Em prosa de fino recorte copy/paste, a criatura emília, relvette de mãe e borginha de pai, quis introduzir num comentário a questão do co-pagamento na Educação, o que significaria o fim da gratuitidade da frequência da escolaridade obrigatória (decretada pelo Estado), com o pagamento de parte do custo por aluno por parte das famílias com mais meios económicos.

Vamos deixar de parte o facto de ser deliciosa a forma de querer fazer os cidadãos pagar por algo que são obrigados a fazer por determinação do próprio Estado. Não é novidade, não seria a primeira vez, mas é sempre curioso que alguém obrigue outro a fazer algo e ainda cobre por isso.

Vamos deixar de parte o facto de já se adiantar um valor médio por aluno de 5000 euros quando há pouco tempo, quando os professores ainda recebiam 14 salários e sem reduções adicionais, se falar em valores abaixo dos 4000 euros. Vamos acreditar que a menos encargos com a massa salarial dos professores corresponde um aumento dos ditos encargos. Acreditemos nisso tudo e até no coelho da Páscoa que faz ninhos para os seus ovinhos nos buracos escavados nas árvores pelos cucos.

Mesmo deixando isso tudo de parte, seria útil às criaturas emílias conhecer um pouco mais do que se passa no ensino público, visto terem sido criadas e querendo criar as suas criaturinhas longe desse mesmo ensino, pois há muito que a escolaridade obrigatória não é efectivamente gratuita como acontece em outros países.

Eu explico:

Quem tem mais meios e não beneficia do apoio da ASE paga por inteiro os manuais escolares e todo o restante material básico (não falo em mochilas de marca e coisas assim) e ainda é uso comum fornecer materiais adicionais às escolas, em especial do 1º ciclo e pré, porque o seu subfinanciamento é crónico em muitos concelhos. Poderia fazer somas, mas sou fraco em aritmética.

Quem tem mais meios e não beneficia de apoio da ASE paga por inteiro as senhas de refeição que apesar de serem baratas (sabe o valor casa criatura emília ou vai ter de googlar?) orçam mais de 30 euros mensais, valor que não me importaria de ser maior para ter a certeza que as refeições chegam a todos os que dela precisam sem racionamento (sim… que o há em muitas escolas para esticar o número de refeições servidas…).

Só estes dois encargos, que certamente saberá não serem das famílias em diversos países, implicam um custo mensal que andará pelos 40 euros mensais (próximo do valor que dará dividir os tais 500 euros anuais de propinas que as criaturas emílias gostariam de cobrar às famílias pela prestação de um serviço que o próprio Estado declarou obrigatório).

Só que as criaturas emílias, inebriadas pelo aroma dos corredores do poder e dos apoios a certas investigações de facção, desapercebem-se das vidas alheias, das questões concretas e, mergulhadas em folhas de excel, constroem modelos e teorias. Enquanto isso é pago por fundações privadas, eu entendo, se for pago pelo Orçamento de Estado já tenho mais dificuldade…

Quanto à maneira de andarem a atirar barro à parede por aqui, apenas revela que os canais normais de inculcação andam com pouca procura…