Sexta-feira, 26 de Outubro, 2012


Prince, Sign o’the Times

… numa Secundária do Médio-Alto Alentejo onde ainda há aulas de substituição. identidades omitidas por razões processuais e eventualmente judiciais:

Caros colegas da Área Curricular de Educação Física e Desporto (com conhecimento de alguns outros  – privilegiados – amigos/companheiros/palhaços deste estabelecimento escolar):

Na sequência do documento que acabo de receber, constato que acabamos de ser promovidos a uma nova categoria de profissionais nesta nossa casa, os “ACOMPANHANTES DE ALUNOS DESOCUPADOS”…
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Proponho assim, em primeira mão, um conjunto de atividades altamente aliciantes que, estou certo, irão convencer os referidos alunos a optar, sempre que possível, pela nossa companhia em detrimento de qualquer outra opção disponível na mesma data e horário:
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1. Serviço de CLAQUE/CHEERLEADING, como estratégia de motivação de quaisquer outras turmas que estejam a fazer VERDADEIRAS aulas de Educação Física nesse momento;
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2. Apoio no serviço de JARDINAGEM (limpeza de ervas indesejadas nos campos desportivos), PINTURA (marcação de campos exteriores), CARPINTARIA (arranjo das tabelas de basket exteriores) e SERRALHARIA (ajuda ao Sr. Pé-Leve na soldagem de postes, balizas, etc, na sua oficina móvel);
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3. Realização de “TESTE DE COOPER adaptado“, com duração e intensidade adequada à condição física e equipamento desportivo da turma em questão. Proponho, como critério mínimo de sucesso, a capacidade de passar os 90′ a dar voltas à pista, sem parar, à velocidade de “devagar, devagarinho, parado”…
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4. Treino de uma COREOGRAFIA DANÇADA, para exibição na “Récita de Gala” da Tuna (no 1ª Dezembro) e no “ESecundária (…) em Palco” (no final do ano letivo), de forma a que todos os encarregados de educação (pais e avós babados) possam apreciar o magnífico resultado, com altíssimo valor pedagógico, das horas passadas na nossa companhia…
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5. Prática intensiva, cronometrada, visando diminuição dos tempos gastos pelos alunos na prática da modalidade desportiva recentemente criada pelos horários atualmente em vigor: o “EQUIPA E DESEQUIPA EM 5 MINUTOS“. No que respeita aos praticantes do sexo masculino, poderemos aplicar uma especialização na componente do parte do “esfrega, lava, apanha o sabonete” – eliminando, sempre que desejado, a parte do referido sabonete, que seria então substituído por gel de duche – com óbvias implicações na salvaguarda da integridade física das partes baixas (obviamente, quem quiser insistir no sabonete, está à vontade… quem somos nós para criticar as opções dos nossos alunos ;o )
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6. Enchimento de bolas “à boca”, para desenvolvimento da capacidade cardiopulmonar… Que se lixe a bomba elétrica, isso é fácil demais!!
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7. No caso de se verificarem condições climatéricas adversas, proponho o treino de DANÇAS TRADICIONAIS e/ou DANÇAS DE SALÃO no polivalente da escola, com música em alto e bom som, para animar os restantes docentes e pessoal operacional que se encontrem, de momento, verdadeiramente desocupados (a beber o cafezinho, chazinho, etc)… Tendo em conta que na 6ªf à tarde não está prevista qualquer atividade na escola (docente ou discente), o que faz com que seja uma autêntica tristeza deparar-se com tamanho desaproveitamento de oportunidades de ocupação de tudo e todos, proponho que sejam realizadas “matinés dançantes“, de forma a motivar todos os elementos da comunidade escolar a esta nova forma de “SER Escola Secundária (…)”!!!!!
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Como é natural, estou verdadeiramente ansioso e expectante no que respeita às inovadoras propostas e sugestões que irão seguramente surgir por parte dos nossos colegas de infortúnio, a cumprir pena de “acompanhamento de alunos desocupados” no espaço da Biblioteca!
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Em primeira análise, ocorrem-me desde já algumas propostas tão aliciantes quanto as nossas, como alinhar os livros através de critérios absolutamente absurdos mas inovadores, como “cor das lombadas”, “altura do livro”, “quantidade de pó acumulado”, etc… Mas outras propostas melhores surgirão, inevitavelmente!!
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Agora, na verdade, o que me questiono é se, após tantas proposta de alta qualidade, passaremos a ser considerados (pelos nossos colegas que ficaram isentos desta benesse e pelos alunos da nossa instituição), meros acompanhantes ou subiremos a um novo patamar de excelência, o de “ACOMPANHANTES DE LUXO”??!!
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E pronto, termino esta minha missiva dando por muito bem OCUPADO este tempo que dispendi na sua elaboração e partilha convosco…
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Bem haja! Sinto-me realizado… mas, acima de tudo, SINTO-ME Escola Secundária(…)!!

E ainda não bebi nada hoje… LOOOOL!!

P.

Anteontem apanhei os ministros muito sorridentes

Crato com um sorriso sonso, Portas com um sorriso phosga-se e Relvas com o sorriso do “estou-te a topar”.

Foi-me pedida eventual revisão do texto, mas o prazer de toda a prosa desaconselhou-me, pelo que aqui fica:

“Se fosse fácil era para os outros” de Rui Cardoso Martins.

 

O romance mais recente de Rui Cardoso Martins –  Setembro de 2012 – Se fosse fácil era para os outros” que nos faz, fazer, uma com viagem com 5 homens pelo outro lado do Atlântico, contando-nos o que lhes vai acontecendo, o que pensam de cada um e dos outros, o que acham que se passa em simultâneo do lado de cá – pontualmente – viajando mentalmente ao passado.

 

Com cenas sérias, e referências históricas e outras – cenas –  cheias de humor.

A “vida” vivida que Rui Cardoso Martins. uma vez mais nos bem romanceou, como de resto sempre nos tem – bem – habitado.

Vale, muito, ser lido.

 

Augusto Küttner de Magalhães

21 Outubro 2012

… muitas decisões passam por opções política a que se colocam cosméticas estatísticas.

Afinal, construir os estádios do Euro 2004 foi uma opção racional do ponto de vista económico-financeiro?

Nacionalizar o BPN foi uma decisão economicamente racional? Não se revelou um sorvedouro de dinheiros públicos e um negócio ruinoso em que a própria CGD se viu envolvida à força?

Ou privatizar empresas do sector energético, estratégicas para alguma autonomia nacional? Os lucros pontuais gerados na operação compensarão a médio prazo?

E como estes casos há muitos outros.

Números, quando são usados de uma forma sofista, com comparações entre realidades dificilmente comparáveis, na base das médias, prestam-se a todas e mais algumas análises, em especial com dados que já não correspondem à realidade presente e apresentam páginas e páginas de ressalvas metodológicas.

É uma ferramenta interessante, mas tão só isso. Não a deitaria fora, mas não a ergueria como argumento definitivo num debate.

O essencial passa por opções de tipo político-ideológico.

Muito acertado.

Custo médio vs custo marginal

Isto pode ter o seu interesse, mas, outras considerações à parte, tem muito pouca utilidade no que diz respeito à resolução da questão que lhe deu origem. A verdadeira pergunta que interessava responder, assumindo que é a minimização dos custos para o Estado que preocupa cada um dos lados, é: um aluno cujo ensino no privado deixe de ser subsidiado pelo Estado e que, por esse motivo, opte por frequentar uma escola pública, quanto custará a mais ao erário público? Ou seja, o custo que importa apurar não é o custo médio, mas antes o custo marginal. E o custo marginal, suspeito, será em boa parte dos casos muito inferior ao custo médio por aluno.

O custo médio por aluno nas escolas públicas estava, em 2009/2010, nos 4415 euros. Nos colégios com contratos de associação situava-se nos 4522 euros. Os cálculos foram efectuados pelo Tribunal de Contas (TC) e os valores divulgados na quinta-feira, mas a utilidade, como reconhece o próprio tribunal, é praticamente nula.

Afinal, Relvas não é assim tão bom

No caso da Lusófona (já saiu o relatório da inspeção), em circunstâncias semelhantes às de Relvas – entre 120 e 160 créditos atribuídos – foram cerca de 350 os processos avaliados pela Inspecção Geral de Educação, tendo-se concluído que cerca de metade (48,6%) concluiu o curso em menos de um ano, havendo até registo de um caso em que se atribuiu a licenciatura em 24 horas, três casos de alunos que tiraram o curso em 20 dias, oito entre três a seis meses e ainda 11 de entre um a dois anos, segundo o relatório.

Ora, a classificação fica assim:

1º Lugar: um anónimo, em 24 horas (a prova da lentidão nas Secretarias)
2º Lugar: 3 anónimos, em 20 dias (a Secretaria estava de férias)
3º Lugar: 8 anónimos, entre 3 a 6 meses (já eram 8, fez-se fila na Secretaria)
4º Lugar: cerca de 170 anónimos, em menos de 1 ano (usaram a net, não foram à Secretaria)
5º Lugar: Relvas e mais 10 anónimos, entre 1 a 2 anos (esqueceram-se de ir buscar o papel)

Leal Conselheiro

Uma ligeira correcção ao quadro. Em Portugal, actualmente, o número de anos para chegar ao topo da carreira não é de 34 mas infinito. E o valor máximo (actual 10º escalão, índice 370) não se aplica.

Teachers’ salaries
Annual statutory salaries in public institutions, minimum training
Equivalent USD converted using PPPs

À laia de contraditório, por parte do advogado do demónio, ou seja, do tipo que é louco o suficiente para me prestar apoio jurídico.

A FUNÇÃO PUBLICA NÃO PAGA IRS

A relação entre os encargos mais altos e mais baixos nos EEPC.

Como se explica tal disparidade, muito, mas mesmo muito acima da diferença entre escolas públicas e privadas com contrato de associação?

De acordo com certas lógicas ramiras e emílias de racionalidade económica da gestão, a partir de que valor se devem anular os contratos de associação? Sempre que sejam mais altos dos que os praticados nos estabelecimentos públicos ou quando superarem a média das escolas com contrato de associação?

Uma pista… há 44 estabelecimentos que gastam, em média, mais de 4600 euros e 49 que gastam mais.

Se estabelecermos nos 5000 euros por aluno (acima da média do ensino público com tudo incluído) ainda há 25 dos 93 EEPC (cerca de 27%) do total.

Vamos fazer cortes cegos?

Não acho bem, mas… a lógica do corte a eito não é minha.

 

Vejamos (pp. 13-16 do relatório do TC):

Foi apurado um valor médio do financiamento por aluno nos estabelecimentos de ensino particular e cooperativo (EEPC) com contrato de associação de 4.522€ em 2009/2010, variando entre 4.656€ na Direção Regional de Educação do Centro (DREC) e 4.253€ na Direção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo (DRELVT). Por EEPC o valor mais baixo regista-se na área de abrangência da DRELVT (3.063,67€) e o mais elevado na Direção Regional de Educação do Norte (DREN) (10.883,53€).

(…)

Considerando apenas a execução orçamental por agrupamento de escolas/escola não agrupada, apurou-se um custo médio por aluno de 3.890,69€. O custo médio no 1.º CEB é de 2.299,80€ e no 2.º e 3.º CEB e ensino secundário é de 4.648,21€.
A análise por NUTS II revela que a região Centro apresenta o custo médio por aluno mais elevado (4.307,59€) por oposição à região do Algarve, responsável pelo valor mais baixo (3.627,55€), verificando-se um diferencial de 680,04€ por aluno entre as referidas regiões.

Em qualquer aritmética normal isto significa que a diferença é (tomando teoricamente a comparação com os contratos de associação como aplicáveis apenas a partir do 2º ciclo) é de 126 euros mais no ensino público.

O que é que foi usado para maximixar a diferença? A contabilização de outros encargos da seguinte forma:

Para o conjunto de agrupamentos de escolas/escolas não agrupadas e adicionando as despesas das escolas de ensino artístico, as despesas com pessoal suportadas através de contratos de execução, a subvenção específica para o FSM (constante do OE) e deduzidas as verbas do desporto escolar, foi apurado um custo médio por aluno de 4.415,45€, sendo o custo relativo ao 1.º CEB de 2.771,97€ e o correspondente aos 2.º e 3.º CEB e ensino secundário de 4.921,44€.

Se é legítimo entrar em conta com estes valores quando não se entra em conta com tudo o que não é especificado para a realidade dos contratos de associação?

Talvez…

Mas…

Temos a seguir uma frase que provoca diferentes interpretações:

Ponderar a necessidade de manutenção dos contratos de associação no âmbito da reorganização da rede escolar.

Os meus escassos dotes interpretativos levam à interpretação literal de que só se pondera a manutenção de algo quando há a hipótese séria de essa manutenção não fazer sentido num quadro de reorganização da rede escolar que implica o fecho ou fusão de escolas públicas, enquanto a rede privada com apoio permanece intocada.

Admito outras leituras.

E há a questão do imenso diferencial entre os encargos com os contratos na área da DREN e os feitos na área da DRELVT. Não seria aonselhável, nesse caso, acabar com contratos que. em média, custam mais do triplo de outros?

Mas… se, depois de tudo comparado, incluindo o que a rede pública é obrigada a oferecer em termos de diversidade de ofertas educativas e integração de todos os alunos que a procura, a diferença é a apresentada… cai pela base a teoria de que a gestão de tipo privado é muito mais eficaz.

Até porque nem sequer é feita uma análise comparativa entre a antiguidade relativa dos corpos docentes dos dois tipos de estabelecimentos de ensino.

Nem são analisadas as contas dos estabelecimentos de gestão privada, mas apenas o montante do financiamento público.

Já agora… acho muito útil analisar estes números, contextualizando-os, e não os recusar (como acontece em relação aos rankings) como ferramentas de trabalho, só porque nem tudo é perfeito.

É um enorme pontapé na cabeça de alguns sobredotados. Clicar na imagem para aceder ao relatório que terá justificado a necessidade de encomendar, com dinheiros públicos, a um grupo de trabalho privado, um contra-estudo que se espera, agora, venha a surgir para equilibrar as evidências.

Eu bem tinha avisado as criaturas emílias que até Novembro muita coisa se saberia. E não seria agradável para os lobbys que se instalaram na órbita do MEC, falseando a realidade para defender interesses que lesam o tal interesse nacional que se evoca só em alguns casos.

174. O custo médio por aluno nos estabelecimentos de educação e ensino do MEC ascende a 4.415,45€, sendo o custo médio relativo ao 1.º CEB de 2.771,97€ e o correspondente aos 2.º e 3.º CEB e ensino secundário de 4.921,44€.
175. De mencionar que o custo médio apurado, referente ao ano escolar de 2009/2010, não deve ser considerado para anos subsequentes, atendendo ao contexto de contenção da despesa pública que se verifica nos últimos anos e que terá impacto em apuramentos análogos, nomeadamente em resultado de:
a) Reduções salarias ocorridas em 2011;
b) Aplicação de um imposto extraordinário aos subsídios de Natal de 2011;
c) Suspensão dos subsídios de férias e de Natal em 2012;
d) Evolução do número de aposentações;
e) Reorganização da rede escolar determinada em junho de 2010;
f) Novas regras de organização curricular dos ensinos básicos e secundário;
g) Diminuição das situações e das horas de redução da componente letiva;
h) Aumento do número de alunos por turma;
i) Alteração à constituição dos agrupamentos (incluindo as escolas secundárias).

To all emilias we haven’t loved before…

Agora se percebe o nervosismo, a antecipação, a ejaculação conclusiva precoce, típica de borginhos  e relvettes.

TC aconselha Crato a rever contratos com escolas privadas

Num colégio financiado pelo Estado, um aluno custa mais 107 euros que numa escola pública.

(…)

Ora o relatório conclui um aluno que frequenta um colégio privado com contrato de associação custa por ano, em média, 4.522 euros, enquanto um aluno na escola pública representa 4.415,45 euros por ano. Ou seja, 107 euros de diferença. Uma diferença que aumenta para 631,31 euros quando deixam de ser consideradas as despesas das escolas de ensino artístico e as despesas com pessoal.

E o mais complicado é que nas escolas de gestão pública era assim ainda antes dos cortes salariais e de subsídios.

Mas a sério, o estudo encomendado ao ex-Presidente do Conselho Coordenador do Ensino Particular e Cooperativo é que vai colocar tudo nos eixos e provar o que deve ser provado, por necessidade necessária.

Como é sabido, o TC só é rigoroso quando critica a obra e desmandos dos governos anteriores.

Passos Coelho cria nova Secretaria de Estado para as privatizações

 

j’agnele, une chose comme ça, avant boff