Anda aqui pelo blogue há umas semanas uma criatura que s’assina “dona emília“, ora aberta, ora semi-aberta, que exibe um discurso de assinalável agressividade em relação aos professores das escolas públicas que considera serem muito caros, ganharem muito e coisas assim, retiradas directamente do argumentário dos tempos de Maria de Lurdes Rodrigues e Sócrates (não espanta nada a coligação que a apoiou e apareceu em peso no lançamento do seu árido livro na Almedina de Lisboa).

Passando à frente as recorrentes ofensas pessoais que me dirige, incluindo pessoas amigas (a que designa, na falta de coragem como “umbiguistas”) e a minha filha (que acusou de ser tratada preferencialmente na escola) ficam aquilo que a criatura considera serem “argumentos” e “números”, mas que, no fundo, são uma alegada antecipação de um estudo que estará a ser feito pelo MEC sobre o custo médio dos alunos na rede pública de ensino e, comparativamente, na rede privada.

O estudo em causa supõe-se ser o que foi encomendado pelo MEC a um grupo de trabalho dirigido por um ex-Presidente do Conselho Coordenador do Ensino Particular e Cooperativo. E supõe-se ainda que tal estudo, conduzido com extrema minúcia e rigor, terá já conclusões prévias que o dito comentador tem espalhado em comentários ameaçadores por este blogue. Não percebo que o faz porque faz parte da equipa como amanuense se apenas é conhecido da prima da porteira de um dos investigadores nomeados. Tenho uma ideias sobre o perfil da criatura – modelo borginhos alimentado a curso pago pelo apelido e colocação feita na mesma base – mas só queria aqui destacar o processo rasteirinho que tem sido usado (os princípios éticos e morais alegados quando se assina em nome próprio desvanecem-se no anonimato da ofensa fácil) e destacar que tal estudo é muito importante, mas deverá ser feito com alguns cuidados, pois não basta a aritmética para o realizar. Porque há formas honestas e outras não tanto de fazer um estudo desses, desde logo a exposição clara dos métodos e fontes e não apenas das conclusões à martelada.

Eu explico.

Um estudo sobre o custo médio de um aluno terá em conta, nos cálculos, o valor nominal dos salários dos professores ou o salário real, com os cortes que têm sido feitos? Contará a comparação com 12 ou 14 salários por ano? E, já agora, contará nesse cálculo com o valor do IRS que cada professor devolve, via impostos (sim, os professores pagam impostos!!!), ao dito Estado para assegurar as suas funções sociais, de soberania e etc?

Em suma, será um estudo honesto ou um estudo conveniente, à la lemos-capucha?

Já agora… o tal estudo será feito com base em que número de alunos? No número real ou numa parcela, segmentada a gosto, conforme o interesse momentâneo? E em que número de professores? Só nos dos quadros ou em todos aqueles que vão rodando pelo sistema? Incluem aqueles que nem estão nas escolas?
Porque me contam que, apesar de muito material estatístico disponível no MEC, muito dele não é credível e, pior, alguém com muito conhecimento do assunto confirmou-me o quão desesperante é tentar usar muita da informação com critérios uniformes…

Talvez depois de respondidas estas questões, não muito simples para borginhos (modelo relvettes 2.0) e borges habituados à manipulação pública dos dados sobre a despesa pública e a despesa corrente seja possível algo que se assemelhe a um debate.

Porque ensinar quem não sabe a fazer alguma coisa pode mascarar-se como debate para não o menorizar de modo muito ostensivo.

Em caso de comentário – que a criatura de Deus (porque certamente é crente, o jovem!) anuncia com vaidade ser contraditório a doeragradeço que deixe os meus amigos, colegas e família de fora, porque aqui neste blogue nunca se criticaram responsáveis políticos pelo desempenho escolar dos seus parentes, apenas no caso do ministro Miguel, o estudioso.

No caso de evocar salários pagos… lembre-se sempre das palavras sábias de um situacionista que evocou em comentário recente quando esse senhor professor gozou comigo por apenas ganhar 1500 euros. Decidam-se… ou o que ganho é uma ridícula ninharia ou sou um encargo enorme para o Estado, estando a meio da carreira.