Quarta-feira, 7 de Novembro, 2012


Charlatans, The Only One I Know

(sim, quase parece Stone Roses)

… afinal o MEC já não precisa de todos, apesar da vinculação, digo, do concurso extraordinário, os professores mai’lindos?

Professores com horário zero poderão ser contratados para o sistema dual

O ministro da Economia garantiu hoje no Parlamento que os professores com horário zero poderão ser contratados para o sistema dual.

Ando há uns tempos a avisar para esta armadilha estendida pelos borginhos e ramirílios

Não falo por falar.

O ensino que separa rapazes e raparigas

Fui tão conciso nas declarações sobre esta forma de ensino pseudo-diferenciado, que foram integralmente reproduzidas…

“Do ponto de vista do desempenho, é possível que se obtenham melhores resultados com este modelo, mas em termos sociais é um evidente retrocesso para conceções de ensino típicas de um tempo que se pensava ultrapassado”, diz o professor Paulo Guinote, autor do blogue A Educação do Meu Umbigo, que analisa o modelo como um recuo com os olhos postos sobretudo nos Estados Unidos. Um retorno, na sua opinião, de uma “ideologia que tem mais de puritanismo e conservadorismo do que propriamente de preocupação com a educação diferenciada e que recusa a coeducação – agora com um argumentário revisitado e adaptado aos novos tempos em que a performance é o critério mais exaltado”.

“O principal argumento é exatamente o de se conseguirem melhores resultados com um ensino segregado, disciplinado e exclusivo, em que os potenciais focos de desconcentração estão reduzidos a um mínimo e em que, ao contrário do que se afirma, o ensino é mais homogeneizado, porque dirigido, de forma separada, a públicos menos diferenciados”, refere Paulo Guinote.

Tenho 2 turmas de Português (regular e PCA) e 3 de História (regulares e PCA), mais um grupo de alunos com NEE a que dou apoio, com três níveis bem diferenciados de aprendizagem.

 O que significa que, mesmo com reutilizações, mercê do acordo ortográfico e novo programa de Português, é necessário produzir sete tipos de materiais de apoio para as aulas. Sempre que cometo um erro, um deslize (gralha, falta de uma linha para a resposta, numeração que se automatiza sozinha) fico meio desconsolado, até porque são coisas que os alunos levam para casa e dezenas de encarregados de educação podem verificar. E porque nenhuma dessas falhas passa impune pois poderão distrair-se com muita coisa, mas os alunos encontram logo as nossas desconformidades.

Tudo isto para dizer que não percebo bem como é que, num processo negocial entre MEC e sindicatos, com tanta gente especializada e perita envolvida, a papelada navega com tão evidentes equívocos. Isto para não falar na cólidade legislativa.

 

Continuo sem entender a missão dos professores facilitadores que, para além de o serem, chateiam os outros para que também o sejam. Felizmente não é comigo. Iriam logo com muito que contar e material de sobra para testemunharem acerca do meu péssimo feitio. O que é muito diferente de ser complicativo.

A proposta do MEC, já divulgada em diversos blogues, fica aqui em duas versões estranhamente discordantes: PropostaMEC5Nov12 (colhido no site da FNE, mas que também está no site do Sindep/Fenei, que passa por ser a versão fidedigna ) e PropostaMEC5Nov12b (Blog DeAr Lindo, que entretanto já afirmou que esta versão foi alterada, só que é ela que contém a legislação efectivamente aplicável).

No site da Fenprof hoje ainda não se encontra nada no espaço sobre as negociações.

Até agora não escrevi sobre o assunto por manifesta falta de pachorra e por achar que alguém anda a brincar connosco.

Eu explico-me. Se o documento que o Arlindo publicou me parece legítimo, até pelas marcas que tem de envio e recepção, o que está nos dois sites sindicais parece-me uma brincadeira de Halloween, apesar de se dizer que é a versão corrigida.

Vejamos:

Refere legislação completamente abstrusa logo no artigo 2º:

b) Preencher os requisitos previstos no artigo 22.º do Estatuto da Carreira dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 139-A/90, de 28 de abril, na redação do Decreto-Lei n.º 42/2012, adiante designado abreviadamente por ECD;

Vamos lá por partes…  o decreto-lei 42/2012 não tem nada a ver com o ECD… pelo que não se percebe o que é exactamente este documento que FNE e Sindep divulgam…

Para além disso o nº 2 do artigo 2º refere:

2 – Aos candidatos que se apresentem ao procedimento previsto no presente decreto-lei não é aplicado o n.º 7 do artigo 22.º do ECD.

O que remete para um artigo e um nº que, por sua vez, remete para a alínea f) do nº 1 do referido artigo que não é revogado. O que é parvo, pelo menos para um leigo em leis pois o que me parece ter lógica é não aplicar a regra inicial e não a que remete para ela (cf no decreto-lei 270/2009, o mais actualizado a, no site do MEc, trazer o tal artigo).

Mas isto sou eu a ser picuínhas com a cólidade das leis…

Em seguida o documento publicado pelo Arlindo tem dois artigos 5ºs (sendo as formulações diversas sobre as condições da obrigatoriedade de concorrer) e o dos sites sindicais oficiais apenas um, o que realmente configura alguma correcção.

Perante isto nem me apetece chegar a comentar o que se passa nos polémicos artigos 6º (ingresso na carreira) e 8º (apresentação ao concurso interno, que também contém diferenças entre os dois documentos).

Para ser possível sabermos ao que andamos é preciso que as coisas sejam claras e transparentes. Não é o que se passa com algo que se tornou, de forma bem óbvia, um circo em que os palhaços tristes são, infelizmente, os professores contratados.

Prometo que retiro este post se me explicarem que estou a ver isto mal ou, em alternativa, se chegarem a acordo sobre qual é o documento que efectivamente é válido sobre este assunto.

Página seguinte »