Ministro admite mais saídas de professores

O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, admitiu, esta sexta-feira, que nos próximos anos deverá haver necessidade de menos professores, face à redução da taxa de natalidade.
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O argumento da natalidade é uma treta que serve de chapéu de chuva para ocultar muita outra coisa. Há evidente desonestidade intelectual nesta fundamentação que não explica outras medidas. E não há ramirílios que consigam esconder o que é óbvio, a continuação de uma atitude de desafeição e ostensiva degradação das condições laborais dos docentes.
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Aquela entrevista ao Sol sempre quis dizer o que lá estava, bem como os anúncios mais recentes sobre os ensinos duais, vocacionais e profissionais se relacionam com medidas destinadas a limpar mais uns 10-15% daqueles que fazem parte da profissão mai’linda e de que se afirmava contar com todos.

E não há que enganar. Agora o objectivo é empurrar o máximo de gente para a aposentação ou infernizar-lhes a vida, obrigando-os a andar de escola em escola, ou de centro de emprego em politécnico para se conseguirem horários completos.

O pior está para chegar, com políticas ainda mais activas e ostensivas para desvincular professores dos quadros do MEC, em especial os mais caros.

Vincular só se for em regime de total mobilidade e encravados para sempre no escalão de ingresso na profissão. Mão de obra a preço de saldo, com a permanente ameaça de existir um exército de desempregados à espera de um lugarzinho.

E ainda há palermas entusiasmados com as tretas do novo ciclo de avaliação…

(mas há que compreender que em tempos até um candidato à liderança do maior sindicato de professores alinhou em ser avaliador, por se sentir sem alternativa, portanto…)