012


Hoje:

Amanhã:

… os serviços públicos forem tão ou mais competitivos quanto os seus concorrentes privados? Na Saúde temos visto as derrapagens que acometeram certas parcerias público-privadas em hospitais entregues a grupos empresariais.

Nas estradas e outras infraestruturas, as PPP tornaram-se verdadeiros sorvedouros de dinheiros públicos.

Agora percebe-se que na Educação os encargos com a rede pública estão longe de defraudar os contribuintes.

Isto não é defender o monolitismo estatal. É apenas defender verdadeiramente o mercado e o liberalismo. Querem ser empreendedores? Não se encostem!!!

Apesar de não desgostar das conclusões, muito pelo contrário, acho que foi demasiado tempo para a coisa em si. Com os dados e uma folha de cálculo, isto demora pouco a fazer: RelatorioEstudoMECCusto.

Anote-se que este é o relatório ao qual deve ser apensa a adenda incluída em post abaixo.

Entretanto, este estudo junta-se ao de Tribunal de Contas e a mais outros elementos informativos muito pouco favoráveis a certos interesses.

E só falo daquilo a que assisti e em que participei. Não vou referir coisas por ouvir dizer ou achar que.

Há alguns meses, um especialista sueco que veio a Portugal a convite do FLE (Mats Björnsson) demonstrou como as reformas do sistema sueco produziram uma maior desigualdade e segregação educacional, bem como foram a par de uma queda acentuada do desempenho dos alunos nos testes do PISA.

Há duas semanas estiveram entre nós dois especialistas (Margaret Raymond e Simon Steen) que, apesar de conhecidos apoiantes da liberdade de escolha e da privatização do ensino, fizeram comunicações e apresentaram textos que nos levantam reservas sobre a experiência das charter schools nos EUA em termos de desempenho dos alunos. No caso holandês ficou claro que as escolas com gestão privada não podem obter lucros.

Ou seja… há que repensar modas

As reformas de sucesso se calhar não serão assim tão bem sucedidas.

Até que ponto estamos em condições de entrar em aventureirismos apenas porque há grupos de interesses à espreita de uma fatia do orçamento do MEC?

E até que ponto deve a opinião pública (e os próprios governantes armados em liberais) continuar a dar ouvidos a quem diariamente vilipendia a escola pública com argumentos falaciosos e sem fundamentação empírica?

Adenda: não deixa de ser curioso o silêncio sobre este estudo em outros “espaços”… muito rápidos a tentar demolir e anunciar co-pagamentos e coisas assim… 👿

… que tem  a projecção dos custos já com a “recuperação” de um subsídio: AdendaEstudoMECCusto.

A mim, as coisas parecem-me bem claras e nem sequer merecem profunda reflexão. Havendo oferta pública bem mais barata… andamos exactamente a contratualizar para pagar o quê?

Uma inconfidência de pessoa amiga de pessoa que estudou a coisa: “os contratos são um grande negócio” (citação de memória, que elimina outros detalhes).

Não são todos, quero desde já ressalvar, mas há quem ande a viver muito bem graças ao empreendedorismo encostado ao Estado.

Afinal de contas a versão final do estudo apenas segue as metodologias correntes nos países de referência, como aqui me fartei de documentar há uns tempos.

O facto de terem andado aqui comentadores (emílias ramirílias e rio d’oiros mijadoiros) a ofender-me e chamar-me de tudo um pouco não altera a realidade.

Agarrem nos numerosos relatórios existentes nos States e aprendam a fazer as coisas.

A Associação dos Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo considerou hoje que o estudo encomendado pelo Ministério da Educação para apurar o custo real dos alunos no ensino público fica “muito afastado da realidade” por eliminar parcelas de despesa.

Ganda nóia!

Alunos do básico custam menos ao Estado no público do que no privado

(…)

Os dados aqui citados são os referentes ao modelo 7, que inclui a educação de adultos, mas não diferencia as duas modalidades do ensino secundário (regular e vocacional). Segundo o relatório, só com esta não diferenciação é possível estabelecer “uma proporção directa entre os custos por turma, a carga lectiva actual e a carga lectiva futura” na sequência da revisão curricular. Mantendo este pressuposto, mas retirando o ensino para adultos, que nos colégios com contratos de associação apenas representa 11%, o custo de uma turma no básico é de 70.648 euros, subindo no secundário para os 91.421 euros.Quanto ao custo médio por turma, não as separando nem por ciclo nem por modalidade de ensino, situa-se nos 86.333 euros, sendo o custo médio por aluno de 4011 euros. Estes dados dizem apenas respeito às escolas públicas.

No relatório do TC, o custo médio por aluno em 2009/2010, nestes estabelecimentos, foi calculado em 4415 euros. Segundo os autores do estudo hoje divulgado, é de admitir que o custo médio por turma a que se chegou esteja “sobrestimado”.

E quase menos 20%… é dinheiro!

Por mim, começava já a racionalizar os lucros da malta que anda a mamar demais…

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