Sábado, 17 de Novembro, 2012


Cowboy Junkies, Sweet Jane

Tenho recebido alguns mails a perguntar que saída podem ter os docentes que, por terem sido avaliadores com observação de aula em ciclos avaliativos anteriores, agora são quase obrigatoriamente avaliadores externos com base no artigo 2º do despacho normativo 24/2012.

Apesar de existir uma resposta-padrão que, apesar de algumas nuances, não vem agora aqui ao caso, gostaria de deixar já aqui exposta uma situação que acho particularmente vulnerável e passível de pedidos de escusa devidamente fundamentados e que é a dos docentes do 4º escalão que já foram avaliadores.

Porque são obrigatoriamente avaliados com aulas assistidas (artigo 18º do decreto regulamentar 26/2012) e podem vir a ser avaliadores externos ao abrigo do despacho normativo 24/2012.

O que é manifestamente caricato, para não dizer outras coisas. E acho que dificilmente se poderá exigir a alguém que esteja dos dois lados de uma situação, desempenhando na sua escola o papel de avaliado e em outras de avaliador no mesmo processo.

E este é só um detalhe a acrescentar a todos os problemas, incongruências e insuficiências que o pessoal do Ad Duo vai encontrando e sistematizando sobre esta ADD III.

E reparem que nem estou a falar da imoralidade de uma avaliação do desempenho que não serve para nada, enquanto o congelamento durar e nada prevê que a duração tenha termo.

A menos que venha a ser o critério para deitar borda fora os docentes que Nuno Crato agora afirma existirem em excesso,

… é esvaziar as Secundárias da zona.

Politécnico de Beja, o novo edifício custou 6 milhões de euros e não tem alunos.

Ministro admite mais saídas de professores

O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, admitiu, esta sexta-feira, que nos próximos anos deverá haver necessidade de menos professores, face à redução da taxa de natalidade.
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O argumento da natalidade é uma treta que serve de chapéu de chuva para ocultar muita outra coisa. Há evidente desonestidade intelectual nesta fundamentação que não explica outras medidas. E não há ramirílios que consigam esconder o que é óbvio, a continuação de uma atitude de desafeição e ostensiva degradação das condições laborais dos docentes.
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Aquela entrevista ao Sol sempre quis dizer o que lá estava, bem como os anúncios mais recentes sobre os ensinos duais, vocacionais e profissionais se relacionam com medidas destinadas a limpar mais uns 10-15% daqueles que fazem parte da profissão mai’linda e de que se afirmava contar com todos.

E não há que enganar. Agora o objectivo é empurrar o máximo de gente para a aposentação ou infernizar-lhes a vida, obrigando-os a andar de escola em escola, ou de centro de emprego em politécnico para se conseguirem horários completos.

O pior está para chegar, com políticas ainda mais activas e ostensivas para desvincular professores dos quadros do MEC, em especial os mais caros.

Vincular só se for em regime de total mobilidade e encravados para sempre no escalão de ingresso na profissão. Mão de obra a preço de saldo, com a permanente ameaça de existir um exército de desempregados à espera de um lugarzinho.

E ainda há palermas entusiasmados com as tretas do novo ciclo de avaliação…

(mas há que compreender que em tempos até um candidato à liderança do maior sindicato de professores alinhou em ser avaliador, por se sentir sem alternativa, portanto…)

Estamos numa profissão do Estado, logo… fazem o que entendem!

Isto é como colocar o chefe do circo a garantir que não há malabarismos nem palhaçadas…

Relvas nega que tenham sido pagos subsídios a ‘boys’

hoje eu sei
   és a luz
   que nasceu dentro de mim
   um calor que seduz
   faz-me ficar sempre assim

   sempre à espera que me queiras abraçar
   faz-me acreditar

  • As escolas privadas com contrato de associação acham-se injustiçadas e exigem que o MEC faça um estudo sobre o custo por aluno? O MEC acede, manda fazer o estudo e entrega a coordenação a um antigo presidente associativo das ditas escolas privadas. Ao fim de algo tempo, alguns arautos começam a espalhar a mensagem de que o estudo tem conclusões convenientes para os encomendadores e que há que redireccionar os dinheiros gastos com as escolas públicas.
  • Os politécnicos apresentam problemas sérios de sobrevivência, rarefacção de matrículas e cursos sem procura? Aparecem uns grupos de trabalho com gente politécnica bem colocada e começa logo a falar-se em sacar o ensino profissional das escolas secundárias para os politécnicos.
  • Há problemas no financiamento das Universidades e cortes que colocam em causa o seu funcionamento? Deslocam-se verbas do ensino básico e secundário para minorar os cortes e manda-se anunciar isso por dois deputados reconhecidamente especialistas no assunto.

Em resumo… os bombos da festa são sempre os mesmos e uma educação não-superior pública já muito sacrificada e amputada serve de mealheiro de recurso para tudo o que dá jeito.

Uma coisa era um tipo queixar-se das exigências exógenas do Min. Finanças, outra coisa é ter de lidar com um MEC de costas viradas para tudo o que não toca directamente nos interesses particulares dos decisores ou seus ajudantes.

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