Chamaram-me a atenção para esta publicação. Porque, alegadamente, provaria que quanto maior é o financiamento público das escolas com gestão privada, maior seria a equidade do tratamento dos alunos nessas escolas, permitindo uma frequência mais inclusiva e de mais alunos com origem mais desfavorecida em termos sócio-económicos.

E é verdade.

Eu resumo: quanto mais dinheiro o Estado paga a escolas privadas melhor desempenho elas têm em aspectos como a inclusão e a heterogeneidade social dos seus alunos.

O que significa que geridas de acordo com os princípios meramente privados tendem a ser pouco inclusivas e a seleccionar alunos de estratos socio-económicos favorecidos.

Mas o mais curioso é que esse maior financiamento das escolas privadas pelo Estado só permite que elas, no fundo, se tornem mais parecidas às públicas nesses aspectos, pelo que é tudo um bocado… ridículo.

Aliás, basta verificar que um sistema sem cheques-ensino é mais equitativo em termos globais do que qualquer um que os contemple. É isso que este quadro (inserido na página 4 da síntese do estudo mais alargado) demonstra:

Desculpem-me se estou a ver mal – e eu sei que me queriam chamar a atenção para as vantagens do financiamento público das escolas privadas, mas… o que noto é que esse financiamento se destina, no fundo, a fazer com que as escolas privadas se tornem mais parecidas às escolas públicas na sua política de integração de todos os públicos, algo muito importante num país com o nosso índice de desigualdades, bem longe do que se passa nos países do norte da Europa.

Ora… se as escolas públicas já fazem, porque se há-de pagar a quem não o faz?