Não é genial, nem sequer especialmente elaborado.

Mas tem sido difícil ao MEC descobri-lo, ou assumi-lo, a sós ou com companhia, pelo que eu o vou apresentar aqui, já que – por motivos de ordem pessoal – não o poderei ir afrontar directamente no dia 20 num ambiente em que seria bem recebido.

Considerem, portanto, este como um contributo meu, gracioso, para desenrolar o nó.

Alegando a necessidade de diversificar as ofertas formativas para os alunos com insucesso escolar e procurando aproveitar a onda de desânimo entre os professores perante certas realidades quotidianas, O MEC e os seus peritos e especialistas irão apresentar um sistema que se afirma dual, virado para a economia e o trabalho, no sentido de enquadrar os alunos que, segundo muita gente, não anda a fazer nada na escola.

Pelo que… devem seguir uma via profissionalizante ou vocacional.

Que verá deslocada grande parte da sua carga horária para a tutela do IEFP ou, por outras palavras, do Ministério da Economia. O que significa que desaparecerão muitas horas lectivas nas escolas públicas tradicionais mas aparecerão nos centros de emprego, o que poderá constituir um interessante mecanismo de mobilidade especial de horários disponíveis.

Entretanto, a operação de engenharia profissional do Verão que passou permitiu perceber até que ponto muitos directores – por proselitismo, fé ou medo – serão capazes de emagrecer os seus corpos docentes desde que devidamente mobilizados ou pressionados. O número de contratados foi muito reduzido graças à contracção do currículo e, por outro lado, deu para fazer uma avaliação do nº de quadros que poderão ser empurrados para a aposentação a curto prazo com o receio o progressivo aumento da idade para a dita nos próximos anos.

Isto significa que o MEC poderá estar em condições para reduzir de modo bastante substancial o número de professores a seu cargo (orçamental) de forma directa (redução dos contratados, aumento das aposentações sem recuperação das vagas abertas) ou indirecta (deslocando parte do horário lectivo de muitos alunos e turmas para fora das escolas da rede pública tradicional).

Isto sem contar com a continuação da concentração escolar em caixotes, desculpem, unidades de gestão cada vez maiores e completamente irracionais pelos padrões internacionais de eficácia.

Não faço ideia – nem eles devem fazer, pelos sucessivos erros que cometeram nos últimos tempos – de quais serão os números consolidados previstos para este tipo de operação, mas certamente andarão pelos 5% dos quadros (com ou sem vinculação de contratados), sem contar os contratados dispensados aos milhares desde este ano.

Os encargos com o pessoal no MEC, que já foram mais de 80% e estão pouco acima dos 60%, descerão ainda mais e ir-se-á além da troika. De forma algo folclórica para a opinião pública engolir, tudo isto será apresentado com a cobertura da racionalidade económica e do bom uso dos dinheiros públicos que continuarão a escorrer por outros oleodutos bem mais largos.

O custo médio por aluno, os rankings e outros argumentos usados de forma truncada aparecerão como fundamentos de uma política de Escola Mínima, em que alunos e professores são variáveis desumanizadas em obediência ao princípio totalitário do Interesse Nacional. Aquele que é diariamente desrespeitado com a venda de empresas estratégias a interesses privados estrangeiros.

Existirão aplausos na bancada dos liberais de aviário e dos seus mentores mais sobredotados, aqueles que vivem encostados ao Estado com vencimentos superiores a um Conselho de Turma do Ensino Básico. Aparecerão analistas e especialistas a comprovar a bondade de uma fórmula caída em desuso lá fora (se repararem, muitas referências bibliográficas sobre relatórios de outros países começam a ter alguns anos e a afastar-se do presente), mas que entre nós passam por novos paradigmas.

Resta pará-los enquanto é possível, sem demagogia e as coisas do costume, mas com a desmontagem da operação no terreno do antagonista, exigindo a demonstração das metodologias e processos e inquirindo a fiabilidade das fontes e das conclusões. Não chegam gritos e chavões.

Porque, pelo que dá para perceber, este trabalho anda a ser feito por quem tem interesses lobbistas (de lobby, mas também de lobo) na matéria.