Encolher o leque salarial. Começando pelo topo.

Como é evidente em qualquer empresa, em qualquer organização privada ou pública, têm que haver hierarquias, têm que coexistir diferenças. Sempre! Tem que haver quem esteja no topo, no meio e na base. Claro que não somos todos iguais, felizmente somos diferentes, logo estas diferenças implicam em tudo hierarquias, estas claro, aportam diferenças salariais.

Tudo isto é pacífico, por muito que muitos ainda preguem uma utopia que mistura Cristo ao comunismo e jura obstinadamente e utopicamente igualdade em tudo, menos nos próprios. Para lá, longe qualquer ofensa a verdadeira possível Religiosidade!

Claro que a ascensão ao topo – mesmo que direta – em todo e qualquer local deveria ser única e exclusivamente conseguida por mérito, aptidões – não muitos títulos, antes do nome- e como sabemos, não poucas vezes é a cunha, o conhecimento, o amigo, o primo que faz chegar ao lugar cimeiro.

Porem, as desigualdades não devem, nem podem continuar a ser tao desiguais, que são um escândalo, aos olhos de todos, menos dos próprios, beneficiários!

E no privado, mas também no publico ou no/ por este apoiado, ou sustentado ou subsidiado, continuam a haver diferenças remuneratórias que incluem as mais diversa mordomias, que de modo algum são justificáveis! Nunca deveriam ter acontecido, mas hoje são escandalosas.

Com a maior das facilidades se constata em demasiadas entidades, hoje, agora, que o topo relativamente à base, ao fim do ano aufere em remunerações e benesses, 40 vezes mais e quanto ao patamar intermedio 16 a 20 vezes é a diferença, para a base. Isto é justo? Num país falido? Mesmo num País em franca estabilidade era aberrante!

Logo e em tudo o que seja público ou deste dependa, tem que já, ontem, se abater este leque salarial. O topo e o intermedio devem ter que bastante baixar, e a base nada mexer. Já! Nunca tudo igualar! Nunca!

Claro que privado, faz à sua maneira, mas como tem alguns casos idênticos, deveria dar um jeito em vez de despedir do meio e de baixo, deixando – sempre – tudo bem em cima.

E, para além de haver mais justiça e equidade – palavra que enche a boca a tantos nossos importantes – haveria hipóteses de com menos custos fixos anuais – destes -, manter empregos e criar mais produto, fazer formações, fazer mais economia, criar mais empregos.

Sendo que, o grave, como se sabe, é que o topo pode mexer nos outros mas não vai em si mexer. Era o que mais faltava. E se o topo ficar com menos 40 % e o médio menos 20% safa-se. O baixo afoga-se.

E quando todos nos afogarmos, os do topo também irão na enxurrada, como a bastantes já vai acontecendo.

Salvemo-nos a tempo, com senso e juízo, e equidade, e sem ser sempre e só a dizer mal dos outros e até da Alemanha, que nisto será melhor, também, que nós.

Augusto Küttner de Magalhães

Outubro de 2012