Sexta-feira, 9 de Novembro, 2012


Robbie Williams, Candy

Ensino Oficial, Ensino Convencionado e Ensino Privado

“Maldito seja quem se nega aos seus nas horas apertadas” (Miguel Torga).

Perante uma aparente apatia das escolas oficiais confrontadas com a acção concertada do ensino privado com contrato de associação (para o qual a lei estabelece condições que nem sempre são cumpridas), estão grande número daquelas escolas do país transformadas em verdadeiros elefantes brancos com instalações luxuosas quase vazias de alunos e com professores com horários zero que fazem pairar nuvens negras sobre o seu futuro.

Mas será que se tornou tabu discutir esta temática com todos aqueles que o deviam fazer e o não fazem? Ou seja, uns tantos políticos ou até professores das actuais escolas secundárias oficiais parecem esquecidos do papel heróico e digno de personalidades que deram um estatuto de grande qualidade e honorabilidade aos antigos liceus de que se tornaram herdeiros directos. Como, por exemplo, no caso do Liceu Pedro Nunes de Lisboa, professores como Rómulo de Carvalho e alunos como Nuno Crato, e tantas outras e ilustres personalidades daí saídas que pontificam em numerosos aspectos da sociedade portuguesa.

Apesar deste “statu quo”, ainda há escolas oficiais que tudo fazem para sobreviver à tona de água da verdadeira mediocridade que inundou o ensino em Portugal. Casos de sucesso dos ensinos oficial, privado e convencionado contrariam essa mediocridade. Como mero exemplo, ditado pela posição de destaque ocupada no ranking nacional de escolas oficiais em função da média das notas de exames nacionais do 12.º ano, o caso da Escola Secundária Infanta D. Maria, de Coimbra. Sem esquecer, e muito menos desconsiderar, muitas outras escolas sob a tutela directa estatal das margens do Mondego ou de todo o território nacional.

Tomando para mim uma citação de Edgar Morin, faço o seguinte apelo: “Peço que me ataquem frontalmente, me julguem pelas minhas ideias e não por aquilo que queriam que fossem as minhas ideias”. Isto é, a minha defesa em prol das escolas oficiais não significa, de forma alguma, um ataque às escolas privadas convencionadas. A cada uma delas o seu papel específico para não se tornarem as escolas públicas numa espécie de vazadouro de alunos que por elas optam como última escolha e não como eleição deliberada de tempos de glória ainda na memória colectiva dos portugueses.

Mas grande parte desta polémica, que está longe de ter chegado ao fim, se reduz a uma coisa tão simples como branco é galinha o põe: dever ser o ensino privado com contrato de associação uma alternativa ao ensino público inexistente numa determinada área e não mera satisfação megalómana de carteiras familiares pouco abonadas que gostam de blasonar terem os filhos a estudar em colégios.

Não considerar esta situação é transformar uma parcela importante do ensino privado sem subsídios estatais num barco em perigo de se afundar numa época de crise económica por não se sujeitar a perder o seu estatuto de independência ao não aceitar uma situação dúbia de não ser peixe nem carne. Reduzir esta questão ao binário ensino privado convencionado/ensino oficial é marginalizar o ensino privado independente dos dinheiros públicos com tradição valorosa e cimentada no panorama do ensino nacional.

Contrariando um exagerado pessimismo da alma lusitana, de que receio me ter feito intérprete, Almada Negreiros deixou-nos lampejos de esperança: “Os dias terríveis são, afinal, as vésperas dos dias admiráveis”. Mas que cheguem rapidamente esses dias admiráveis em benefício da sociedade portuguesa fustigada por ventos constantes de mudança que em nada ajudam o equilíbrio emocional da sua juventude e prejudicam o seu rendimento escolar!

Rui Baptista

… quando vejo as baratas tontas de cada um dos lados a espernear… em comentários seguidos… sendo que ambos disparam para alvos inexistentes… ou convenientemente treslidos.

Emilia Pestana Diz:
Novembro 9, 2012 at 7:26 pm e

#16

Dr. Paulo

Quando ocorrer a passagem da teoria à prática (isto é, a “liberdade de escolha”) vai perceber rapidamente que, mesmo os alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE) e respectivos encarregados de Educação, não vão ter dúvidas quanto ás opções a realizar.

O Dr. Paulo entrincheirou-se nos NEE para fazer a defesa da Escola Pública (tal como está – mediocridade até dizer basta). Mau sinal. Muito mau sinal. Significa isto ter-se esgotado o arsenal de que dispunha.

Já se nota o odor a pólvora seca…

J.O.Matos Diz:
Novembro 9, 2012 at 7:39 pm e

Abra a pestana, D. Emília. O Dr. Paulo está do seu lado. O projecto de escola dele é o dos States. Ainda ontem o disse: “quem nos dera ter escolas financiadas com capitais privados, como nos EUA”. Claro que os alunos com NEE’s ficam para a escola pública. Não são um negócio rentável. Abra a pestana, D. Emília.

… e estariam safos, porque se arranjaria uma forma qualquer de retirar uma função das escolas básicas ou secundárias…

Bem… cá para mim ainda vão obrigar os professores a fazer mestrados pagos para… ai… é melhor calar-me…

Em cada cidade com universidade pública, ao meio dia desta sexta-feira, haverá um reitor a explicar à comunidade que as instituições estão asfixiadas e não aguentam mais cortes. O discurso é comum a todos. “Portugal perderá se asfixiar as suas universidades”, avisam.

Se o estudo sobre o custo por aluno, encomendado pelo MEC, só foi entregue esta semana, segundo declarações do excelentíssimo senhor secretário de Estado, como é possível que um comentador neste blogue tivesse anunciado as conclusões por aqui há quase três meses (foi a 20 de Agosto…)?

Terão sido as conclusões – de acordo com as regras do método científico pós-moderno – elaboradas com avanço?

Não esqueçamos ainda que enquanto o relatório do Tribunal de Contas foi feito a pedido do Parlamento, o que o MEC encomendou resultou de uma exigência dos interesses económicos instalados no sector.

Estou ainda muito curioso com a forma como cada um dos elementos do grupo de trabalho colaborouna sua elaboração, até porque se anunciou que desempenhariam “a sua missão a título gratuito, [tendo apenas] direito ao reembolso das despesas com transportes e ajudas de custo necessárias ao desempenho da mesma, cujos encargos serão suportados por este Gabinete”. Estando, portanto, fora daquele grupo que beneficiou dos 16 milhões de euros para fazer estudos e pareceres.

A partir do Arlindo:

Reparem que sobre a vinculação, perante a aparente inabilidade da pergunta, a resposta acaba por ser vazia de conteúdo substantivo, não adiantando nada de especial.

Os “horários anuais” são, obviamente uma figura de estilo, um recurso retórico para enganar, pois muitos contratos foram terminados antes do final dos anos lectivos em virtude das novas regras e outros foram apresentados como sendo mensais, embora renovados ao longo do ano.

Mas não foi inventado here, que é um anglicismo paupérrimo, diga-se de passagem.

E é uma das poucas compensações no meio da insanidade.

Vê-los regressar, mesmo não existindo obrigação ou ligação formal.

O ocasional (mas tradicional) berro ou ríspido raspanete nunca foi perdido ou dado por prazer sem sentido.

Apenas lhes dou alguma liberdade, algo que nem toda a gente atinge, muito menos consegue replicar.

Em troca sempre pedi – apenas (?) – responsabilidade.

Chegou hoje, por correio, à minha escola, como as restantes comunicações do Tribunal, porque o senhor assistente achou por bem não usar a morada do meu domicílio, embora esteja disponível sem qualquer tipo de confidencialidade.

Já tinha conhecimento do sentido da decisão, mas a forma e o conteúdo são especialmente animadores para quem ainda acha que vale a pena acreditar em alguma coisa.

O meu lamento e compreensão para todos aqueles que, quase sempre na sombra, faziam força para que acontecesse outra coisa. Sorry, suckers!

O Arlindo afirma que para a semana a máquina de spin do MEC lançará cá para fora o estudo sobre o custo médio por aluno e interroga-se se o estudo não terá sido apressado por causa do relatório do Tribunal de Contas.

Eu não sei se terá sido apressada, se não andará a ser atrasada a sua divulgação, tamanhos os sinais que desde Setembro existem sobre as antecipadas conclusões (aquelas que já se sabiam ser antes de o serem). O despacho de nomeação não referia qualquer prazo.

Julgo é que o estudo será divulgado de modo a preparar o terreno para a tentativa de implementação de medidas para as quais o estudo funcionará como suporte alegadamente técnico para medidas políticas que não se conseguem assumir como marcadamente ideológicas, preferidno uma cortina de fumo numérica para a opinião pública em tudo semelhante às dos tempos socráticos, porque os nossos políticos padecem, em número assustador, da mesma maleita.

O que espero? Não apenas um press-release, mas a divulgação de todo o estudo, fontes usadas e metodologias adoptadas para que se possa fazer um adequado escrutínio.

E, em seguida, perceber se o MEC e o Governo fizeram a encomenda certa às pessoas certas. Eu penso que sim, pois nestes casos (quase) ninguém arrica conclusões inconvenientes.

“Precisamos de refundar o regime e rever a Constituição”

O economista e conselheiro de Estado Vítor Bento defendeu, na noite de quinta-feira, numa conferência em Coimbra, a necessidade de “refundar o regime e rever a Constituição”.

Muito interessante a reacção de Margaret Raymond quando lhe disse a dimensão das nossas “unidades de gestão” em Educação. Quando lhe disse que íamos em “unidades” bem acima dos mil alunos, com escolas bem distantes do centro de decisão, o espanto foi evidente pois tinha acabado de dizer que a dimensão das melhores charter schools de Nova York andam pelos 560 alunos.

O conselho dela foi, e cito, para que as serrássemos ( to saw).

O respeito que na Holanda se tem pela Constituição e pelas suas opções, com 100 anos, em particular no que se refere à Educação. São opções diferentes das nossas mas a atitude é interessante pois consideram-se erradas as tentativas para a alterar apenas por motivos ideológicos.

Marques Mendes saúda visita de Merkel e revela parte da agenda

Semanas a preparar a coisa, os assessores formais e informais a saturarem-nos com conversa da treta sobre as imensas possibilidades do sistema dual alemão e agora dizem que não é para copiar, mesmo tendo ido assinar um memorando de entendimento à Alemanha gastando dinheirinho à malta.

Agora vai adaptar o modelo.

Não se percebe nada. Ou percebe-se.

Se ainda podemos falar da coisa como ensino vocacional, se é novamente profissional.

Se é para aplicar desde o 2º ciclo aos repetentes, se é apenas para o Secundário e para deslocar alunos para os Politécnicos e safá-los do destino dado às escolas básicas.

Tudo parece uma imensa deriva confusa, ao sabor dos conselhos ocasionais de consultores interessados em safar o seu lobby particular.

Não vale a pena estar a fingir. Nada disto é feito em prol dos alunos. Nada.

Quanto ao argumento dos custos… então usem sempre marca branca quando vão às compras.

O distanciamento entre Governantes e Governados

 

Por vezes teremos que pensar, se quem nos governo, mesmo que o chefe tendo sido eleito democraticamente, sabe sentir, o que uma Pessoa dita normal sente.

Se sabem o que é andar no meio de outros iguais cidadãos às compras no supermercado, na fila do autocarro ou do comboio, no simples café da esquina, no posto de abastecimento low cost de combustível.

Para os não pretendermos imaginar extraterrestres, nem só muito “más pessoas”, talvez tenhamos que ter que imaginar que todos estes pequenos/grandes problemas, de nós “ditos” normais, lhes passam totalmente ao lado.

Ou, pior, sai insensíveis a todas as realidades comezinhas que desconhecem, destes estafermos, de nós, ditos normais.

Pelo que, podem continuar a fazer os seus grandes ensaios teóricos de gabinete com ar condicionado de governação, e mesmo que não resultem, persistir no mesmo caminho. Depois chegam ao carro com motorista e privilegiadamente são conduzidos a outro bom local de bem-estar. Não é possível nunca entenderem que esmagar tudo e todos – exceto os próprios e os seus – por teimosia, obstinação, arrogância, em seguir o caminho teórico que engendraram nos tais bons gabinetes, é a solução. Não é, nunca será, a não ser para os próprios.

E num aperto destes como o que estamos a viver – sofrer- no meio de tanta falta de humanismo, já não dá para se prosseguir o folclore interminável de ministros de quem se não entende o percurso académico, mas é assim porque é assim. Está determinado, está por eles decidido.

E, de outros que nem ministros são, que ganham rores de dinheiro à custa do erário publico, que nos falam como os senhores do mundo, de toda a razão e verdades, como se do seu quintal e não do nosso país, estivessem a cultivar.

Por certa esta é a via ideal para empobrecer até ao limite o País e 90% da população, desde que lhes não retire mordomias, vencimentos, automóveis, motoristas, bem estar, e aos seus.

A vontade obcecada de fazer o que os livros – aqueles que os lerem, nem todos os fizeram, muitos desde calções que tudo aprenderam nos jardins das partidarites – trazem, mesmo que no imediato a pratica demonstre o inverso, é obsessão/compulsiva, teimosia, arrogância.

A falta de uma presença equidistante, lucida, pronta de outros órgãos de soberania eleitos democraticamente, é evidente. O nada fazer, o deixar correr, o aparecer em inoportunidade, leva ao desespero de quem acha que em tudo e passou o limite do bom senso e da razoabilidade.

Como é evidente errar é humano, mas insistir voluntária, arrogante e orgulhosamente nesses erros, será loucura, ou total desprezo por quem não está em lugares cimeiros, e por quem não há respeito.

Logo a respeitabilidade por quem se julga acima, está em total e abrupto declínio, só os próprios não querem entender, para não perder espaço, mordomias, poder e conforto. No mínimo é gravíssimo!

 

Augusto Küttner de Magalhães

 

(c) Dick Browne