Sábado, 20 de Outubro, 2012


Mary Jane Girls, All Night Long

The Postal Service, We Will Become Silhouettes

Ouvem-se rumores. Com a escolta que o MEC anda a ter já nada me espanta que ainda o declarem universal, que é a forma mais eficaz para acentuar desigualdades em nome do contrário. Já o expliquei várias vezes e por escrito. Não carece de repetição para já.

Via Arlindo.

Fica aqui: PropostaVincExtraord.

Desde que se fala na coisa já houve tempo suficiente para fazê-la mais aprimorada. Quanto aos costumes… eu diria que as declarações do SE Casanova de Almeida sobre a estabilidade dos eventuais vinculados choca frontalmente com o que está inscrito no artigo 8º.

Em articulação com o artigo 10º é a admissão clara de que a vinculação extraordinária apenas se destina a arranjar mão de obra em regime de mobilidade permanente.

 

 

(c) Antero Valério

Estimado amigo P.G.;

1- Continuo a submeter à sua apreciação o “amigo”, por abuso, relevando o “estimado”, por ser verdade, ficando assim, abrigado quanto a ações penais do Código Civil por abuso de confiança…

2- Continuo a pedir-lhe sinceras desculpas por pensamentos irrefletidos que lhe envio, tomando-lhe tempo e podendo, neste caso, colocar-me processos por “spam”.

3- Dia, hoje motivante (ver adiante), para que lhe envie algumas “boutades” recolhidas em breves, precedentes horas (já não mais durmo, apenas sonho o impossível…).

4- Como tive o cuidado e interesse pessoal em informar-lhe que de pouco dependo (falo de terceiros, políticos, instituições e relatos…), envio-lhe este… como chamarei…exótico, texto que recebi, provindo de um funcionário com responsabilidades numa empresa:

“ Venho por este meio informar que as guias em XXX estou todas a sair com recibo mesmo elas as que estou pagas” (SIC)

a) Para um chefe de secção escrever semelhante, com anos de casa, não o faz refletir no “eduquês”?
É esta a educação que se pretende? Cursos “profissionais” ? (deixe passar a terminologia…)

b) Eu, agora mais velho e MUITO MENOS sábio (amanhã cumpro mais um ano de festejo, inutilidade ou sacrifício, ainda não decidi…), tenho de aturar isto, ou fazer metamorfose em “maestro” de remotos tempos. Cuido que, e o tenho dito durante anos sem conta, que a degradação (sabemos de quê) estava a acentuar-se e caminhava para o caos. Enfim, era (e sou, assumo), mais um profeta da desgraça.

5- Estes dias periféricos “ao meu acontecimento” (a chamada “perífrase linda”…), trazem sempre coisas curiosas, ainda que aberrantes, cómicas ou festivas. Mas sempre inabituais. Recebi hoje este texto de um amigo muito especial, que por infelicidade, se encontra de menor saúde. De sua profissão, advogado. O texto refere que circula pela “net”. Não vi réplicas, pelo que, aqui lhe envio a transcrição (lá virão os enfermos da “partidarite”, quando o que se pretende está para além disso…):

“Pedro Dias
MEUS QUERIDOS AMIGOS …
Depois de ouvir o vosso líder parlamentar, numa extraordinária quão breve dissertação sobre os Renault Clio, venho pedir-vos que não gozem comigo, por ter comprado um, às prestações de 290 € por mês e usado.
Não ando de Mercedes, BMW ou Audi, porque, como professor Catedrático do 4º escalão da Universidade de Coimbra, ( e Membro das Academias Nacionais da História, das Belas Artes, da Marinha, da Real Academia de Bellas Artes de San Ferando de Espanha e de mais meia dúzia delas, decano da área de Património das Universidades Portuguesas, Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, Medalha de Mérito-Classe Ouro de Belas Artes, Medalha de Ouro da Cidade de Coimbra, e com cerca de 200 livros e artigos publicados, 12 com prémios, como o Prémio Gulbenkian ), não tenho dinheiro para mais. Percebi, ontem, que é vergonhoso andar de Clio, em Portugal, que isso nos apouca.
Só que isso nos diminui aos olhos de quem, na vida, nunca fez nada e nunca trabalhou no duro, e passou a juventude na intriga e a comer, beber e viajar à conta dos partidos políticos, a esperar pacientemente nas Jotas, para chegar a adulto e, de preferência, como o Zorrinho, para entrar para uma loja maçónica e na Assembleia ou num gabinete ministerial. Eu cá, loja, só a mercearia do meu Avô, na Rua do Corvo.
Afinal já percebo porque é que as minhas netas, às vezes, não querem vir ao meu colo: não é por birra, é que têm vergonha por eu ter um Renault Clio.”

Se tal texto é, de facto, do Prof. Doutor Pedro Dias, não o sei. Mas sei o extraordinário gabarito científico que possui, e que referenciei (devidamente) na minha (muito pobre) tese doutoral (uma redundância a fazer, num país que confunde monografias de licenciatura com dissertações de mestrado e com teses de doutoramento).

6 – Estou cansado, e resumirei:

Que se passa com este povo?
Que reflexões imagéticas transporta a debates televisivos?
Que queremos?
Que soluções, rumos, e posturas queremos assumir?
Que modéstia nos falta?
Que seriedade perdemos ou não tivemos?
Que serenidade (não apologética) deveremos ter?
Que caminho, que caminho a traçar, pergunta sempre feita, e de tão fácil resposta: só pode saber alguém o caminho a seguir, se souber, em verdade e consciência, o caminho que já percorreu.
Que credibilidade se pode dar à educação formal de uma nação onde a informação televisiva toma a abreviação de “hélis” para “hélios”? (ora vamos lá recordar o velho latim…). Ou a educação “formal” não deve ter lugar? (recordando e parafraseando, “eu sei que V. Exa. sabe que eu sei que V. Exa. sabe que eu sei”)

Estimado P.G., não me felicite por menos um ano de sacrifício (hum…terei tomado uma decisão opinativa final?).

Não me portei bem, e poderia ter feito bem mais. Sei que poderia ser irrelevante para mim, pois sou mais um espoliado do pensamento. Mas, por certo, se tivesse tido mais consciência, poderia ter sido um melhor contribuinte líquido para os filhos do futuro.

Mas pesa-me isto menos, por cumprir sina de ser profeta da desgraça, pois não havendo futuro, não haverá credores, pelo que minha dívida se anula. Anula-se esta, mas infelizmente, não se anulam os erros na minha consciência. Outros nenhuma terão, por certo…

Dificilmente os poderei pagar (os tais credores da minha dívida…).

Sempre seu devedor, em incumprimento,

Aos 19 dias de outubro de 2012 (perdoando a falha do calendário Gregoriano),

Leal Conselheiro,
(Ph.D. -há que estar na moda- pelo Estado, numa segunda-feira, sem equivalências, sem subsídios ou bolsas. Este texto concorda com o N.A.O., mas inclui revisões pessoais).

PS- Publique-se se aprouver a quem. Publique-se e prenda-se quem escreveu, se mordaças houver a providenciar às vozes inocentes de quem muito pouco sabe, mas se encontra inquieto.

.

.

E em forma de apostilha:

Confissões inconfessáveis.

Falei a ti estranha neblina,
neblina de meus voos,
tão curtos e tão morosos
como beijos que esqueci.

Apertos de sentir um estranho vago,
lassidão desprendida de sentido,
caminho errante com falas pouco sonantes,
olhares sem sentido nem direcção.

Amargura de palavras vertidas,
catadupa de disparates deitados ao ar,
rouquidão vaga de solidão,
grão perdido na imensidão.

Falar só, ao vento que não passa,
cantar sem voz, sem rima e sem prazer,
andar sem movimento,
dormir sem sonhar.

Desenho com um dedo figuras no ar,
desenhos tolos, sem cariz,
sem forma, abstractos e abomináveis,
linhas sem rumo nem arte.

Tens palma que na mão sustenha,
de alguma forma, esta languidão?
Tens alma que possa ouvir gemidos sem som,
e lamentos sem arrependimento?

Se os tens, empresta-os por um pouco.
Breves momentos.
Para sentir.
O que não mais sentido é.

E já agora, para atirar ao vento que passa,
as falas, os apertos, a lassidão, os caminhos,
os olhares, os cantares, as caminhadas, o sono,
os desenhos e os lamentos.

Deixo-te como paga,
um peito aberto,
um desgosto
e uma alma em pedaços.

(Leal Conselheiro)

Página seguinte »