Servem para, numa promiscuidade total em matéria de interesses envolvidos, quebrar todas as regras éticas imagináveis e exercerem-se vinganças pessoais e de clique.

O desvario vai culminar, a andarmos assim, em charruadas colectivas.

A deslocação do ensino profissional para os politécnicos, com a alegação da falta de condições das escolas secundárias, depois de se mandar parar a construção de laboratórios e outros equipamentos nas escolas secundárias é vergonhosa. Uma coisa era travar os luxos da Parque Escolar, outra fazer isto.

Continuo a afirmar – e cada vez vou recolhendo mais pistas – acerca dos interesses particulares inscritos em certas encomendas feitas, assim como repito que julgo existir em torno do governo, e dos partidos que o formam, a instalação, alimentada com o erário público, de grupos de pressão interessados em desmantelar o aparelho de Estado para se poderem servir a si e às clientelas que representam. Com a manta de assessorias e peritagens especializadas.

Claro que nada disto é novo.

Mas continuo a estranhar que ninguém persiga a pista do dinheiro em estudos e pareceres numa época em que proclama a necessidade de contenção e empobrecimento dos outros.

O que será que receiam encontrar? Rostos concretos? Não apenas empresas?

A olho nu, a partir da província, sendo estranho a tertúlias políticas e académicas, consigo ver com clareza uma parte ínfima do que se está a passar.

Porque será que quase todos os outros fingem que nada se está a passar?

A herança clientelar da entourage do engenheiro não pode justificar o que se está a passar à vista de todos.

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